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2010
O ano em o Partido da Causa Operária comemorou 30 anos
O Partido da Causa Operária que surgiu em 1980 comemorou 30 anos em 2010. A história do PCO faz parte da história do movimento operário e estudantil brasileiro. O partido surgiu no seu momento de ascenso do movimento operário e estudantil marcado pelas mi

No ano de 2010, completaram-se trinta anos da fundação da corrente política que ficaria conhecida pelo nome de seu jornal, Causa Operária.

Seis meses antes, esse periódico foi fundado, em um dos mais importantes períodos de mobilização operária vividos pelo país. O auge dessa mobilização foi justamente em 1979, ano de fundação do jornal Causa Operária, na greve dos metalúrgicos do ABC, que derrubaria a ditadura militar até então vigente.

Em 5 de janeiro de 1980, o PCO surge como corrente interna do PT a partir das lutas revolucionárias no final da década de 70 e início da década de 80 no movimento estudantil e operário. Essas mobilizações vão encerrar os anos de regime militar no Brasil.

No movimento estudantil os primeiros sinais de ascenso se manifestaram em 1974 com reivindicações políticas como o fim da ditadura militar e pela vigência das liberdades democráticas. Em 1977, os estudantes sairam às ruas de todo o país e iniciaram um vasto movimento, reconstruindo suas entidades de base e a UNE. Este movimento foi muito importante para impulsionar o reagrupamento do movimento operário, com o surgimento, em 1978, das greves do ABC paulista.

O movimento estudantil abria um precedente para que a classe operária interviesse contra o regime de exceção e o colocasse de fato abaixo com as greves massivas de 1978, 79 e 80.

O partido surgiu a partir de um agrupamento de militantes trotskistas em 1978, rompidos com a Organização Socialista Internacionalista (OSI), quando assumiu o nome de Tendência Trotskista do Brasil (TTB).

Esta ruptura foi parte de um processo de evolução no movimento trotskista internacional, com a cisão entre diversos partidos latino-americanos como Política Obrera (Argentina) e o Partido Obrero Revolucionario (Bolívia) com a organização francesa Organisation Communiste Internacionaliste (OCI) pelo seu abandono das mais elementares premissas do programa marxista.

A reorganização da classe operária e a retomada do ascenso evidenciada com as greves de 77 e 78, que na prática quebraram a política da OSI, criaram uma crise no interior da própria organização brasileira.

Em 1978 e 1979, os trotskistas da nova organização foram os únicos a se opor à política da burocracia sindical lulista com uma política revolucionária nas greves do ABC.

Em 1980, esta nova organização política ingressou no PT e se transformou na fração trotskista e revolucionária daquele partido, conhecida pelo nome do seu jornal, Causa Operária.

Causa Operária apresentava um programa de luta e independência de classe no calor dos acontecimentos no movimento operário e de crítica à política de conciliação de classes da direção petista.

A entrada de Causa Operária no Partido dos Trabalhadores e sua luta por uma direção revolucionária naquele partido, que abarcava aí uma parcela importante da classe operária brasileira em luta marcou a atuação do PCO no seu surgimento.

O ingresso no PT deu-se sobre a base da compreensão de que este abria a possibilidade de construção de um verdadeiro partido operário e que, para tornar realidade esta possibilidade, a vanguarda operária consciente deveria intervir energicamente neste processo com um programa socialista e na defesa da construção de um partido independente da burguesia e de massas.

Depois de um processo de perseguição política pela mesma direção que hoje dirige este partido já totalmente tomado pela burguesia e setores da pequena burguesia ligada ao capital financeiro, a corrente Causa Operária foi expulsa em 1989 do PT e teve diversas lideranças e diretórios cassados. Isto ocorreu em Volta Redonda, no Rio de Janeiro e em Bauru, São Paulo onde se travara uma luta encarniçada do movimento operário, como na companhia Siderúrgica Nacional.

O PCO então se organizou pela sua fundação oficial após a saída do PT. No ano de 1996, adquiriu o nome de Partido da Causa Operária e registrou-se legalmente, tendo o direito a concorrer com candidaturas próprias.

Desde seu surgimento, o PCO dirigiu e impulsionou várias lutas importantes. As ocupações de fábricas que existiram durantes as greves de 1980 e, mais recentemente, a mobilização dos estudantes da USP em 2007, com a ocupação da reitoria que gerou inúmeras ocupações de reitoria no país, e 2009, quando expulsaram a Polícia Militar, que invadiu o Campus depois de 20 anos, são alguns exemplos.

Entre as campanhas políticas, destaca-se a campanha contra os assassinatos no campo promovidos por latifundiários e pelo governo do PT, contra a privatização dos Correios, a intervenção do Estado nos sindicatos e contra a perseguição da reitoria da Unifesp a estudantes.

Há cinco anos, o PCO organiza um primeiro de maio independente no intuito de agrupar uma oposição à burocracia existente no interior de todos os movimentos, sem-terra, estudantil e movimento operário. A realização do 1º de maio visa impulsionar uma organização de luta operária e estudantil.

O PCO se constitui atualmente como o único partido verdadeiramente revolucionário, operário e independente da burguesia entre a esquerda brasileira, dominada por políticos burgueses e por uma política de conciliação de classes.