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A
solução dos problemas da juventude está na luta pela
revolução proletária, pela ditadura do proletariado
e pelo socialismo no Brasil e no mundo
I.
Introdução
O
capitalismo atravessa uma crise histórica. Após o interregno
dos anos 50 e 60, a crise reabriu-se na década de 70 e levou as
contradições mundiais, confinadas no marco do status quo
estabelecido pela derrota da Revolução Mundial no período
pós guerra, a extrapolar todas as tentativas de confinamento: derrota
do imperialismo no Vietnã, crise econômica sem precedentes
das economias capitalistas centrais, crise do nacionalismo burguês
e pequeno-burguês, crise da burocracia stalinista e das burocracias
contra-revolucionárias dos Estados operários, que haviam
se apoiado no acordo estabelecido na guerra-fria, crise das
ditaduras etc.
Em nenhuma outra época da história, como na época
de decadência do capitalismo, a era do imperialismo, a sociedade
humana apresentou contrastes tão violentos, contradições
tão insuportáveis, quanto hoje. A par com uma pavorosa decadência
cultural e científica, determinados campos de ciência e da
técnica vêem os conhecimentos e o poder do homem expandir-se,
às vezes por saltos prodigiosos. O capitalismo mostra-se completamente
incapaz de um crescimento harmônico e de conjunto em todos os seus
ramos. As forças produtivas não conseguem crescer em seu
conjunto provocando as mais violentas comoções.
Na maior parte da humanidade, nos países atrasados e, também,
nos crescentes bolsões de pobreza dos países industrializados,
a população não tem acesso durante toda a sua vida
aos progressos do capitalismo e, mesmo quando tem, este se volta contra
ela, está condenada a uma vida de miséria e degradação
sem perspectivas de solução. Epidemias de fome ainda sacodem
o Terceiro Mundo: no Brasil e na América Latina doenças
controladas há décadas ameaçam provocar catástrofes
sociais. Nos países capitalistas adiantados, no entanto, os governos
não sabem o que fazer com a superprodução de alimentos
que ameaça fazer despencar os preços, e subsidiam o retrocesso
das forças produtivas.
Os meios de automação hoje existentes aumentam a produtividade,
abrindo a perspectiva de uma completa automação de todo
o trabalho exaustivo, cansativo e embrutecedor, deixando ao ser humano
a possibilidade de utilizar o seu tempo para uma vida de plenitude, criatividade
e liberdade.
Esta perspectiva é impedida pelas relações sociais
capitalistas de produção. O capital financeiro somente pode
aceitar esta introdução de novos e mais poderosos meios
de produção subordinados aos lucros da sua atividade parasitária.
Sob o domínio do capital financeiro, etapa senil e última
do capitalismo, todos os progressos científicos e técnicos
se transformam em seu contrário. Os novos recursos energéticos,
e a utilização intensiva dos antigos, não trazem
consigo uma melhoria no bem-estar da sociedade, mas produzem catástrofes
ecológicas (petroleiras ou de energia atômica). A quase totalidade
da pesquisa científica, especialmente nos países avançados,
está vinculada à produção de armamentos.
O capitalismo mostrou no século XX, com duas guerras mundiais,
centenas de milhões de mortos, com o genocídio em grande
escala e com a violência sem freio contra as populações
coloniais e os explorados em todo o mundo que, do ventre da civilização
surge contraditoriamente a barbárie ameaçando arrastar todas
as conquistas da cultura humana para a destruição e criando
já uma situação de permanente irracionalidade e angústia
em todo o mundo que acompanha a existência miserável da maioria
da humanidade como uma sombra.
Em todo o mundo a juventude, em particular a juventude operária,
é o setor que arca com a maior parcela do ônus que o capitalismo
coloca sobre a humanidade em todos os sentidos. É a mão-de-obra
barata das empresas capitalistas, é a parcela da população
mais destituída de usufruto de tudo o que a humanidade construiu
como um valor real: a educação, a cultura, a vida plena
em todos os sentidos. É a juventude, em particular a juventude
operária, que é arrastada às guerras fomentadas pelo
imperialismo para manter a sua dominação sobre as fontes
de riqueza do mundo. É a juventude quem paga o maior preço
com os sistemáticos ataques à educação, com
o desemprego etc.
A exploração capitalista que atingiu neste século
o paroxismo não poderia existir sem um acrescentamento constante
da opressão sobre as massas. A opressão dos Estados policiais
que, sob a cobertura da democracia, se fortalecem em todo o mundo atinge
proporções inéditas sobre a mulher, o negro e demais
populações coloniais. O jovem vive esta opressão
através de todos os tentáculos do Estado, na família,
na escola, no trabalho, no seu local de moradia, em particular nos bairros
operários, vigiados pela polícia como guetos ou campos de
concentração. Desta situação, que conserva
como um ferrolho o roubo de todas as suas perspectivas de vida, resultam
para a juventude o embrutecimento, a superexploração, o
desespero, as drogas e as explosões de violência ainda mais
duramente reprimidas.
Como uma reação defensiva diante da crise mundial e das
tendências revolucionárias que ele engendrou nas três
últimas décadas, o imperialismo mundial, que fomentou ditaduras
e a violência sem limites contra as massas exploradas nos quatro
cantos do mundo, transformou a democracia no seu principal
estandarte para conter as tendências revolucionárias das
massas. Esta modificação abriu caminho para a conversão
da esquerda stalinista, pequeno-burguesa e centrista mundial para o capitalismo
sob o credo da democracia. Esta é a camuflagem da opressão
sem limites e da exploração sem freios.
Para a juventude trabalhadora, assim como para toda a humanidade, a única
via de saída da barbárie crescente do capitalismo é
a luta revolucionária pelo socialismo. Contra a ditadura odiosa
do Estado burguês democrático que apenas serve
para camuflar a repressão, a alternativa da juventude é
a luta pela ditadura do proletariado, baseada nos conselhos operários,
no armamento de toda a população, ou seja, na verdadeira
democracia revolucionária das massas em oposição
à democracia burguesa que é apenas e tão somente
uma ditadura da minoria privilegiada contra as amplas massas exploradas.
O governo operário é a única via de transição
da sociedade capitalista para o socialismo, ou seja, para a completa supressão
da propriedade privada dos meios de produção, o planejamento
econômico e o crescimento da riqueza social que abra a possibilidade
da superação do Estado, instrumento de controle das pessoas,
e para a supressão de toda desigualdade social.
II.
A juventude e a classe operária
A
juventude não é uma classe social e como tal não
está em condições de definir o destino da sociedade
por si só. As lutas de massa da juventude ganharam a sua maior
expressão através dos movimentos estudantis, os quais em
geral se expressaram através da juventude pequeno-burguesa mais
instruída e com melhores condições imediatas para
a atividade política. Isso, no entanto, não esgota o problema.
O setor mais importante da juventude para a luta revolucionária
é a juventude operária porque esta é a fração
potencialmente mais ativa, mais combativa e mais revolucionária
da classe mais revolucionária que a história da humanidade
já conheceu.
A luta da juventude, ainda que se expresse com maior freqüência
no terreno das mobilizações estudantis ou sindicais, está
longe de ser uma luta corporativa ou sindical, mas somente pode se desenvolver
como luta política contra o Estado burguês da qual a mobilização
estudantil ou sindical é apenas uma forma embrionária. A
luta da juventude enquanto camada social específica é, antes
de mais nada, uma luta democrática contra as múltiplas formas
de opressão do jovem que atinge um grau ainda superior à
opressão dos adultos.
O jovem luta não apenas contra a exploração do capitalismo
na fábrica ou contra as péssimas condições
de ensino na escola, mas contra todos os aspectos da opressão social
reforçada e garantida pelo Estado burguês: luta pelo acesso
`a cultura da humanidade que lhe é negada de modo sistemático,
luta pela liberdade de ter as suas próprias experiências
de vida sem barreiras, proibições e freios que encontra
em todos os lados, desde a família até a polícia,
luta para ter uma vida sexual plena.
Nesta luta seu principal inimigo é a burguesia, a qual se organiza
como classe fundamentalmente no Estado burguês que, desde a legislação
democrática até a polícia, tolhe de mil
diferentes maneiras as possibilidades da juventude. Nesta luta, seu principal
aliado é a classe operária que luta para substituir o Estado
burguês pela ditadura do proletariado e, consequentemente, o capitalismo
pelo socialismo.
A condição fundamental para que esta luta possa avançar
é a completa independência política da juventude em
relação à política burguesa, aos seus partidos
e ao Estado burguês.
O caminho para a independência política da juventude diante
da burguesia e do imperialismo, que levam a sociedade ao caos e a universidade
à destruição e à esterilidade, é a
luta no interior do movimento estudantil pela estratégia operária:
a revolução social, o governo operário e camponês
(ditadura do proletariado) e o socialismo.
A aliança dos estudantes com os operários e os camponeses
é a forma política básica em que se manifesta esta
luta pela independência política.
A efetivação desta unidade, (subordinação
dos estudantes à estratégia da classe operária) está
relacionada ao desenvolvimento político do proletariado, ou seja,
com a construção de um partido independente da classe operária,
o partido operário revolucionário. Tendo em vista o objetivo
estratégico, a juventude deve se posicionar firmemente na luta
pela organização política consciente da classe operária
revolucionária.
A vitória completa do proletariado e das massas exploradas é
impossível sem a construção do partido revolucionário,
estruturado ao redor do programa e da estratégia da revolução
e ditadura proletária e do socialismo.
III.
A juventude e o regime político: abaixo a ditadura civil, mobilizar
as massas pelas suas reivindicações fundamentais, por um
governo dos trabalhadores da cidade e do campo
Contra
as ilusões de obter as reivindicações populares através
do Congresso corrupto controlado pelos grandes capitalistas, mobilizar
a força unitária das massas pelas suas reivindicações
vitais
1.
Não ao salário mínimo de fome de R$ 200,00 , por
um salário mínimo vital de R$ 1.500,00
O
salário mínimo brasileiro é um dos mais baixos do
mundo. É o mais baixo do Mercosul, cuja média é de
160 dólares e é absurdo quando comparado aos dos países
industrializados, em média 750 dólares. Este salário
é uma fonte de superlucros para os capitalistas que argumentam
que não podem pagar mais simplesmente porque não querem
perder os seus imensos privilégios sociais. O governo alega que
qualquer aumento, por menor que seja, levaria a Previdência à
falência, quando todo o mundo sabe que o dinheiro que falta à
Previdência sobra para dar subsídios aos capitalistas, aos
bancos, para pagar a dívida externa etc. O único critério
válido é o de que o salário mínimo deve ser
suficiente para suprir as necessidades básicas de uma família
trabalhadora. Critério que, aliás, está na Constituição
do Estado burguês. O caminho para conseguir esta reivindicação
não são os argumentos técnicos mas a luta.
1)
Por um salário mínimo vital que corresponda às necessidades
básicas de uma família trabalhadora, suficiente para alimentação,
moradia, saúde, educação, higiene pessoal, transporte,
lazer, vestuário etc. Por um salário mínimo de R$
1.500,00.
2)
Não ao salário mínimo regional, salário mínimo
unificado nacionalmente, calculado pelo pico.
3)
Os trabalhadores perderam com o Real, não devem perder com a inflação,
reposição de todas as perdas do Real, escala móvel
de salários, por um aumento emergencial de 100% sobre todos os
salários.
2.
Não ao banco de horas, não ao contrato temporário,
não à renovação da frota: a única via
para os trabalhadores: redução das horas trabalhadas
Trabalhar menos, trabalharmos todos
A
única solução real que o governo e os patrões
têm para enfrentar a crise é a expropriação
sistemática dos trabalhadores, que vai do aumento da jornada, passando
pela redução salarial, até a expropriação
total do rendimento do trabalhador através do desemprego. O governo
deliberou o contrato temporário de trabalho sob o argumento de
que diminuiria o desemprego. Este recurso, no entanto, apenas serviu para
aumentar os lucros dos empresários que, agora, não precisam
pagar integralmente os direitos trabalhistas e podem demitir com maior
facilidade. Através do banco de horas, acabou com os adicionais
pagos às horas extras e com o limite legal de horas de trabalho
facilitando, também, deste modo, as demissões.
O único direito real que os trabalhadores têm sob o capitalismo
é o direito de não morrer de fome e mesmo este direito elementar,
que antigamente estava assegurado até mesmo aos escravos, está
em questão. A luta contra o desemprego, isto é, a luta pela
sobrevivência da classe trabalhadora, não pode ser levada
adiante nem por meio do acordo com os patrões, nem através
da benevolência do governo e do regime político burguês.
As demissões em massa, ou seja, o confisco dos meios de subsistência
de uma parcela da força de trabalho, de modo a acirrar a concorrência
no interior da classe trabalhadora e aumentar a sua exploração
é uma arma dos patrões contra a luta operária. A
situação só pode ser revertida fazendo com que o
ônus da crise capitalista recaia inteiramente sobre a classe dominante.
Neste sentido, a única proposta séria contra o desemprego
é a de que a jornada de trabalho seja reduzida, sem nenhuma redução
salarial, para que o emprego existente seja repartido entre todos os membros
da classe trabalhadora:
1)
Para criar imediatamente milhões de novos empregos, financiados
com os lucros produzidos pelos trabalhadores e apropriados individualmente
pelos patrões: imediata redução da semana de trabalho
para 36 horas em todos os ramos da produção, sem redução
dos salários; dia de trabalho máximo de oito horas; que
a jornada para os jovens estudantes seja de 20 horas semanais, sem prejuízo
do salário;
2)
Diante das ameaças patronais de redução da produção,
diante das altas e baixas da produção: escala móvel
de horas de trabalho de modo a repartir o trabalho existente entre todos
os trabalhadores sem redução dos salários.
3.
Abaixo a superexploração
Os
patrões tiram proveito do desemprego para aumentar a exploração
de todas as camadas da classe trabalhadora: velhos, mulheres, crianças,
trabalhadores desqualificados e particularmente da juventude. Ao invés
de contratar novos trabalhadores, prolongam de mil maneiras a jornada
de trabalho, substituem o trabalho masculino pelo feminino , utilizam
cada vez mais a mão-de-obra infantil, substituem trabalhadores
mais antigos por novos com salários mais baixos etc.
1)
Para abrir novas vagas, acabar com o prolongamento da jornada de trabalho
em várias profissões: cumprimento rigoroso do teto máximo
de horas de trabalho nas profissões com menos de 36 horas, como,
por exemplo, os bancários;
2)
Acabar com o superlucro dos patrões às custas do trabalho
não remunerado, abrindo novas vagas de trabalho: erradicação
de todo trabalho gratuito; contagem das horas trabalhadas fora do local
de trabalho ou do horário normal, a título de trabalho preparatório
etc. (p. ex., professores), como parte da jornada normal e remuneradas;
3) Abrir novas vagas nos serviços públicos essenciais, melhorando
a qualidade do serviço: na escola pública, máximo
de 25 alunos por sala; (nas classes de 1ª a 4ª série,
máximo de 15 alunos por sala, nas demais, máximo de 25 alunos
por sala); contratação de mais pessoal na saúde pública;
4)
Não ao prolongamento da jornada de trabalho: final de semana livre
e remunerado (comerciários); fim das horas-extras, incorporação
do montante de horas-extras ao salário de todos os trabalhadores;
5)
Não à chamada flexibilização da jornada
de trabalho: não ao banco de horas, que coloca os trabalhadores
sob a completa dependência do patrão, aumenta a jornada de
trabalho e diminui os salários; fim dos contratos temporários,
que representam uma redução dos salários através
do corte dos benefícios e facilita as demissões; não
à suspensão temporária do contrato, que permite aos
patrões demitir sem gastar e impede o trabalhador de procurar novo
emprego; fim das férias coletivas determinadas pela empresa, que
o trabalhador escolha o seu mês de descanso;
6)
Abaixo a superexploração da classe operária, uma
das fontes fundamentais de desemprego: proibição do trabalho
infantil; restrição ao trabalho dos menores, manutenção
da licença-maternidade de quatro meses; subsídio para os
estudantes poderem estudar sem terem que trabalhar; fim do trabalho noturno,
exceto por necessidade técnica incontornável ou atendimento
de extrema necessidade à população; isonomia salarial
entre homens e mulheres; fim da utilização do estágio
como forma de pagar baixos salários à juventude, para trabalho
igual salário igual; garantia de todos os direitos trabalhistas
para estagiários.
7)
Com a chamada reforma da Previdência, os patrões
e o seu governo querem aumentar o tempo de trabalho dos operários,
diminuindo, assim, o emprego: diminuição do tempo necessário
para se aposentar, 30 anos para os homens, 25 para as mulheres; aposentadorias
dignas, para que o aposentado não precise voltar ao mercado de
trabalho, a não ser que queira: aposentadoria igual ao último
salário da ativa, reajustado de acordo com a categoria profissional
e com o acordo coletivo;
8)
Restabelecimento das chamadas aposentadorias especiais (jornalistas,
professores, docentes universitários);
9)
fim do trabalho escravo.
4.
Que os patrões arquem com os custos da crise
1)
Os patrões e o governo são os únicos responsáveis
pela crise e pelo desemprego. Quando a economia vai bem, o trabalhador
nada recebe, quando vai mal, arca com todo o custo da crise. Cabe aos
patrões suportar o ônus da crise que criaram: salário
desemprego pago enquanto o trabalhador permanecer sem contratação,
igual ao último salário da ativa, financiado por um imposto
sobre os lucros das empresas;
2)
Isenção de pagamento de todos os serviços públicos
para os desempregados (gás, água, luz, prestação
da casa própria, telefone, IPTU, taxa de lixo etc.); subsídio
estatal para o pagamento do aluguel para os trabalhadores desempregados;
re-estatização de todos os serviços públicos;
estabelecimento de um teto máximo de 10% do salário para
o conjunto das tarifas públicas para todos os trabalhadores, financiado
por um aumento de tarifas para as grandes empresas; que as empresas arquem
com as necessidades básicas dos trabalhadores que demitirem (atendimento
médico, escola, cesta-básica etc.).
5.Abaixo
a política recessiva e onerosa para os trabalhadores, que os patrões
paguem pela crise e sustentem o seu Estado
1)
Nenhum imposto sobre os trabalhadores, que os patrões sustentem
o Estado: fim de todos os impostos sobre o salário e sobre o consumo
popular; por um imposto único sobre os lucros dos capitalistas,
sobre a especulação financeira e o consumo de artigos de
luxo; fim do IPTU, taxação dos imóveis de luxo, vagos
e de aluguel;
2)
Fim dos parasitismo financeiro e dos juros extorsivos: estatização
do sistema financeiro, banco estatal único sob o controle dos trabalhadores;
crédito subsidiado para o consumo e para pequenas empresas; desconhecimento
das dívidas das pequenas empresas e dos consumidores endividados
pelo Plano Real; cancelamento da dívida interna do Estado devida
aos grandes capitalistas, preservação dos pequenos investidores
e poupadores;
6.
Por um plano para a criação de empregos
Os
governos federal, estaduais e municipais gastam somas fabulosas para auxiliar
os capitalistas que, por fraude ou incompetência, levaram suas empresas
à falência, para dar subsídio de forma a sustentar
artificialmente os lucros em queda dos capitalistas etc. Estes recursos
podem e devem ser empregados em uma política estatal para a geração
de empregos em grande quantidade.
1)
As políticas de governo estão voltadas para preservar os
superlucros dos grandes capitalistas às custas da população;
os recursos estatais devem ser destinados a preservar o emprego e as condições
de vida da população. Em oposição à
especulação imobiliária, ao parasitismo das grandes
empreiteiras da construção civil em relação
ao Estado: plano de obras públicas do Estado para a realização
de obras essenciais; plano de construção de moradias populares,
sob o controle das organizações operárias;
2)
Para abrir caminho para a diminuição do excedente de mão-de-obra
nas cidades: reforma agrária com expropriação do
latifúndio; imediato assentamento em todas as terras ocupadas;
fim da repressão aos sem-terra; financiamento para os agricultores
assentados e aos pequenos agricultores para a compra de máquinas
e fertilizantes e condições de distribuição
dos seus produtos; fim do subsídio ao grande capital agrário;
expropriação de todos os grandes devedores (álcool
etc.)
3)
Se os capitalistas não têm condição de manter
os seus negócios, manter seus funcionários e pagar salários,
não têm direito a manter suas empresas: nenhum subsídio
ao capital, pela estatização dos bancos e de todos os empreendimentos
falidos;
4)
Abaixo o parasitismo do capital monopolista: expropriação
do grande capital nacional e estrangeiro.
7.
Não às demissões em massa: ocupação
de fábricas
Com
as demissões em massa, os patrões procuram dividir os trabalhadores
jogando os empregados contra os seus companheiros demitidos. A única
maneira de evitar esta situação é unificar todos
os trabalhadores dentro da fábrica, através da sua ocupação.
1)
Não às demissões em massa: unir os empregados e desempregados,
ocupar as fábricas.
8.
Contra a política de seguidismo à burguesia e ao seu governo:
pela organização independente da classe operária
e das massas exploradas
A
política da burocracia sindical é um dos principais obstáculos
à luta contra o desemprego e em defesa das reivindicações
essenciais da classe trabalhadora. É por isso que esta luta não
pode ser separada da luta por uma nova direção para os sindicatos,
que é a única forma de efetivamente recuperar os sindicatos
para a luta de classe do proletariado. A renovação do aparelho
sindical depende também de que estes se tornem instrumentos de
massa que abarcam todas as camadas da categoria que representam. A política
da burocracia sindical é a de transformar os sindicatos em organizações
minoritárias, em instrumentos de uma elite de trabalhadores melhores
pagos, das grandes empresas, qualificados, sindicalizados etc. para, desta
forma, poder sacrificar, sem constrangimento, o interesse da maioria dos
trabalhadores. Neste sentido, está colocado o esforço não
apenas para unir todas as camadas da classe operária em organizações
de luta, mas também de impedir, através da união
na luta, a divisão da classe trabalhadora em empregados e desempregados
como duas forças distintas. A força social da classe operária
e das massas exploradas, que são a maioria da nação,
não pode se concentrar em um verdadeiro movimento transformador
a não ser pela sua organização política, neste
sentido cumpre um papel fundamental a luta por uma nova direção
para o movimento operário através da criação
de um verdadeiro partido dos trabalhadores, de um partido operário
independente da burguesia; neste sentido, é preciso trabalhar,
em todos os sindicatos, tanto os filiados à CUT, como à
Força Sindical e à CGT, pela formação de correntes
classistas antiburocráticas que lutem pela transformação
dos sindicatos em verdadeiras organizações de luta, de classe
e de massas.
1)
Direito de sindicalização para os desempregados; formação
de comitês de luta dos desempregados; que a CUT e os sindicatos
sejam controlados por todos os trabalhadores, os empregados e desempregados,
sindicalizados e não sindicalizados;
2)
Abaixo a burocracia sindical; por uma nova direção, proletária
e não privilegiada, classista e de luta, para os sindicatos; pela
formação de correntes de oposição, antiburocráticas
e de classe em todos os sindicatos; por uma nova direção
para a CUT;
9.
Não pagamento da dívida externa, fora o imperialismo
O
governo FHC e o Plano Real levaram o controle da economia nacional pelo
imperialismo através das privatizações, dos privilégios
ao capital especulativo e da liquidação do capital nacional
através da paridade aos níveis anteriores à Revolução
de 30. Os acordos coloniais com o FMI e a colossal dívida externa
são expressões políticas e contábeis desta
situação. Agora que a crise do Real coloca por terra a demagógica
promessa de fazer crescer o país através da entrega ao imperialismo,
o governo FHC e o regime burguês em seu conjunto vai procurar fazer
com que as massas sustentem mais uma vez esta falência com novos
sacrifícios. Contra esta nova tentativa de expropriar as massas
em favor dos grandes capitalistas estrangeiros e dos seus associados nacionais
opomos a expropriação do capitalismo e do grande capital
nacional.
1)
Não pagamento da dívida externa e interna;
2)
Fim das privatizações, cancelamento de todas as privatizações
realizadas sem indenização aos aproveitadores, controle
operário das empresas estatais;
3)
Expropriação dos bancos e de todo o grande capital nacional
e estrangeiro. Estatização da saúde, da educação
e de todos os serviços públicos fundamentais;
4)
Fora o FMI, cancelamento de todos os acordos políticos, econômicos
e diplomáticos ditados pelo imperialismo.
10.
Fim da repressão aos sem-terra, expropriação do latifúndio
As
promessas demagógicas do governo FHC de fazer uma reforma agrária
legal a conta-gotas mostraram-se um completo fracasso. Da mesma forma
a tentativa de fazer a reforma agrária sem tocar no coração
da estrutura agrária arcaica do país, o latifúndio.
Ao mesmo tempo em que cresce a massa dos sem-terra e a sua mobilização,
cresce também a repressão como último recurso para
evitar o alargamento da crise. Diante disso, torna-se necessário
um programa para uma luta massiva no campo
1)
Expropriação do latifúndio: terra para quem nela
trabalha; expropriação da grande empresa agro-industrial:
controle operário das grandes empresas agrícolas;
2)
Imediato assentamento de todas as ocupações; por um plano
nacional de ocupações; por uma campanha das organizações
operárias nas cidades em defesa dos sem-terra e da sua luta;
3)
fim da repressão aos sem-terra; punição para todos
os assassinos de sem-terra e seus mandantes; liberdade para todos os presos
políticos, fim de todos os processos fraudulentos e intimidatórios
contra os sem-terra e suas lideranças; dissolução
das milícias para-militares dos latifundiários; organizar
a autodefesa dos trabalhadores rurais.
11.
Não à aliança com a burguesia, abaixo a tentativa
de subordinar a luta das massas às eleições; por
uma frente de luta entre as organizações operárias,
camponesas e estudantis, mobilizar as massas: por um Congresso Nacional
dos Trabalhadores da cidade e do campo com delegados eleitos por local
de trabalho
O
grande trunfo do governo FHC nos últimos anos tem sido a paralisação
das lutas dos trabalhadores e a sua divisão por força da
política de colaboração de classes do PT com os partidos
e governos burgueses. Todas as lutas que ocorreram espontaneamente ficaram
isoladas, muitas delas foram derrotadas. A CUT, de órgão
de unificação das lutas tornou-se um verdadeiro sindicato
de carimbo, um lobby no Congresso Nacional que através de acordos
entreguistas (previdência, FGTS) provocou as maiores derrotas dos
trabalhadores nas últimas décadas. A divisão da classe
trabalhadora se dá entre a cidade e o campo, entre as organizações
sindicais, estudantis e populares, entre os diversos sindicatos e no interior
das próprias categorias. Todo este retrocesso é o resultado
da colaboração de classes. Por isso, é preciso opor
energicamente 1) a política da mobilização unitária
das massas à política divisionista e lobista; e 2) a luta
pela independência de classe ao atrelamento das organizações
operárias à burguesia.
1)
Não à colaboração de classes, não à
frente popular com a burguesia, não ao fórum da cidadania
com as organizações burguesas, não ao fórum
social mundial, frente popular internacional; pela aliança das
organizações operárias, camponesas e estudantis,
sem a burguesia e seus agentes;
2)
Pela mobilização unitária da classe trabalhadora
da cidade e do campo por emprego, salário, terra e pelo fim da
repressão política;
3)
Contra a política de aliança das organizações
operárias e camponesas com a burguesia, por um Congresso Nacional
dos Trabalhadores da Cidade e do Campo com delegados eleitos em assembléia
por local de trabalho para definir um programa unitário e um plano
de lutas comum, com a participação de delegados estudantis
secundaristas e universitários.
12.
Contra a ditadura civil de FHC e dos partidos burgueses, pelos direitos
democráticos dos trabalhadores e da população oprimida
O
crescimento dos assassinatos de ativistas no campo, a impunidade da repressão
oficial e oficiosa, o crescente cerceamento à liberdade de expressão
em todos os lados, os crescentes obstáculos ao direito de organização
partidária, o número cada vez maior de presos políticos,
o cerceamento cada vez maior ao direito da população portar
armas ao mesmo tempo que os aparelhos repressivos do Estado burguês
se fortalecem, se armam e se tornam mais agressivos, a virtual liquidação
do direito de greve são expressões do avanço desta
tendência abertamente contra-revolucionária no Estado e na
sociedade como um todo. Somente a mobilização das massas
poderá quebrar esta tendência que conduz a um regime formalmente
ditatorial como forma de abrir caminho para o ataque da burguesia e do
imperialismo às condições de vida das massas em toda
a sua plenitude. Contra esta tendência é necessário
levantar um programa claro de reivindicações democráticas.
1)
Plena liberdade de organização sindical; direito de greve:
2)
Fim da censura, liberdade de expressão.
3)
Liberdade para todos os presos políticos, fim dos julgamentos fraudulentos.
Punição para os assassinos dos trabalhadores. Dissolução
da PM e de todo o aparato repressivo. Fim das polícias políticas
do governo federal e dos governos estaduais. Direito da população
a se armar. Substituição da polícia e do exército
permanente e controlado pelo Estado por um sistema de milícias
populares.
4)
Liberdade de organização partidária; iguais condições
de acesso de todos os partidos aos meios de comunicação
de massa; direitos eleitorais integrais para a juventude a partir dos
16 anos de idade; fim dos limites de idade para concorrer aos cargos públicos;
5)
Mobilizar as massas para colocar abaixo o governo FHC e o Congresso corrupto:
Fora FHC e o Congresso!
13.
Contra os governos patronais e sua política antioperária:
lutar por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, pela mobilização
revolucionária das massas, pelo socialismo
Somente através de uma mobilização unitária,
massiva e consciente, vale dizer, através de uma mobilização
revolucionária da classe operária e dos demais explorados,
da liquidação do Estado burguês, instrumento de manutenção
fundamental do regime de propriedade privada dos meios de produção
e do estabelecimento do poder exclusivo de classe do proletariado apoiado
nos demais oprimidos e explorados da sociedade capitalista, a ditadura
do proletariado, é que um tal programa pode ser colocado de modo
integral e sólido em prática.
A classe operária e os explorados da cidade e do campo podem e
devem se apoderar das alavancas do poder estatal para colocar em prática
um programa que sirva aos seus interesses contra a burguesia. O conjunto
das reivindicações constituem, na realidade, a base e o
programa central de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo,
um governo sem patrões, dominado pelas organizações
da classe operária das cidades e dos trabalhadores do campo, resultado
da derrota política dos patrões e da quebra de seu regime
político, ou seja, da sua dominação tirânica
sobre a esmagadora maioria da população.
IV.
A juventude, a universidade e o movimento estudantil
1.
Por uma universidade a serviço da luta de classe do proletariado
A
burguesia nacional, submissa ao imperialismo, é incapaz de desenvolver
o país, retirando-o do atraso. As grandes tarefas da revolução
democrática realizada pelos países desenvolvidos, na época
de ascensão do capitalismo, (independência e unidade nacional,
revolução agrária) nunca foram realizadas no Brasil.
O precário desenvolvimento do capitalismo brasileiro é um
produto da penetração do capital estrangeiro e não
do desenvolvimento interno das forças produtivas. A penetração
do imperialismo criou uma classe operária numerosa e concentrada
(Volkswagen, Ford, GM etc.), mas acentuou as contradições
características de um país capitalista atrasado (concentração
da terra, disparidades regionais, alta tecnologia nos grandes centros,
formas de produção pré-capitalistas em algumas regiões
etc).
O domínio da burguesia nacional está longe de ser completo.
Esmagando a débil burguesia nativa, de um lado, está uma
numerosa classe operária, concentrada nos grandes centros, que
se organiza e politiza rapidamente e do outro está a enorme pressão
do imperialismo mundial, que se alia aos setores mais retrógrados
da nação os quais se associam a ele: a oligarquia agrária
exportadora, os setores mais atrasados da indústria, a pequena
burguesia das multinacionais etc. Dentre os três termos, a burguesia
nacional é o mais débil. Esta situação excluiu
o florescimento de uma democracia burguesa que fosse a via para a superação
do atraso.
A burguesia, que nos séculos anteriores nos países metropolitanos,
apoiou-se no proletariado incipiente, no campesinato e nas massas pobres
para consumar a revolução democrática, hoje está
impossibilitada de repetir esta proeza, já não pode cumprir
este mesmo papel nos países atrasados, na época de decadência
do capitalismo. A burguesia teme ser ultrapassada pelo proletariado e
por isso submete-se ao imperialismo e alinha-se no campo da reação
política.
Os exemplos cabais deste processo são a Revolução
de 1930 e o governo nacionalista de Goulart em 1964, que não foram
capazes de realizar as tarefas democráticas e acabaram capitulando
diante do imperialismo.
Diante da incapacidade da burguesia, somente a classe operária,
através de seu próprio governo poderá enfrentar o
imperialismo e o latifúndio e liquidar a opressão nacional
e o atraso. A revolução dirigida pelo proletariado, no entanto,
não dará lugar a um amplo desenvolvimento do capitalismo.
As tarefas democráticas pendentes somente serão resolvidas
pelo governo operário e como parte da construção
do socialismo.
Sem a solução dessas tarefas não há possibilidade
de um desenvolvimento real da universidade. A luta para que a universidade
seja um instrumento efetivo do progresso econômico, social, científico
e cultural está indissoluvelmente ligada à luta pela estratégia
política da classe operária: o governo operário e
camponês (ditadura do proletariado) e o socialismo.
Neste sentido, a AJR luta, em primeiro lugar, pelo livre ingresso na universidade
para que esta possa ser realmente a expressão das forças
criadoras da nação oprimida e não de uma minoria
burguesa e pequeno-burguesa parasitária, inculta e socialmente
raquítica. Em segundo lugar, a AJR deposita todas as suas esperanças
no objetivo de colocar toda a universidade a serviço da luta da
classe operária contra o imperialismo mundial.
1)
Pela aliança operário-camponês-estudantil; pelo partido
operário revolucionário; pelo governo operário e
camponês
2)
Presença massiva da classe operária na universidade; colocar
a universidade a serviço da luta de classe do proletariado contra
a burguesia;
2.
A crise da universidade brasileira
A
universidade brasileira vive hoje sua pior crise. O que vemos é
a decadência geral do ensino (baixa qualidade dos cursos, falta
de verbas para as atividades mais elementares, fechamento de cursos inteiros
etc), o drástico corte de verbas do governo para a educação,
retrocesso das atividades de pesquisa , o fechamento dos restaurantes
universitários, o descaso com a moradia estudantil, o incentivo
a uma rede privada de ensino com um padrão acadêmico abaixo
da crítica, entre outros. O processo de privatização
da universidade pública, aberto ou camuflado. Tudo isso aponta
para o desmantelamento da universidade brasileira.
A universidade, assim como todo o sistema educacional, não está
isolada da sociedade. A universidade constitui-se numa superestrutura
que se ergue e se apóia sobre um determinado grau de desenvolvimento
das forças produtivas.
O Brasil é um país capitalista atrasado e oprimido pelo
imperialismo, ou seja, a burguesia nacional foi incapaz de desenvolver
o país. A universidade brasileira ressente-se deste atraso, sua
existência e suas características estão determinadas
pelas contradições históricas da formação
nacional.
O sonho das grandes universidades européias e norte-americanas
(hoje também golpeadas pela crise e decadência mundial do
capitalismo), produtoras e transmissoras de cultura e ciência, dedicadas
à pesquisa e a uma verdadeira formação profissional
e intelectual, nunca se materializou no Brasil.
A crise do conjunto do capitalismo, bem como a incapacidade da burguesia
nacional de libertar o país do atraso, afeta diretamente a universidade.
A universidade brasileira sempre ofereceu um número reduzido de
vagas, nunca alcançou uma boa qualidade de ensino, sempre esteve
submissa ao Estado e às limitações do desenvolvimento
capitalista, investindo muito pouco na pesquisa e, na sua estrutura, sempre
foi autoritária.
O futuro da universidade como instituição transmissora e
criadora da cultura e ciência está vinculada indissoluvelmente
ao destino da sociedade, ao seu desenvolvimento material e cultural.
No Brasil, a universidade que havia antes do golpe de 1964 estava vinculada
fundamentalmente à formação de profissionais liberais.
Tratava-se de uma universidade que oferecia poucas vagas, onde somente
os filhos das oligarquias e da burguesia, e um número reduzido
da classe média tinham acesso.
No início da década de 60, a radicalização
do movimento de massas é acompanhado por intensa mobilização
estudantil. Os estudantes reivindicam mais universidades, mais vagas e
mais cursos e verbas para a educação, refletindo o impasse
da economia nacional e dentro dela, da própria universidade. A
mobilização da pequena burguesia estava dirigida contra
o atraso e a opressão nacional que se colocavam como obstáculo
às suas aspirações de ascensão social. A perspectiva
nacionalista burguesa que presidia este movimento conduzirá à
derrota, nas mãos dos golpistas de 64.
O golpe militar de 64 reprime violentamente as manifestações
estudantis (os ativistas são perseguidos e as entidades são
invadidas), a ditadura militar inicia uma ofensiva reacionária
contra a universidade, cortando o orçamento das escolas públicas
e incentivando a criação de escolas particulares.
O ano de 1968 é marcado por uma profunda crise do regime militar,
verifica-se aí a maior resistência protagonizada pelo movimento
estudantil. Milhares de jovens saem às ruas reivindicando mais
vagas e verbas e lutando pela vigência das liberdades democráticas
e o fim da ditadura.
Apesar de sua radicalização o movimento permanece isolado
e a ditadura responde com violenta repressão, provocando mortes,
prisões e um grande número de desaparecidos. As entidades
estudantis são fechadas, a UNE é colocada na ilegalidade,
professores são afastados de seus cargos, cientistas e pesquisadores
são exilados, implanta-se a censura e a vigilância no meio
acadêmico, e deste modo a ditadura militar submete a educação
superior ao poder das baionetas. Sobre esta base, o regime militar começará
uma vasta reforma da educação superior, conhecida como Reforma
Universitária, acordo da ditadura militar com o governo norte-americano,
através da Agência para o Desenvolvimento, USAID.
Com o acordo MEC-USAID, procura-se reestruturar a universidade em função
do técnico assalariado, semi-qualificado, requerido como mão-de-obra
da grande corporação capitalista e diminuindo ao máximo
os custos de sua formação. Impulsiona-se o desenvolvimento
das escolas privadas (esta empresa capitalista da educação
e seus mercadores de diplomas, ocupa hoje, 80% da rede escolar, ao passo
que, em 1964, representava apenas 25%), ao mesmo tempo elimina toda uma
parte das despesas orçamentárias do Estado criando uma espécie
de novo imposto sobre a população (as anuidades pagas pelos
alunos).
Esta reforma implicava também, na transformação do
ensino de 1° e 2°graus, visando adaptar o conjunto da estrutura
ao mercado de trabalho do grande capital e aliviar a pressão sobre
o ensino superior, que mesmo com a escalada privatista nunca foi capaz
de atender à demanda. Isto foi feito com a profissionalização
do ensino de 2°grau, visando desviar o jovem, com uma caricatura de
formação profissional, para o mercado de trabalho antes
do ingresso na universidade.
A ditadura adaptou, à sua maneira, a escola à vida e, vinculou
o trabalho intelectual ao trabalho manual. Utilizando-se de
métodos autoritários (criação de leis, portarias,
decretos, etc), promove uma desqualificação generalizada
e um baixo nível de ensino, em todos os níveis de educação,
em função de obter mão-de-obra barata e semi-especializada
para trabalhar nas grandes empresas que seriam a tônica do milagre
econômico.
A partir de 1974, em conexão com a crise econômica mundial,
o capitalismo brasileiro entra num processo de estagnação
e até mesmo de retrocesso. O país que até então
crescia 10% a 12% ao ano, teve a economia praticamente estagnada (retração
da produção, paralisação dos investimentos,
queda no crescimento, dívida externa etc). Esta crise provoca um
colapso na universidade implantada pela ditadura. A grande indústria
não absorvia mais em grande escala a mão-de-obra semi-qualificada,
e os técnicos formados no 2°grau e na universidade encontravam
enormes dificuldades no mercado de trabalho. Instala-se ai uma crise na
universidade implantada pelo imperialismo e a ditadura militar. O Estado,
cujos recursos são sugados de forma alucinada pelo grande capital
em situação de falência, não pode mais sustentar
a universidade, asfixia totalmente a escola pública superior, corta
verbas para a pesquisa e arrocha o salário de funcionários
e professores.
Durante o governo FHC acentuou-se a tendência no sentido da liquidação
da universidade pública que se manifesta no corte de vagas, no
sucateamento da universidade, na subordinação das universidades
aos mais diretos e mesquinhos interesses das empresas capitalistas, transformando-as
em uma prestadora de serviços privada, através da corrupção
dos docentes e das entidades estudantis.
3.
movimento estudantil: do ascenso ao refluxo
A
partir de 1974, o movimento estudantil começa a reagrupar-se molecularmente
, reivindicando o fim da ditadura militar e a vigência das liberdades
democráticas. Em 1977, os estudantes saem às ruas de todo
o país e iniciam um vasto movimento, reconstruindo suas entidades
de base e a UNE. Este movimento impulsionará o reagrupamento do
movimento operário, que iniciara seu ascenso em 1978 nas greves
do ABC paulista. O ascenso do movimento de massas acentua a crise irremediável
da ditadura e faz com que a burguesia e o imperialismo coloquem em marcha
um processo democratizante de substituição da ditadura para
conter as tendências revolucionárias envolvidas no ascenso
das massas: A Nova República.
Esse processo democratizante, cuja essência é uma operação
reacionária diante da crise do regime militar, é veiculado
no interior do movimento estudantil fundamentalmente pela UJS (PCdoB),
com apoio do PCB e do MR-8, agentes da burguesia no movimento de massas
que lutam para encarrilhar o movimento antiditatorial detrás do
partido burguês de oposição criado pela
ditadura, o MDB.
O fracasso das tentativas de criação de uma alternativa
independente (o PT e as tendências centristas que atuam no seu interior
se opõem, de uma maneira geral, à criação
de uma juventude ou tendência estudantil de massas do PT em nome
da autonomia dos movimentos, negam-se a lutar pelo governo
operário e camponês, defendendo o aprofundamento da
democracia, e pela aliança operário-estudantil), tanto
no ME como no movimento de massas de uma maneira geral, permitem a hegemonia
da política burguesa. A UJS levará a UNE nos seus 8 anos
de gestão à paralisia e a mais profunda e degradante integração
desta entidade ao Estado-burguês, transformando-a em um apêndice
do MEC.
A partir de 1984, o Movimento Estudantil entra num profundo refluxo, o
que leva à anulação das organizações
estudantis, que permitirá ao governo Sarney lançar a mais
profunda ofensiva jamais vista contra a educação neste país.
Este período foi também o da consolidação,
após um breve interregno, de dominação do PCdoB sobre
a UNE, ou seja, de refluxo do movimento estudantil como resultado da política
de colaboração com o regime político burguês
tal como este saiu da transição democrática. O ascenso
estudantil inicia-se em 1977 sob a ditadura militar, como expressão
da crise interna da frente burguesa que provoca um deslocamento à
esquerda da pequena burguesia. O ascenso liquida com todo regime ditatorial
para a organização estudantil, os Diretórios Acadêmicos
e Diretórios Centrais, Diretórios Estaduais são substituídos
por entidades livres em diversos lugares a começar pelo Estado
de S. Paulo, sob a pressão das grandes mobilizações
e coloca-se em pauta a reconstrução da UNE, o que se dá
em 1980 no Congresso de Salvador. A direção do movimento
fica dividida entre as antigas direções centristas que dominaram
a UNE até o Congresso de Ibiúna e a sua dissolução
(principalmente a Ação Popular) e o PCdoB (que, na década
de 70 havia incorporado em suas fileiras cerca de metade dos quadros estudantis
da AP, os quais haviam evoluído à direita). Ambos os setores
são alas do MDB, a oposição burguesa colaboracionista
com a ditadura militar. O PCdoB, no entanto, torna-se, tanto pela sua
política, como pelas suas ligações com a burguesia
dentro do MDB, bem como pela maior dureza do seu aparato (constituído
a partir da ala direita do stalinismo na década de 60 e testado
em vários episódios em sua política contra-revolucionária)
a representação efetiva da frente burguesa no interior do
movimento estudantil e, com a ajuda da burguesia, conquista, no Congresso
de Salvador a direção da UNE. A oposição centrista
(AP, MEP e a então inexpressiva Convergência Socialista)
vai ingressar no PT onde, por um curto período vai constituir a
sua direção até ser derrotada pela Articulação
dos 113, origem da atual burocracia petista.
A direção do PCdoB sobre a UNE expressa o domínio
da burguesia de oposição sobre o movimento estudantil, resultado
da capitulação e da colaboração do centrismo
frentepopulista e da incapacidade das tendências revolucionárias
de se estruturarem como uma alternativa política. A crise da OSI,
a partir de 1978, liquidada pela política ultraesquerdista da sua
direção e pelos métodos burocráticos que impedem
a superação dos seus erros políticos resulta em um
racha (que seria a origem do PCO) o qual enfrenta diversos tipos de dificuldades
para se desenvolver.
Nestas condições, o domínio da burguesia sobre a
UNE através do PCdoB transforma-se em uma política clara
de estrangulamento do ascenso estudantil. O PCdoB vai colocar o movimento
estudantil completamente a reboque das direções burguesas
para, finalmente, em 1985, ano em que o MDB chega ao governo com Tancredo-Sarney,
chamar como convidado de honra ao Congresso da UNE o ministro daquele
governo que era nada menos que um dos principais expoentes da ditadura
militar. A ascensão da oposição burguesa ao governo
marca a transformação da UNE em uma agência direta
do governo burguês, em um departamento do ministério da educação.
Esta evolução vai também provocar uma experiência
dos estudantes com a política burguesa do PCdoB, o qual vai entrar
em uma etapa de crise, acompanhando a crise do regime burguês.
1987 é o ano em que o ascenso operário se manifesta também
no movimento estudantil universitário com a derrota do PCdoB para
o bloco centrista de oposição na UNE, capitaneado pela esquerda
do PT.
4.
Por uma nova direção para o movimento estudantil: reconstruir
a UNE pela base
A
recuperação da UNE para as lutas estudantis não poderá
ser, como querem os centristas, apenas um processo de eleição
de uma nova direção em um congresso. Um centro para a mobilização
unitária nacional dos estudantes somente poderá ser criado
através de uma profunda mobilização de massas. Neste
sentido, a luta por mobilizar a massa estudantil nas universidades é
a única alavanca real para reconstruir a UNE como organização
de luta do movimento estudantil nacional. Também não se
trata de substituir uma equipe de dirigentes por outra, mas de erradicar
não apenas da UNE, mas também das UEEs e das entidades
de base (CAs, DAs, DCEs etc.) a burocracia como um todo,
liquidando todos os privilégios burocráticos e as fontes
de corrupção do movimento estudantil criado pela burguesia
como o famigerado esquema das carteirinhas.
Esta degeneração é o resultado da política
de colaboração de classes que se expressa nas frentes populares.
A luta por uma nova direção e pela reconstrução
da UNE é uma mesma luta que a pela independência do movimento
estudantil diante da burguesia. A UNE transformou-se em um aparelho onde
a eleição proporcional da diretoria esconde
o fato de que as bases não têm qualquer controle sobre a
diretoria, a qual é um aparelho dependente da burguesia e independente
da vontade das bases.
1)
Pelo fim de todos esquemas de sustentação das entidades
estudantis através do Estado ou dos capitalistas da educação:
fim do esquema das carteirinha, que os estudantes tenham acesso à
meia-entrada com a apresentação de qualquer identificação
estudantil; fim da taxa estudantil nas escolas pagas; fim
da exploração dos negócios capitalistas (xerox, lanchonetes,
aluguel de espaço etc.), propaganda de empresas capitalistas, participação
nos eventos oficiais, que representam um princípio de privatização
da universidade, pelos CAs e DCEs;
2)
Que as entidades estudantis sejam sustentadas apenas com a mobilização
política dos estudantes; fim de todo e qualquer salário
para dirigentes estudantis;
3)
Não à política de frente popular, por uma direção
independente e revolucionária para o movimento estudantil; pela
aliança dos estudantes com a classe operária contra a burguesia;
4)
As diretorias proporcionais são apenas uma camuflagem da independência
do aparelho das bases; pela soberania das assembléias gerais em
todas as entidades; pela convocação do Coneb, eleito proporcionalmente
pelas bases, da UNE de três em três meses, pela extinção
do Coneg; que todas as decisões da diretoria da UNE sejam referendadas
pelas bases através do Coneb; por um funcionamento semelhante nas
entidades de base; fim dos CCA´s antidemocráticos, por um
conselho proporcional de base.
5)
Por uma direção revolucionária e socialista para
as entidades estudantis; por entidades de luta, de massa e organizadas
pela base.
5.
a estratégia para uma universidade a serviço do proletariado:
autonomia universitária e governo triparte
Nos
governos da Nova República, o caráter ditatorial da universidade
da ditadura foi mantido. Nos governos Collor e FHC esta característica
acentuou-se inclusive de um ponto de vista formal.
A mesma estrutura burocrática e inclusive a mesma burocracia, que
foi implantada pela ditadura na universidade continua em vigor. Este é
o principal veículo da política de destruição
da universidade por parte dos governos federal e estaduais, que através
da cumplicidade da cúpula universitária (que assiste passivamente
ao corte de verbas) aciona o plano de desmantelamento da universidade
pública incentivando a rede privada do ensino.
Esta burocracia universitária que asfixia toda a liberdade acadêmica,
através de seus regimentos internos, coloca à margem de
decisão os principais interessados: professores, funcionários
e os estudantes. Basta observar a forma que se adotou para a eleição
de reitores, onde a única função das listas é
garantir o respaldo da comunidade acadêmica para finalmente o governador
escolher o reitor de sua preferência e a estrutura do poder continua
a mesma: os estudantes e funcionários não participam na
elaboração do orçamento, no destino das verbas, na
elaboração dos currículos, no rumo das pesquisas
etc. Continua nos postos de mando a mesma burocracia, constituída
dos professores mais graduados, de carreira, mais conservadores, que procuram
se apoiar na massa dos professores explorando em benefício próprio
as suas tendências ao conservadorismo e os seus preconceitos de
camada pequeno-burguesa.
A luta pela autonomia política da universidade visa a combater
a dominação da burguesia e do imperialismo sobre a universidade
e colocá-la a serviço dos interesses da classe operária
na sua luta pela revolução e pela transformação
socialista da sociedade. Esta luta tem como objetivo buscar a independência
política da universidade frente ao Estado e ao grande capital.
A forma que assume a autonomia universitária é o controle
político da universidade pelos três setores que a compõem:
professores, funcionários e a maioria estudantil. Isto permite
que a universidade decida sobre o seu destino em todas as áreas:
pedagógica, administrativa, pesquisa, orçamentária,
política, etc. de acordo com seus interesses, sem restrições
impostas pelo Estado.
Somente o governo tripartite: professores, funcionários e a maioria
estudantil é que poderá dar este caráter e imprimir
nova vida à universidade.
O autogoverno para ser exercido efetivamente deve contar com a participação
decisiva dos estudantes. Entre os elementos componentes da universidade,
os estudantes representam o elemento revolucionário porque expressam
o interesse geral da universidade como meio de reprodução
da cultura e da socialização. Os professores são,
neste sentido, o elemento mais conservador, porque privilegiado, da universidade
e os funcionários se dividem entre os elemento proletário
e o pequeno-burguês conservador. A idéia, veiculada pelos
partidos burgueses e pela frente popular de que os professores devem dominar
a universidade porque são participantes permanentes da vida acadêmica
e, portanto, os estudantes devem ter seu peso político reduzido
é não apenas conservadora, como abertamente contra-revolucionária
porque está dirigida contra a mobilização do setor
menos comprometido com o Estado e da esmagadora maioria da comunidade
universitária. As propostas de paridade, defendidas pela centro-esquerda
frentepopulista, são apenas uma forma atenuada da proposta da burguesia
e expressam a debilidade de um setor minoritário da burocracia
que busca o apoio dos estudantes na luta pelo controle da universidade.
A autonomia completa do Estado e do capital só virá quando
a universidade estiver sob a direção da classe operária.
A luta pela autonomia é a luta por colocar a universidade a serviço
dos trabalhadores, transformando-a num instrumento de luta pela revolução
proletária e o socialismo. O governo triparte é o meio político
para concretizar este objetivo.
1)
Pela total autonomia política e administrativa da universidade
frente ao Estado burguês; pela sustentação integral
da universidade pelo Estado;
2)
Pelo governo tripartite: professores, funcionários e estudantes;
fim dos governos unipessoais das reitorias; controle da administração
universitária por um conselho tripartite eleito proporcionalmente
ao peso de cada setor em assembléias por faculdade e responsável
diante da assembléia geral universitária; não à
paridade
3)
Soberania da assembléia geral da comunidade universitária;
novos estatutos para a universidade elaborados livremente pela comunidade
universitária;
Os
estatutos autoritários da universidade não permitem aos
professores e estudantes decidir a orientação que desejam
para seus cursos. Os professores não têm liberdade para elaborar
seus próprios currículos, nem de adotar uma linha política
diferente daquela estipulada pela cúpula. Defendemos concursos
públicos, controlados pela comunidade universitária, para
a admissão de professores, onde o critério de seleção
seja a capacidade do profissional e não sua conduta política.
A conquista da liberdade de cátedra significa liberdade para os
professores formularem suas aulas sem restrições de cunho
ideológico por parte da cúpula e do Estado burguês
e das imposições econômicas do grande capital.
Para que a universidade funcione como alavanca para o progresso científico
e cultural, é necessário haver liberdade para as correntes
progressistas, ou seja, revolucionárias, de pensamento. A reivindicação
de cátedras paralelas é a exigência de que os estudantes
tenham escolha, para as mesmas cadeiras, de linha de pensamento filosófico
e orientação política diferentes, abrindo campo para
a expressão das correntes de pensamento revolucionárias.
1)
Contratação de professores controlados pela comunidade acadêmica;
pela liberdade de ação e expressão na universidade;
pela liberdade de cátedras paralelas;
6.
em defesa da universidade: pelo fim do ensino pago, universidade pública
e gratuita para todos
As
escolas privadas dominam o ensino superior, os mercadores de diplomas
encontram neste governo o mais forte aliado na elitização
do ensino. As empresas de educação nunca ganharam tanto.
Com o aval do governo FHC as anuidades atingiram índices nunca
vistos. Os estudantes que foram obrigados a matricularem-se e freqüentar
cursos nestas atividades, por falta de vagas nas escolas públicas,
hoje são obrigados a deixar seus cursos pela metade e os que restam
pagam verdadeiras fortunas por um ensino cuja qualidade é a pior
possível. Exigimos o congelamento e a redução imediata
das mensalidades e a abertura da contabilidade das empresas universitárias
a toda comunidade, para que possamos calcular o custo real da educação.
Esta medida é o primeiro passo para estatização das
escolas pagas, e conquistarmos o ensino público e gratuito para
todos e a autonomia universitária.
1)
Fim da mercantilização do ensino; abertura da contabilidade
à Comunidade Universitária; congelamento e redução
das anuidades; estatização das escolas pagas; revogação
de toda lei que privilegia a escola paga; monopólio estatal da
educação; ensino público e gratuito para todos
O
regime burguês, através do pagamento da dívida externa
transferiu aos bancos internacionais, apenas nos últimos anos,
cerca de 110 bilhões de dólares. Os constantes acordos com
o FMI submetem o país à política internacional provocando
a falência do Estado e da economia nacional. Com isso, o governo
corta verbas para os setores essenciais como: saúde, educação,
habitação, etc. Ao mesmo tempo em que preserva o orçamento
militar, o sistema financeiro e a corrupção.
As verbas existentes são empregadas para encher os cofres dos bancos
estrangeiros, para sustentar a burocracia militar reacionária,
a alta burocracia estatal, a grande indústria e os bancos.
As poucas verbas disponíveis para a educação são
absorvidas em grande medida pelos tubarões das escolas privadas.
O governo desvia para estas escolas, dominadas pelas diversas igrejas,
o dinheiro arrecadado com os impostos pagos pelos trabalhadores, que utilizam-se
para difundir seus dogmas e suas idéias.
A liberdade do direito à religião, não pode estar
vinculada com o processo de aprendizagem. A educação para
servir como processo de desenvolvimento da humanidade não pode
estar associada ao culto, a crença ou a religião. Defendemos
a desvinculação total do ensino às várias
religiões.
O Estado deve financiar a universidade pública e esta deve ter
as verbas que precisar. Exigimos mais verbas para a educação,
a comunidade universitária (através do governo tripartite)
deve elaborar o orçamento necessário para a melhoria do
ensino, a abertura de novas vagas, a iniciativa à pesquisa, a melhoria
da moradia estudantil etc.
1)
fim do pagamento da dívida externa; redução imediata
dos orçamentos militares; monopólio estatal da educação;
ensino Público, Laico e Gratuito em todos os níveis; mais
verbas para a educação; mais verbas para a pesquisa; bolsas
de Estudo e Moradia Estudantil para os negros, para os estudantes operários;
2)
Suspensão imediata das verbas destinadas à rede privada
de ensino; Verbas públicas somente para as escolas públicas
Os
professores devem ter liberdade para decidir os rumos de seu trabalho,
para tanto necessitam de subsídios para pesquisa, bem como liberdade
para decidir o que pesquisar. Hoje, as raríssimas verbas liberadas
pelo governo para pesquisa, são condicionadas àquelas que
atendem os interesses do grande capital nacional, do imperialismo ou do
Estado burguês e ainda condicionadas ideologicamente. As pesquisas
de interesse social, que visam melhorar as condições de
vida da população e os projetos que põem em
risco os interesses do capital são completamente abandonados
e deixados de lado pelo governo, não recebendo os professores e
os alunos as verbas necessárias para o prosseguimento dos estudos
e a realização dos projetos.
O arrocho salarial que assola professores e funcionários é
um dos fatores fundamentais para a baixa qualidade de ensino.
O baixo salário recebido pelos professores não permite a
dedicação exclusiva à escola. Os professores são
obrigados a trabalhar em várias escolas nos diferentes turnos para
poder garantir um padrão de vida razoável. A redução
de carga horária, com tempo para pesquisa, os estudos, a atualização
e preparação das aulas é fundamental para a realização
de um bom trabalho. Juntamente com isso, exigimos reposição
imediata das perdas salariais dos funcionários e professores como
reajuste mensal automático de salários de acordo com os
índices dos sindicatos.
1)
Reposição salarial imediata de professores e funcionários;
reajuste mensal automático dos salários de acordo com os
índices calculados pelos sindicatos; redução da carga
horária de trabalho, mais tempo para pesquisa e atualização
nos estudos; liberdade para pesquisar
2)
controle da comunidade universitária sobre todas as bolsas e subsídios
para evitar privilégios e manipulação política
pela burocracia;
As
massas exploradas são barradas do acesso à educação
desde as escolas primárias. A existência do vestibular é
o final desse verdadeiro funil que é o sistema educacional brasileiro,
seu significado é a negação da incorporação
de amplas camadas populares à universidade, convertendo-a em um
privilégio da classe dominante e setores minoritários da
pequena burguesia. A universidade deve ser um direito de toda sociedade
e não um privilégio de poucos. Lutar pelo fim dos vestibulares
faz parte da luta por colocar a universidade a serviço das massas
exploradas e oprimidas, os operários e camponeses e a pequena burguesia.
O livre ingresso permite que o acesso à cultura e à educação
se estenda por toda a população, e em particular aos filhos
dos trabalhadores, a população negra e as mulheres, que
não têm acesso a diversas carreiras masculinas.
Assim, estaremos construindo a aliança com os operários
e os camponeses para a construção do socialismo, única
forma de garantir a verdadeira independência da universidade, e
colocá-la a serviço do progresso da humanidade.
1)
Livre ingresso na universidade; pelo fim do vestibular; pela Aliança
Operário-Camponês-Estudantil; pela universidade a serviço
do progresso da humanidade
Programa
da AJR
Parte
II
V.
A juventude, a escola secundária e o movimento secundarista
1.Em
defesa do ensino público e gratuito
O
ensino de 2°grau no Brasil está inserido em um contexto de
atraso nacional e de crise estrutural do sistema capitalista, o qual encontra-se
estagnado em investimentos produtivos reduzido do patamar histórico
de 26% nos anos 70 aos atuais 15% do PIB, enquanto aumenta-se os investimentos
nos setores especulativos, no pagamento da dívida interna e externa.
As escolas secundárias vêm sofrendo, em conseqüência,
um ataque sem precedentes por parte do Estado e dos proprietários
privados: corte de verbas e desvio de recursos públicos ao ensino
privado, arrocho salarial aos professores e funcionários, fechamento
de escolas, municipalização, aumento astronômico das
mensalidades. Incapaz de conter a brutal queda da qualidade de ensino,
o regime político implementa a aprovação artificial
dos estudantes para cortar gastos. As escolas públicas transformaram-se
em verdadeiros campos de concentração para garantir a expropriação
dos estudantes e de toda a população. A reação
política nas escolas foi até o extremo, com a iniciativa
da própria esquerda (Partido dos Trabalhadores) de introduzir o
ensino religioso nas escolas. Os grêmios estudantis conquistados
nas lutas dos anos 70 e 80 foram estatizados pela política da direção
pequeno-burguesa da UBES e das demais entidades estudantis. Esta política
foi consolidada com os esquema das carteirinhas no governo FHC, que retira
centenas de milhões de reais por ano dos próprios estudantes
para corromper as direções estudantis em escala nacional.
As escolas técnicas estão diante do crescente desemprego
e estagnação da indústria e da economia em geral,
sendo liquidadas em grande escala pelo governo. É que a ampliação
da educação a novos horizontes choca-se com a ausência
de uma base social capaz de sustentá-la: a burguesia industrial
demonstrou-se incapaz de desenvolver o país e, portanto, de criar
uma escola adequada a este desenvolvimento.
As modalidades alternativas, foram concebidas como estudos terminais,
dando uma formação parcial e de rápida obsolescência,
não capacitado a seus ingressados nem ingressar no mercado de trabalho
nem para o nível universitário.
O contraste social se irradia ao conjunto do sistema educacional e tem
sua maior expressão na determinação da educação
estatal e no avanço da privatização, que hoje abarca
grande parte dos matriculados.
A maioria dos jovens em idade escolar está fora das escolas por
enfrentar uma série de problemas econômicos e sociais, muitos
provindos de famílias humildes que não têm possibilidade
de financiar o estudo dos filhos, os quais procuram emprego logo cedo.
O número de vagas e a quantidade de escolas encontra-se em total
desproporcionalidade à demanda e ao crescimento demográfico,
em que uma série de escolas adotam um processo de provas (vestibulinhos)
para selecionar os pretendentes, barrando assim o acesso dos jovens com
menos condições de preparar-se, proporcionando as melhores
vagas nas melhores escolas aos filhos de famílias mais abastadas.
A escassa qualidade promove a deserção escolar, a qual converte-se
em outra seletividade obscura, em que o estudante no decorrer do curso
não tem perspectiva e incentivo no aprimoramento e utilização
do aprendizado no seu cotidiano.
As precárias instalações, falta de laboratórios,
bibliotecas, materiais de som
aliadas às intensas jornadas que os professores enfrentam devido
aos baixos salários e condições de trabalho, sem
poderem se atualizar, determinam uma baixíssima qualidade de ensino,
presidida pela rotina e superficialidade (sem falar no caráter
reacionário dos currículos), tornando o estudo acientífico
e entediante. As precárias condições de vida das
massas exploradas acrescentam-se à dificuldade para tornar insuportáveis
os custos do ensino para o jovem proletário: transporte, alimentação
etc.
Junta-se a isto a diminuição constante das vagas na universidade
pública, os vestibulares discriminatórios, que empurram
os jovens de menor poder aquisitivo para não fazer a universidade
ou para a universidade paga caríssima, máquina de lucros
de péssima qualidade.
Um programa elementar dirigido a reverter a atual situação
das escolas secundárias deve partir de um conjunto de medidas fundamentais
que se desprendem do seu atual caráter de instituição
dominada pelos interesses do grande capital nacional e internacional e
seus governos.
2.
Nossas perspectivas
A
nossa tarefa é, primordialmente, reestruturar as entidades, derrubar
as direções políticas corrompidas pelo regime burguês
e construir uma nova direção para o movimento secundarista.
Para isso, torna-se de fundamental importância, apresentar um programa
de luta, denunciar o esquema da carteirinha e organizar uma corrente revolucionária
da juventude secundarista a partir das escolas, em particular nos bairros
proletários de cada cidade.
3.
Programa de luta
A
transformação educativa ao serviço do desenvolvimento
das forças produtivas do país e a formação
cultural plena da população são incompatíveis
com a dominação da burguesia nacional e do imperialismo.
Uma classe que não consegue elevar-se por cima da sua condição
de sócio menor do grande capital imperialista, não pode
sequer encarar o problema.
Nesse sentido defendemos:
1)
Ensino público, gratuito, em todos os níveis e de qualidade
para todos; mais verbas para a educação pública;
suspensão da verba pública às escolas privadas;
congelamento das mensalidades; fim do ensino pago; expropriação
das escolas privadas; monopólio estatal da educação;
2) Contra a Frente Popular, por uma nova direção ao MS;
pela aliança do movimento secundarista com a classe operária
e os trabalhadores rurais; reconstrução das entidades secundaristas;
fim do monopólio das carteirinhas, total autonomia financeira das
entidades; por uma nova direção de luta, revolucionária,
para o movimento secundarista; colocar a UBES sob o controle de um conselho
de entidades de base, que se reúna periodicamente; independência
das entidades diante do Estado e da direção das escolas;
3)
Controle das escolas por conselhos formados pelos estudantes, funcionários
públicos e professores eleitos democraticamente em assembléia;
abaixo a repressão, pela liberdade de organização
e expressão dentro das escolas;
4)
Pelo Passe livre; redução da jornada do estudante que trabalha
para 20 horas por semana sem redução dos salários;
bolsas para os estudantes negros; serviço militar realizado na
região de moradia do estudante, em tempo complementar ao da escola
e remunerado;
5)
Fim do ensino religioso; fim da aprovação automática;
assistência especial ao estudante que não consiga acompanhar
o curso; salário para os professores condizente com a necessidade
de qualidade do ensino; ensino científico, laico, a serviço
das lutas da classe operária e do progresso da humanidade;
6)Reconstruir
a UBES pela base;
7)Fim
de toda e qualquer taxa nas escolas e universidades;
8)Oferecimento
de toda a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento das
atividades escolares (computadores, bibliotecas, laboratórios etc).
9)Fim
das listas de presença
10)Liberdade
de entrar e sair da escola em qualquer horário
11)Fim
de qualquer tipo de controle sobre o aluno através de câmeras,
bedéis, carteirinhas etc.
12)Fim
de qualquer tipo de guarda na escola
13)Fim
de qualquer perseguição e punição aos alunos
14)Contra
a municipalização do ensino
VI. A juventude e a mulher
1.Salário
e emprego
A
partir da década de 70, o chamado período do milagre
econômico, a participação feminina no mercado
de trabalho avançou a olhos vistos. Segundo pesquisa do DIEESE/Seade,
essa presença cresceu 8,9% entre os anos de 89 e 96. Em 1995, mais
da metade das famílias brasileiras já contava com, pelo
menos, uma mulher trabalhando, o que significou um aumento de 10% em relação
a 1980.
No entanto, o que constitui um avanço relativo, na medida em que
retira a mulher do embrutecimento do trabalho doméstico, esconde
um mar de contradições e uma situação amplamente
desfavorável à mulher. A qualidade dos serviços é
baixa e a renda é inferior à masculina. De acordo com o
Mapa do Mercado de Trabalho do IBGE, em 1993, 23 milhões de mulheres
trabalhavam no Brasil. Em média, elas recebiam 43% menos do que
os homens. E, em tempos de acirramento da recessão econômica,
que joga o desemprego às alturas, é sobre os ombros femininos
que recaem os maiores índices de desocupação. Em
outubro/98, por exemplo, o índice total de desemprego calculado
pelo DIEESE/Seade era de 18,1%; entre as mulheres batia nos 21,7%, enquanto
entre os homens ficava em 15,3%. A mulher tem menos chances de participação
no mercado de trabalho em relação ao homem. A discriminação
se dá de diferentes formas: no momento da contratação,
as exigências colocadas pela empresa a discriminam e, na hora do
facão, com o aumento da crise, elas tendem a sofrer mais,
(Marise Pimenta Hoffmann, do DIEESE/Seade, Jornal Mulheres, fevereiro/99).
Somando sua luta à do conjunto da classe trabalhadora, que precisa
exigir do governo FHC e dos patrões salário e emprego para
todos, as mulheres devem sair às ruas por um rol de reivindicações,
que inclua:
1)
Fim do desemprego. Redução da jornada de trabalho para 36
horas sem redução salarial! Escala móvel de horas
de trabalho (redução do número de horas trabalhadas
diante da redução da produção para permitir
que todos trabalhem, sem cortes nos vencimentos dos trabalhadores);
2)
Reposição de todas as perdas do Plano Real! Salário
mínimo vital de R$ 1.500,00 (não à farsa do mínimo
de 100 dólares); escala móvel de salários apoiada
em índices elaborados por organizações operárias
independentes e classistas;
3)
Fim da discriminação salarial contra as mulheres: funções
iguais, salários iguais; proibição de realização
de horas extras.
2.
Pela descriminação do aborto. Atendimento das
mulheres pela rede pública
Embora
seja um problema de saúde pública melhor seria qualificar
como tragédia a questão do aborto sempre vem à
tona revestida de um profundo obscurantismo e de muita demagogia. As estatísticas
colocam o Brasil na vanguarda do ranking mundial em número de mortes
maternas decorrentes de abortos feitos sem as mínimas condições
técnicas e de higiene. De acordo com o Instituto Alan Gutmacher,
uma ONG especializada em reprodução humana, em 1991 foram
realizados 1,443 milhão de abortos clandestinos no país,
dos quais 392 mil terminaram em internação e um número
grande, não estimado, em morte.
Embora atinja, de modo geral, o conjunto das mulheres, o aborto torna-se
mais dramático na parcela pobre da população. Segundo
a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 115 mil
e 204 mil mulheres morrem anualmente em países pobres, devido a
abortos mal feitos.
Nos países onde é permitido por lei, as mulheres têm
275 vezes mais chances de sobreviver do que nas nações onde
a prática é proibida. Ainda de acordo com o Instituto Alan
Guttmacher, anualmente 26 milhões de mulheres praticam o aborto
em países onde a legislação é permissiva;
destas, 312 morrem em decorrência de complicações.
Já nos países onde é ilegal, 20 milhões fazem
o aborto todos os anos e o número de mortes bate na casa dos 66
mil.
O Brasil está entre os 25% dos países onde a legislação
é mais restritiva em relação ao aborto. De acordo
com o previsto pelo Código Penal de 1940, em seu artigo 128, a
interrupção da gravidez é permitida em casos de violência
sexual ou quando gera riscos para a mãe. O fato destas parciais
conquistas estarem previstas pela legislação há 60
anos não é garantia de que as mulheres possam desfrutá-las.
Com raríssimas exceções, a rede pública de
saúde não atende sequer os casos de vítimas de estupro
e risco de vida para a mãe. Para tentar regulamentar esse direito,
tramita no Congresso Nacional, desde 1991, o Projeto-de-lei 20 o qual,
apesar de simplesmente propor o cumprimento do previsto no Código
Penal, não é aprovado por pressão da direita reacionária
e da indústria clandestina do aborto no Brasil.
É necessário que as organizações representativas
das lutas das mulheres, bem como o conjunto do movimento operário
e popular, encampem a batalha pela regulamentação do chamado
aborto legal e, também, por sua completa descriminação.
1)
Atendimento dos casos de aborto legal pela rede pública
de saúde; descriminação do aborto no
país; pelo direito de opção da mulher sobre a conveniência
ou não da gestação;
2)
Assistência econômica e social do Estado para as mulheres
obrigadas a dar continuidade à gestação indesejada;
punição dos açougueiros proprietários de clínicas
clandestinas!
3.
Pelo amplo direito de divórcio
Fruto
das retrógradas pressões da Igreja e do reacionarismo da
burguesia, a lei que implantou o divórcio no Brasil, há
22 anos, veio recheada de limitações. No início,
era preciso comprovar uma separação judicial de, pelo menos,
três anos. Durante a Constituição de 1988, o prazo
foi reduzido para um ano de separação judicial ou dois anos
de fato. Isso sem falar no enorme custo financeiro que o divórcio
traz para o casal que se separa.
Muito tempo atrás, no início do século 20, a Revolução
Russa levava às mulheres conquistas gigantescas, como o direito
amplo e irrestrito ao divórcio e a descriminalização
do aborto (posteriormente revogados pelo stalinismo). Às portas
do século 21, é inadmissível que, no Brasil, leis
retrógradas como a do divórcio permaneçam vigentes,
forçando os casais, particularmente as mulheres, a manterem uma
convivência contra o desejo dos cônjuges, numa intromissão
totalmente arbitrária na vida particular dos cidadãos.
Quando se fala da classe operária o problema é ainda maior,
na medida em que, na maioria dos casos, é praticamente impossível
em termos financeiros e culturais uma trabalhadora superar todos os obstáculos
existentes para conseguir se divorciar, recomeçando a vida.
1)
Por uma legislação que garanta acesso amplo e irrestrito
ao divórcio, sem custos para homens e mulheres; instituição
do divórcio pela simples requisição de um dos cônjuges;
direito civis integrais para os jovens a partir dos 16 anos.
4.
Fim da discriminação racial. Direitos iguais para as mulheres
negras
Embora
as diferenças entre a situação feminina e a masculina
no mercado de trabalho sejam gritantes, o quadro consegue ser pior para
um segmento entre as mulheres: as negras. Os dados sobre este segmento
ainda são escassos, mas é evidente que as mulheres negras
têm que se sujeitar às atividades mais subalternas no mercado
de trabalho. Nas funções em que se exigem alguns atributos
físicos, como no comércio, a presença de brancas
chega a ser cinco vezes maior do que a de negras, como revela pesquisa
da Casa da Cultura da Mulher Negra, de Santos. Nos cargos de chefia, a
presença de trabalhadoras negras é quase uma miragem.
Em relação aos salários, a situação
não é diferente, como pode ser avaliado nas pesquisas. Segundo
o IBGE, em 1990, os homens brancos recebiam uma média salarial
de 6,3 salários mínimos, enquanto os negros tinham que se
contentar com apenas 2,9. Entre as mulheres, a pesquisa apontava uma renda
média mensal de 3,6 mínimos, contra apenas 1,7 das negras.
É inegável que as condições de vida da população
negra e, dentro dela, a das mulheres negras são bastante
rebaixadas no país. Somando-se à luta do conjunto das mulheres,
às negras cabem algumas reivindicações específicas:
1)
Igualdade de oportunidades no mercado de trabalho; fim dos critérios
racistas para a contratação de pessoal; fim de todo o tipo
de discriminação racial; salários iguais para funções
iguais!
5.
Não aos ataques do governo FHC. Manutenção e ampliação
das conquistas trabalhistas
Aos
pés do FMI e dos grandes banqueiros e especuladores mundiais, o
governo FHC fez do ataque aos direitos da classe trabalhadora (regulamentados
por lei depois de muitas e históricas lutas) uma de suas tarefas
centrais. Assim, desde o seu primeiro mandato, uma série de retrocessos
vêm acontecendo, seja através de medidas provisórias
ou por votação no próprio Congresso Nacional. Foi
assim com a instituição do contrato temporário de
trabalho, que permite a contratação de um trabalhador sem
a obrigatoriedade de se pagar integralmente seus direitos (FGTS; décimo-terceiro;
férias; indenização de 40% sobre o Fundo em caso
de demissão, licença-maternidade etc). Não satisfeito,
FHC prepara as bases para novos ataques, visando a pura e simples extinção
do FGTS, da licença-maternidade, entre outros.
No bojo das lutas dos trabalhadores contra o governo e suas investidas,
as mulheres devem inserir suas reivindicações:
1)
Manutenção e ampliação da licença-gestante
para seis meses; implantação de creches públicas
em todo o país, com acesso a todas as mulheres que delas necessitarem
e locais apropriados para a amamentação. Criação
de creches nas empresas para as mães trabalhadoras;
2)
Durante o período de amamentação, toda trabalhadora
deve dispor de, pelo menos, meia hora a cada três para amamentar;
redução da jornada para seis horas durante o período
de amamentação;
6.
Por uma legislação especial de defesa das mulheres
Apesar
do reconhecimento oficial de que a mulher é vítima de discriminação
na sociedade, não existe uma política de defesa específica
da população feminina. Neste terreno os negros estão
à frente das mulheres, uma vez que em função da pressão
exercida pela comunidade afro-brasileira, o Estado, ainda que de forma
totalmente demagógica, procura dar a impressão de que há
mecanismos de defesa do negro contra o preconceito. No caso da mulher
sequer existe esta preocupação, apesar da situação
crítica vivida pelas mulheres, particularmente a mulher trabalhadora.
São altíssimos os índices de agressão doméstica,
estupros dentro e fora de casa, coação sexual nos locais
de trabalho, assassinatos de mulheres por maridos ou familiares, atentado
ao pudor etc. Mesmo debaixo de uma pesada carga de agressões sofridas
todos os dias nos mais diversos aspectos da vida cotidiana, o Estado não
fornece nenhum tipo de legislação especial para o tratamento
das agressões e preconceitos sofridos pelas mulheres. Este fato
indiscutivelmente é uma das fontes do crescimento da violência,
uma vez que socialmente há uma tolerância em relação
às arbitrariedades cometidas contra a mulheres. É a famosa
vista grossa: não pode, mas se acontecer não é o
fim do mundo.
É necessário o estabelecimento de um conjunto de preceitos
legais que garantam a defesa da mulher no aparelho judiciário,
dominado por homens e pelo preconceito contra a população
feminina, situação responsável pela absolvição
da maioria dos criminosos acusados de estupro e agressão. Nestes
processos é muito comum que a mulher agredida torne-se vítima
tendo que provar a moralidade da sua vida pregressa. É a pérfida
idéia de que o crime aconteceu porque a mulher provocou, argumento
forte quando trata-se de uma discussão entre dois homens. Nesse
sentido lutamos pelas seguintes mudanças na legislação
sobre o assunto:
1)
Que toda a investigação, denúncia e julgamento envolvendo
crimes contra mulheres sejam realizados por profissionais do sexo feminino;
a fixação de critérios especiais para os crimes já
previstos em lei, quando as vítimas forem mulheres, por exemplo
a decretação automática da prisão preventiva
nos casos de agressão doméstica;
2)
O reconhecimento do crime de assédio sexual, ou seja, a proibição
de que homens que detenham cargos de direção utilizem a
sua posição para forçar subordinadas a prestarem
favores sexuais. Atualmente as mulheres são 40% da população
economicamente ativa do Brasil, no entanto, são exceções
as mulheres que detêm cargos de direção. Na imensa
maioria dos casos, particularmente nas fábricas e nos altos cargos
do funcionalismo público, as mulheres estão submetidas a
todo tipo de tratamento degradante e da coação sexual pelos
chefes e encarregados.
7.
Contra a exploração sexual da mulher
As
últimas décadas foram marcadas pela ideologia a favor da
exploração sexual da mulher, é o intocável
direito da burguesia de explorar todas as esferas da atividade humana,
debaixo do capitalismo. A democracia, nesse sentido, foi uma das principais
armas utilizadas para legitimar um dos maiores ataques à mulher
já vistos e um rebaixamento sem precedentes da expectativa da sociedade
e, das mulheres em particular, a um desenvolvimento humano e sentimental.
A ideologia da democracia é de que tudo é permitido, desde
que com o devido pagamento. A nudez feminina pode ser explorada em todas
as bancas de jornais, sem que seja caracterizado o crime de atentado ao
pudor, desde que seja uma operação comercial reconhecida
pelo mercado através da Playboy e similares.
A exploração sexual da mulher pelo mercado capitalista bem
como a prostituição de luxo são permitidas, inclusive
com eufemismos e novas designações deixando a condenação
moral e a legislação repressiva para as concorrentes do
baixo meretrício.
A prostituição transformou-se numa verdadeira indústria
nacional, com patrocínio de membros do poder judiciário
e legislativo, tendo nos turistas estrangeiros um dos usuários
preferenciais. Na orla das praias nordestinas a prostituição
infantil é uma das grandes novidades para turistas, a ameaça
da AIDS estimula a prostituição o mais cedo possível,
a virgindade das meninas é uma das garantias contra a contaminação.
É preciso levantar um programa de denúncia da exploração
sexual da mulher, seja do tipo vip, para consumo de massa, através
dos meios de comunicação e da alta roda burguesa, seja a
do mercado varejista da periferia das grandes cidades.
Ao mesmo tempo em que é permitida a desenfreada exploração
comercial da mulher no terreno sexual, a liberdade sexual das mulheres
torna-se objeto de ataques cada vez mais encarniçados, particularmente
nas famílias operárias e de baixa renda das grandes cidades:
não há o direito de aborto, não há na rede
de saúde pública nenhum tipo de atendimento dos problemas
sexuais da mulher, o direito à maternidade é cerceado de
todas as maneiras, não há nas escolas, em processo de total
destruição, qualquer tipo de educação ou orientação
sexual, proliferam as adolescentes de 12 ou 13 anos que engravidam precocemente
sem qualquer orientação ou auxílio etc.
8.
Não à privatização da saúde; proteção
à maternidade
Cresce
no Brasil as denúncias sobre o número absurdo de mulheres
que morrem em conseqüências de complicações no
parto ou até um ano após o nascimento da criança.
Estes óbitos denominados mortes maternas são um indicador
de fundamental importância para determinar o nível econômico
e social de um povo, assim como a situação da saúde
e do nível dos profissionais da área. Isto porque o grau
de desenvolvimento da medicina praticamente excluiu, em termos técnicos,
a morte em conseqüência da gestação e, posteriormente,
do parto.
O Brasil apresenta o índice de 150 mortes para cada 100 mil nascidos
vivos, quando os níveis permitidos pela Organização
Mundial de saúde variam entre 10 mortes para cada 100 mil nascidos
vivos(considerado normal) e no máximo até 20 mortes para
os mesmos 100 mil. O índice brasileiro compara-se à países
africanos e asiáticos que nem de longe têm o desenvolvimento
industrial e econômico do Brasil, mostrando como o sistema de saúde
nacional foi sucateado, apesar de toda a propaganda a favor das privatizações,
do SUS, PAS etc, atacando diretamente a mulher, na medida em que ela é
uma das principais vítimas da falta de assistência médica,
juntamente com as crianças e os idosos.
Outro enorme prejuízo para as mulheres com a privatização
da saúde foi o desenvolvimento da indústria da cesariana.
Os partos através desta operação transformaram-se
em uma lucrativa empresa, atingindo em média 30% das mulheres que
dão a luz através do Sistema Único de Saúde
e quase 60% nos hospitais particulares, apesar da Organização
Mundial de Saúde considerar como taxa máxima de cirurgias
aceitáveis 15%. A gravidade de tal procedimento pode ser visto
através dos óbitos relacionados à cesariana. Nos
chamados procedimentos do parto, 50,9% das mortes maternas são
de pessoas que realizaram a operação cesariana, enquanto
nos partos normais o índice cai para 18%.
Os dados acima comprovam a idéia de que no capitalismo a única
coisa sagrada é o lucro dos capitalistas, seja através da
exploração da saúde da população ou
de qualquer outra atividade da sociedade.
1)
Pela estatização do sistema de saúde, com atendimento
gratuito a toda a população; não à indústria
da cesariana; pela formação de uma comissão com membros
de vários segmentos da sociedade não vinculados à
carreira médica para analisar o enorme índice de cesarianas
nos hospitais públicos e privados;
2)
pela total gratuidade de todos os serviços e produtos que se relacionem
com a maternidade.
Por
um governo dos trabalhadores da cidade e do campo
As
mulheres, da mesma forma que a classe operária, estão fora
dos verdadeiros centros de poder do regime político, constituindo
uma das camadas mais oprimidas da população. A representação
operária, bem como a feminina, é uma ínfima minoria
no parlamento, reafirmando o caráter de classe do atual regime
burguês, que significa, concretamente no Brasil, um regime político
dominado por homens, brancos, membros da burguesia em primeiro lugar e
secundariamente da pequena burguesia, funcionários da primeira.
No Congresso Nacional dos mais de 500 deputados, existem menos de 30 mulheres,
no Senado dos cerca de 80 senadores, menos de 10 são mulheres.
Este índice insignificante de mulheres vai diminuir ainda mais
no Poder Judiciário e nos altos cargos do Poder Executivo, refletindo
como um espelho a situação de opressão e submetimento
das mulheres.
As medidas demagógicas lançadas pela burguesia e pelos partidos
pequeno-burgueses, tais como a de estabelecer cotas de candidaturas dos
partidos para mulheres em nada resolveram: a atuação política
das mulheres continua a ser obstaculizada e o lançamento de candidaturas
(que não é cumprido) não significa eleição
em um pleito dominado econômica e politicamente pela burguesia.
Em oposição à ilusão da emancipação
gradual da mulher, disseminada pelos partidos burgueses e pequeno-burgueses,
inclusive da esquerda, é necessário deixar claro que o único
caminho para a emancipação da mulher é a luta política
e a sua organização independente da burguesia e do Estado
burguês. O futuro da luta das mulheres está em unificar a
sua mobilização à da classe operária, pois
ambos, tanto a mulher como os operários são vítimas
da opressão capitalista e a eles o futuro está bloqueado
no regime burguês. O atual governo é a administração
da burguesia contra as mulheres, os trabalhadores, os negros e a juventude,
ou seja, contra os setores oprimidos da sociedade.
Em diferentes graus e de diferentes maneiras, as mulheres em seu conjunto
são oprimidas através do Estado burguês. No entanto,
nem todas as mulheres têm interesse em levar a luta pela emancipação
feminina até as conseqüências necessárias. Para
as mulheres burguesas e parte da pequena-burguesia o limite da luta feminina
está dado pela necessidade de preservação da propriedade
privada e do Estado capitalista. Todo o futuro da luta pela emancipação
da mulher repousa inteiramente sobre a grande massa de mulheres trabalhadoras.
É necessário construir uma representação própria
dos interesses dos oprimidos, um partido operário revolucionário,
que seja capaz de organizar a luta pela derrubada do poder político
da burguesia, tarefa essencial à emancipação das
mulheres e que somente pode ser realizada pela classe operária
com o apoio de todos os explorados e oprimidos da sociedade capitalista.
Um programa de reivindicações femininas somente pode ter
como perspectiva estratégica a luta por um governo dos trabalhadores
da cidade e do campo e pelo socialismo. A única vez na história
em que todas as reivindicações democráticas e sociais
das mulheres foram atendidas foi através da ditadura do proletariado
que, em sua forma mais genuína, estabeleceu-se por um curto período
de tempo na URSS de Lênin e Trotski. Também hoje, as reivindicações
das mulheres não serão atendidas por outro governo que não
seja o dos operários e camponeses.
VII.
A juventude e o negro
1)fim
de vestibular
2)fim do jubilamento
3)dissolução da PM, revisão de processos contra negros,
comissão especial entidades negras; não redução
da maioridade penal;
4)liberdade de cátedra: história da África, do negro
no brasil, literatura negra, cultura negra, línguas africanas;
estudos negros nas escolas secundárias; professores negros;
5)anemia falciforme, leucopenia
6)ajuda especial para estudantes negro
7)proteção e divulgação da cultura negra (não
cooptação, bairros populares)
8)isonomia salarial;
9)não ao ensino religioso, para todos os cultos (candomblé
etc.), ensino laico
10)carnaval: não à privatização; controle
das entidades populares e negras
11)quilombos
12)Extinção das Febens
13)Pelo direito de autodefesa dos negros
VIII. Outras questões relativas à juventude
1)
emancipação legal dos jovens aos 16 anos, com todos os direitos
correspondentes, menos penal: tratamento diferenciado etc.
2)
serviço militar de um ano, no local de residência, substituição
do exército permanente por um sistema de milícias populares.
3)Direito
de voto para os soldados do exército. Serviço militar para
a mulher.
4)Direito
de sindicalização para os militares do exército
5)Liberdade
de campanhas políticas dentro do exército
6)
Descriminação das drogas,
7)
Livre acesso à cultura: centros culturais e esportivos nos bairros
sob controle da juventude;
IX.
A juventude e a IV Internacional
A
Aliança da Juventude Revolucionária compreende que a luta
pelo governo operário e pelo socialismo somente poderá ser
vitoriosa com a derrota do capitalismo nos países mais avançados
e por isso repudia qualquer fantasia reacionária de construir um
socialismo nacional.
A luta revolucionária, hoje mais do que nunca, exige responder
ao chamado revolucionário do Manifesto Comunista de Karl Marx e
Friedrich Engels: Proletários de todos os países,
uni-vos! A AJR defende neste sentido a revolução mundial
como sendo a única via para o socialismo.
Neste momento, o capitalismo entra uma nova etapa da sua crise histórica
e as lutas das massas se intensificam em todo o mundo. A revolução
proletária levanta a cabeça contra os regimes burgueses
e o imperialismo nos quatro cantos do globo em um movimento impressionante
pela sua amplitude e profundidade nunca antes visto.
Na sua luta as massas esbarram na política das direções
oportunistas e das frentes populares que se formam para procurar conter
a onda revolucionária. Para o sucesso da luta contra os capitalistas
e seus agentes, as massas precisam de uma direção revolucionária
mundial para as suas lutas. Esta direção não pode
ser outra que a IV Internacional, continuadora da tradição
histórica da luta revolucionária das massas operárias
do mundo que vai desde o Manifesto Comunista de Marx e Engels, passando
pela II Internacional em sua época revolucionária, até
a III Internacional e a Revolução, de Lênin e Trotski,
da qual a bandeira da IV Internacional é a continuação
viva.
Esta é uma tarefa de hoje, não do amanhã. Por isso,
a AJR soma-se ao chamado do Partido da Causa Operária e de outras
organizações trotskistas revolucionárias da América
Latina e do mundo no chamado de refundar imediatamente a IV Internacional!
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