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As últimas
décadas foram marcadas pela ideologia a favor da exploração
sexual da mulher, é o intocável direito da burguesia de
explorar todas as esferas da atividade humana, debaixo do capitalismo.
A democracia, nesse sentido, foi uma das principais armas utilizadas para
legitimar um dos maiores ataques à mulher já vistos e um
rebaixamento sem precedentes da expectativa da sociedade e, das mulheres
em particular, a um desenvolvimento humano e sentimental.
A ideologia da democracia é de que tudo é permitido, desde
que com o devido pagamento. A nudez feminina pode ser explorada em todas
as bancas de jornais, sem que seja caracterizado o crime de atentado ao
pudor, desde que seja uma operação comercial reconhecida
pelo mercado através da Playboy e similares.
A exploração sexual da mulher pelo mercado capitalista bem
como a prostituição de luxo são permitidas, inclusive
com eufemismos e novas designações deixando a condenação
moral e a legislação repressiva para as concorrentes do
baixo meretrício.
A prostituição transformou-se numa verdadeira indústria
nacional, com patrocínio de membros do poder judiciário
e legislativo, tendo nos turistas estrangeiros um dos usuários
preferenciais. Na orla das praias nordestinas a prostituição
infantil é uma das grandes novidades para turistas, a ameaça
da AIDS estimula a prostituição o mais cedo possível,
a virgindade das meninas é uma das garantias contra a contaminação.
É preciso levantar um programa de denúncia da exploração
sexual da mulher, seja do tipo vip, para consumo de massa, através
dos meios de comunicação e da alta roda burguesa, seja a
do mercado varejista da periferia das grandes cidades.
Ao mesmo tempo em que é permitida a desenfreada exploração
comercial da mulher no terreno sexual, a liberdade sexual das mulheres
torna-se objeto de ataques cada vez mais encarniçados, particularmente
nas famílias operárias e de baixa renda das grandes cidades:
não há o direito de aborto, não há na rede
de saúde pública nenhum tipo de atendimento dos problemas
sexuais da mulher, o direito à maternidade é cerceado de
todas as maneiras, não há nas escolas, em processo de total
destruição, qualquer tipo de educação ou orientação
sexual, proliferam as adolescentes de 12 ou 13 anos que engravidam precocemente
sem qualquer orientação ou auxílio etc.
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