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O
capitalismo atravessa uma crise histórica. Após o interregno
dos anos 50 e 60, a crise reabriu-se na década de 70 e levou as
contradições mundiais, confinadas no marco do status quo
estabelecido pela derrota da Revolução Mundial no período
pós guerra, a extrapolar todas as tentativas de confinamento: derrota
do imperialismo no Vietnã, crise econômica sem precedentes
das economias capitalistas centrais, crise do nacionalismo burguês
e pequeno-burguês, crise da burocracia stalinista e das burocracias
contra-revolucionárias dos Estados operários, que haviam
se apoiado no acordo estabelecido na guerra-fria, crise das
ditaduras etc.
Em nenhuma outra época da história, como na época
de decadência do capitalismo, a era do imperialismo, a sociedade
humana apresentou contrastes tão violentos, contradições
tão insuportáveis, quanto hoje. A par com uma pavorosa decadência
cultural e científica, determinados campos de ciência e da
técnica vêem os conhecimentos e o poder do homem expandir-se,
às vezes por saltos prodigiosos. O capitalismo mostra-se completamente
incapaz de um crescimento harmônico e de conjunto em todos os seus
ramos. As forças produtivas não conseguem crescer em seu
conjunto provocando as mais violentas comoções.
Na maior parte da humanidade, nos países atrasados e, também,
nos crescentes bolsões de pobreza dos países industrializados,
a população não tem acesso durante toda a sua vida
aos progressos do capitalismo e, mesmo quando tem, este se volta contra
ela, está condenada a uma vida de miséria e degradação
sem perspectivas de solução. Epidemias de fome ainda sacodem
o Terceiro Mundo: no Brasil e na América Latina doenças
controladas há décadas ameaçam provocar catástrofes
sociais. Nos países capitalistas adiantados, no entanto, os governos
não sabem o que fazer com a superprodução de alimentos
que ameaça fazer despencar os preços, e subsidiam o retrocesso
das forças produtivas.
Os meios de automação hoje existentes aumentam a produtividade,
abrindo a perspectiva de uma completa automação de todo
o trabalho exaustivo, cansativo e embrutecedor, deixando ao ser humano
a possibilidade de utilizar o seu tempo para uma vida de plenitude, criatividade
e liberdade.
Esta perspectiva é impedida pelas relações sociais
capitalistas de produção. O capital financeiro somente pode
aceitar esta introdução de novos e mais poderosos meios
de produção subordinados aos lucros da sua atividade parasitária.
Sob o domínio do capital financeiro, etapa senil e última
do capitalismo, todos os progressos científicos e técnicos
se transformam em seu contrário. Os novos recursos energéticos,
e a utilização intensiva dos antigos, não trazem
consigo uma melhoria no bem-estar da sociedade, mas produzem catástrofes
ecológicas (petroleiras ou de energia atômica). A quase totalidade
da pesquisa científica, especialmente nos países avançados,
está vinculada à produção de armamentos.
O capitalismo mostrou no século XX, com duas guerras mundiais,
centenas de milhões de mortos, com o genocídio em grande
escala e com a violência sem freio contra as populações
coloniais e os explorados em todo o mundo que, do ventre da civilização
surge contraditoriamente a barbárie ameaçando arrastar todas
as conquistas da cultura humana para a destruição e criando
já uma situação de permanente irracionalidade e angústia
em todo o mundo que acompanha a existência miserável da maioria
da humanidade como uma sombra.
Em todo o mundo a juventude, em particular a juventude operária,
é o setor que arca com a maior parcela do ônus que o capitalismo
coloca sobre a humanidade em todos os sentidos. É a mão-de-obra
barata das empresas capitalistas, é a parcela da população
mais destituída de usufruto de tudo o que a humanidade construiu
como um valor real: a educação, a cultura, a vida plena
em todos os sentidos. É a juventude, em particular a juventude
operária, que é arrastada às guerras fomentadas pelo
imperialismo para manter a sua dominação sobre as fontes
de riqueza do mundo. É a juventude quem paga o maior preço
com os sistemáticos ataques à educação, com
o desemprego etc.
A exploração capitalista que atingiu neste século
o paroxismo não poderia existir sem um acrescentamento constante
da opressão sobre as massas. A opressão dos Estados policiais
que, sob a cobertura da democracia, se fortalecem em todo o mundo atinge
proporções inéditas sobre a mulher, o negro e demais
populações coloniais. O jovem vive esta opressão
através de todos os tentáculos do Estado, na família,
na escola, no trabalho, no seu local de moradia, em particular nos bairros
operários, vigiados pela polícia como guetos ou campos de
concentração. Desta situação, que conserva
como um ferrolho o roubo de todas as suas perspectivas de vida, resultam
para a juventude o embrutecimento, a superexploração, o
desespero, as drogas e as explosões de violência ainda mais
duramente reprimidas.
Como uma reação defensiva diante da crise mundial e das
tendências revolucionárias que ele engendrou nas três
últimas décadas, o imperialismo mundial, que fomentou ditaduras
e a violência sem limites contra as massas exploradas nos quatro
cantos do mundo, transformou a democracia no seu principal
estandarte para conter as tendências revolucionárias das
massas. Esta modificação abriu caminho para a conversão
da esquerda stalinista, pequeno-burguesa e centrista mundial para o capitalismo
sob o credo da democracia. Esta é a camuflagem da opressão
sem limites e da exploração sem freios.
Para a juventude trabalhadora, assim como para toda a humanidade, a única
via de saída da barbárie crescente do capitalismo é
a luta revolucionária pelo socialismo. Contra a ditadura odiosa
do Estado burguês democrático que apenas serve
para camuflar a repressão, a alternativa da juventude é
a luta pela ditadura do proletariado, baseada nos conselhos operários,
no armamento de toda a população, ou seja, na verdadeira
democracia revolucionária das massas em oposição
à democracia burguesa que é apenas e tão somente
uma ditadura da minoria privilegiada contra as amplas massas exploradas.
O governo operário é a única via de transição
da sociedade capitalista para o socialismo, ou seja, para a completa supressão
da propriedade privada dos meios de produção, o planejamento
econômico e o crescimento da riqueza social que abra a possibilidade
da superação do Estado, instrumento de controle das pessoas,
e para a supressão de toda desigualdade social.
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