8. Não à privatização da saúde; proteção à maternidade


Cresce no Brasil as denúncias sobre o número absurdo de mulheres que morrem em conseqüências de complicações no parto ou até um ano após o nascimento da criança. Estes óbitos denominados mortes maternas são um indicador de fundamental importância para determinar o nível econômico e social de um povo, assim como a situação da saúde e do nível dos profissionais da área. Isto porque o grau de desenvolvimento da medicina praticamente excluiu, em termos técnicos, a morte em conseqüência da gestação e, posteriormente, do parto.
O Brasil apresenta o índice de 150 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, quando os níveis permitidos pela Organização Mundial de saúde variam entre 10 mortes para cada 100 mil nascidos vivos(considerado normal) e no máximo até 20 mortes para os mesmos 100 mil. O índice brasileiro compara-se à países africanos e asiáticos que nem de longe têm o desenvolvimento industrial e econômico do Brasil, mostrando como o sistema de saúde nacional foi sucateado, apesar de toda a propaganda a favor das privatizações, do SUS, PAS etc, atacando diretamente a mulher, na medida em que ela é uma das principais vítimas da falta de assistência médica, juntamente com as crianças e os idosos.
Outro enorme prejuízo para as mulheres com a privatização da saúde foi o desenvolvimento da indústria da cesariana. Os partos através desta operação transformaram-se em uma lucrativa empresa, atingindo em média 30% das mulheres que dão a luz através do Sistema Único de Saúde e quase 60% nos hospitais particulares, apesar da Organização Mundial de Saúde considerar como taxa máxima de cirurgias aceitáveis 15%. A gravidade de tal procedimento pode ser visto através dos óbitos relacionados à cesariana. Nos chamados procedimentos do parto, 50,9% das mortes maternas são de pessoas que realizaram a operação cesariana, enquanto nos partos normais o índice cai para 18%.
Os dados acima comprovam a idéia de que no capitalismo a única coisa sagrada é o lucro dos capitalistas, seja através da exploração da saúde da população ou de qualquer outra atividade da sociedade.

1) Pela estatização do sistema de saúde, com atendimento gratuito a toda a população; não à indústria da cesariana; pela formação de uma comissão com membros de vários segmentos da sociedade não vinculados à carreira médica para analisar o enorme índice de cesarianas nos hospitais públicos e privados;

2) pela total gratuidade de todos os serviços e produtos que se relacionem com a maternidade.

Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo

As mulheres, da mesma forma que a classe operária, estão fora dos verdadeiros centros de poder do regime político, constituindo uma das camadas mais oprimidas da população. A representação operária, bem como a feminina, é uma ínfima minoria no parlamento, reafirmando o caráter de classe do atual regime burguês, que significa, concretamente no Brasil, um regime político dominado por homens, brancos, membros da burguesia em primeiro lugar e secundariamente da pequena burguesia, funcionários da primeira.
No Congresso Nacional dos mais de 500 deputados, existem menos de 30 mulheres, no Senado dos cerca de 80 senadores, menos de 10 são mulheres. Este índice insignificante de mulheres vai diminuir ainda mais no Poder Judiciário e nos altos cargos do Poder Executivo, refletindo como um espelho a situação de opressão e submetimento das mulheres.
As medidas demagógicas lançadas pela burguesia e pelos partidos pequeno-burgueses, tais como a de estabelecer cotas de candidaturas dos partidos para mulheres em nada resolveram: a atuação política das mulheres continua a ser obstaculizada e o lançamento de candidaturas (que não é cumprido) não significa eleição em um pleito dominado econômica e politicamente pela burguesia.
Em oposição à ilusão da emancipação gradual da mulher, disseminada pelos partidos burgueses e pequeno-burgueses, inclusive da esquerda, é necessário deixar claro que o único caminho para a emancipação da mulher é a luta política e a sua organização independente da burguesia e do Estado burguês. O futuro da luta das mulheres está em unificar a sua mobilização à da classe operária, pois ambos, tanto a mulher como os operários são vítimas da opressão capitalista e a eles o futuro está bloqueado no regime burguês. O atual governo é a administração da burguesia contra as mulheres, os trabalhadores, os negros e a juventude, ou seja, contra os setores oprimidos da sociedade.
Em diferentes graus e de diferentes maneiras, as mulheres em seu conjunto são oprimidas através do Estado burguês. No entanto, nem todas as mulheres têm interesse em levar a luta pela emancipação feminina até as conseqüências necessárias. Para as mulheres burguesas e parte da pequena-burguesia o limite da luta feminina está dado pela necessidade de preservação da propriedade privada e do Estado capitalista. Todo o futuro da luta pela emancipação da mulher repousa inteiramente sobre a grande massa de mulheres trabalhadoras. É necessário construir uma representação própria dos interesses dos oprimidos, um partido operário revolucionário, que seja capaz de organizar a luta pela derrubada do poder político da burguesia, tarefa essencial à emancipação das mulheres e que somente pode ser realizada pela classe operária com o apoio de todos os explorados e oprimidos da sociedade capitalista.
Um programa de reivindicações femininas somente pode ter como perspectiva estratégica a luta por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo e pelo socialismo. A única vez na história em que todas as reivindicações democráticas e sociais das mulheres foram atendidas foi através da ditadura do proletariado que, em sua forma mais genuína, estabeleceu-se por um curto período de tempo na URSS de Lênin e Trotski. Também hoje, as reivindicações das mulheres não serão atendidas por outro governo que não seja o dos operários e camponeses.