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partir de 1974, o movimento estudantil começa a reagrupar-se molecularmente
, reivindicando o fim da ditadura militar e a vigência das liberdades
democráticas. Em 1977, os estudantes saem às ruas de todo
o país e iniciam um vasto movimento, reconstruindo suas entidades
de base e a UNE. Este movimento impulsionará o reagrupamento do
movimento operário, que iniciara seu ascenso em 1978 nas greves
do ABC paulista. O ascenso do movimento de massas acentua a crise irremediável
da ditadura e faz com que a burguesia e o imperialismo coloquem em marcha
um processo democratizante de substituição da ditadura para
conter as tendências revolucionárias envolvidas no ascenso
das massas: A Nova República.
Esse processo democratizante, cuja essência é uma operação
reacionária diante da crise do regime militar, é veiculado
no interior do movimento estudantil fundamentalmente pela UJS (PCdoB),
com apoio do PCB e do MR-8, agentes da burguesia no movimento de massas
que lutam para encarrilhar o movimento antiditatorial detrás do
partido burguês de oposição criado pela
ditadura, o MDB.
O fracasso das tentativas de criação de uma alternativa
independente (o PT e as tendências centristas que atuam no seu interior
se opõem, de uma maneira geral, à criação
de uma juventude ou tendência estudantil de massas do PT em nome
da autonomia dos movimentos, negam-se a lutar pelo governo
operário e camponês, defendendo o aprofundamento da
democracia, e pela aliança operário-estudantil), tanto
no ME como no movimento de massas de uma maneira geral, permitem a hegemonia
da política burguesa. A UJS levará a UNE nos seus 8 anos
de gestão à paralisia e a mais profunda e degradante integração
desta entidade ao Estado-burguês, transformando-a em um apêndice
do MEC.
A partir de 1984, o Movimento Estudantil entra num profundo refluxo, o
que leva à anulação das organizações
estudantis, que permitirá ao governo Sarney lançar a mais
profunda ofensiva jamais vista contra a educação neste país.
Este período foi também o da consolidação,
após um breve interregno, de dominação do PCdoB sobre
a UNE, ou seja, de refluxo do movimento estudantil como resultado da política
de colaboração com o regime político burguês
tal como este saiu da transição democrática. O ascenso
estudantil inicia-se em 1977 sob a ditadura militar, como expressão
da crise interna da frente burguesa que provoca um deslocamento à
esquerda da pequena burguesia. O ascenso liquida com todo regime ditatorial
para a organização estudantil, os Diretórios Acadêmicos
e Diretórios Centrais, Diretórios Estaduais são substituídos
por entidades livres em diversos lugares a começar pelo Estado
de S. Paulo, sob a pressão das grandes mobilizações
e coloca-se em pauta a reconstrução da UNE, o que se dá
em 1980 no Congresso de Salvador. A direção do movimento
fica dividida entre as antigas direções centristas que dominaram
a UNE até o Congresso de Ibiúna e a sua dissolução
(principalmente a Ação Popular) e o PCdoB (que, na década
de 70 havia incorporado em suas fileiras cerca de metade dos quadros estudantis
da AP, os quais haviam evoluído à direita). Ambos os setores
são alas do MDB, a oposição burguesa colaboracionista
com a ditadura militar. O PCdoB, no entanto, torna-se, tanto pela sua
política, como pelas suas ligações com a burguesia
dentro do MDB, bem como pela maior dureza do seu aparato (constituído
a partir da ala direita do stalinismo na década de 60 e testado
em vários episódios em sua política contra-revolucionária)
a representação efetiva da frente burguesa no interior do
movimento estudantil e, com a ajuda da burguesia, conquista, no Congresso
de Salvador a direção da UNE. A oposição centrista
(AP, MEP e a então inexpressiva Convergência Socialista)
vai ingressar no PT onde, por um curto período vai constituir a
sua direção até ser derrotada pela Articulação
dos 113, origem da atual burocracia petista.
A direção do PCdoB sobre a UNE expressa o domínio
da burguesia de oposição sobre o movimento estudantil, resultado
da capitulação e da colaboração do centrismo
frentepopulista e da incapacidade das tendências revolucionárias
de se estruturarem como uma alternativa política. A crise da OSI,
a partir de 1978, liquidada pela política ultraesquerdista da sua
direção e pelos métodos burocráticos que impedem
a superação dos seus erros políticos resulta em um
racha (que seria a origem do PCO) o qual enfrenta diversos tipos de dificuldades
para se desenvolver.
Nestas condições, o domínio da burguesia sobre a
UNE através do PCdoB transforma-se em uma política clara
de estrangulamento do ascenso estudantil. O PCdoB vai colocar o movimento
estudantil completamente a reboque das direções burguesas
para, finalmente, em 1985, ano em que o MDB chega ao governo com Tancredo-Sarney,
chamar como convidado de honra ao Congresso da UNE o ministro daquele
governo que era nada menos que um dos principais expoentes da ditadura
militar. A ascensão da oposição burguesa ao governo
marca a transformação da UNE em uma agência direta
do governo burguês, em um departamento do ministério da educação.
Esta evolução vai também provocar uma experiência
dos estudantes com a política burguesa do PCdoB, o qual vai entrar
em uma etapa de crise, acompanhando a crise do regime burguês.
1987 é o ano em que o ascenso operário se manifesta também
no movimento estudantil universitário com a derrota do PCdoB para
o bloco centrista de oposição na UNE, capitaneado pela esquerda
do PT.
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