compartilhar
de de

uma arte isenta de mistérios
A pintura realista de Gustave Courbet
Este ano completam-se 130 anos da morte de Gustave Courbet, um dos mais importantes pintores realistas franceses, que ao abordar de forma naturalista os trabalhadores pobres, abriu caminho para o surgimento do impressionismo e a inauguração do que se conh
 Gustave Courbet 1819 - 1877
Do neoclassicismo ao realismo

Em meados do século XIX, o panorama artístico da Europa, em suas mais diversas expressões, estava dominado pelo romantismo. Este estilo, surgido como uma reação à corrente dominante da pintura na época, o neoclassicismo, abrange motivações muito amplas e corresponde principalmente a uma moficação da mentalidade da época. Tais sentimentos foram expressos na literatura, na poesia, na música, no teatro e na pintura das mais diversas maneiras. O neoclassicismo era um estilo surgido no período de ascenção da burguesia francesa ao poder, e representava os ideais de grandeza, perfeição, beleza e equilíbrio, através de representações épicas ou históricas frequentemente com personalidades ilustres ao centro das composições. Entretanto, a partir da época napoleônica, o estilo torna-se oficialista, e se transforma em um instrumento de celebração do reacionário governo imperial burguês. Assim, o romantismo surge como uma reação à obtusidade artística da burguesia em ascensão, já conservadora e ávida por desfrutar de suas conquistas políticas e ascensão material.

Os artistas românticos, partindo de um descontentamento moral àquela maré conservadora, irão exaltar a personalidade mutável do artista, a subjetiviade, os sentimentos e paixões individuais. Assim, ao domínio da razão, os românticos opõe a força dos sentimentos e fantasias. Aos ideais imutáveis, eles opõe um relativismo inquieto e uma subjetividade oscilante. Com o romantismo, o artista tornou-se o tema central, e sua obra, um instrumento para expor sua personalidade.

"O Rapto das Sabinas" (1799) de J. L. David. Pinturas de temas históricos eram típicos do estilo neoclássico
Este estilo será o principal movimento de contestação à arte acadêmica oficial  durante a primeira metade do séc. XIX. Porém, a partir da segunda metade do século, como reação ao refluxo em que entra a classe operária após a derrota da revolução de 1848,  começa a impor-se cada ver mais um novo estilo, que ao contrário do romantismo, terá como tema, a realidade social do país. Essa mudança temática representa uma significativa modificação de postura, que se reflete nos interesses artísticos expressados a partir daí. Ao mesmo tempo em que era desconcertante para o público, era também alarmante para a burguesia esse novo interesse pelo mundo real e às mazelas sociais que afetavam toda a população pobre do país.
As novas descobertas científicas e as rápidas transformações tecnicas da indústria, estavam atraindo os interesses da população pra os fatos e para as experimentações concretas. Assim, a ciência, em pleno desenvolvimento, mais do que nunca rechaçava toda e qualquer teoria subjetiva e motivações irracionais que pudessem aparecer. Era a época do surgimento das terorias evolucionistas de Darwin, do positivismo, da dialética hegeliana e do socialismo marxista.

 
 "Mulheres de Argel" (1834) apresenta um tema recorrente no romantismo, pintado por Delacroix, retrata a sensualidade feminina sob um véu sempre exótico e idealizado.
A exaltação da realidade
 
Influenciados por essa orientação, a nova geração de pintores concluiu estarem decrépitos os valores românticos de exaltação à fantasia, à emotividade e às paixões. Condenaram o uso da imaginação como método de criação e decretaram a realidade objetiva, a única fonte de inpiração moralmente digna de um artista em sua época. “Nós devemos pensar somente em representar”, afirmava Flaubert, o principal escritor realista francês. Courbet, coerente com essas opiniões também irá afirmar: “A pintura é uma arte essencialmente concreta, e não pode existir senão nas representações das coisas reais e existentes.” Surgiam em oposição frontal tanto ao romantismo, quanto ao academicismo neoclássico. Foram buscar inspiração então na natureza, em paisagens abertas, no mar, em florestas, nos centros das cidades, no povo e em cenas simples da vida cotidiana. Causou grande escândalo o fato de serem retratados, não os grandes personagens históricos neoclássicos, ou as musas romanticas idealizadas; mas sim, pobres camponeses, executando sua árdua labuta diária, nada heróica e sem nenhum tipo de subterfúgio ou tentativa de amenizar o aspecto maltrapilho desses novos heróis: a população trabalhadora.
As inovações realistas estão baseadas principalmente no conteúdo temático dos quadros, não tendo avançado muito em termos de técnica, terreno este, onde é possivel se observar até mesmo um certo retrocesso, e isso devido ao próprio limite que impôe a representação fiel da realidade. Neste sentido, alguns pintores voltarão a dar a seus quadros um acabamento característico do estilo acadêmico, ao invés das pinceladas grossas e expessas que se pode observar já em alguns pintores românticos.
Dentre os principais pintores realistas franceses além de Courbet, estão Corot, Millet e o chargista Daumier.
 
 "O Desespero" (1845), auto retrato de Courbet
Courbet, um temperamento inabalável
 
A importância primordial de Courbet pode ser verificada pelo fato de ter sido ele a pintar o quadro que vai assinalar a transição para o que conhecemos hoje como arte moderna. Apesar das inúmeras expressões isoladas que surgiram mais ou menos na mesma época, é a tela “O Aterlier do Pintor”, que vai assinalar de forma mais acabada, uma renovação expressiva da pintura em diversos sentidos.
Como inovador que era, sempre foi perseguido por uma série de calúnias a seu respeito, e a reputação de “pintor de vulgaridades” o acompanhou por toda a vida.
Contam-se histórias de que em alguns cafés parisienses frequentados por artistas, eram exibidos cartazes que pediam que não discutissem as pinturas de Courbet. Ou que em uma exposição num Salão de Outono, Luis Napoleão em fúria chicoteou um de seus quadros taxando-o de imoral. Na tela via-se uma camponesa robusta que emergia nua de um lago. A polêmica estaria no fato da jovem ser uma figura popular, suada, retirada da realidade e sem o menor vestígio de embelezamento idealizante. Uma visão muito diferente dos padrões de pintura erótica da época, sempre encobertas por um véu de exotismo. Não era uma escrava romana, nem uma dançarina árabe e muito menos uma ninfa grega. Este é justamente o ponto central da polêmica em torno da obra de Courbet. Sua adesão a um realismo brutal, disposto a não fazer conseções ao retrato fiel da realidade escandalizou a burguesia de sua época e causou horror entre o público acostumado aos padrões estéticos românticos.
 "Mulher Entre as Ondas" (1867), quadro que escandalizou Napoleão III
Além disso, Courbet era também um conhecido agitador político e defensor do socialismo, fato que o tornou adorado pelos inimigos do império e detestado por seus partidários.
Atacado ridosamente pelos membros da corte de Luis Napoleão, Courbet nunca fugiu ao desafio que lhe foi imposto. Criou uma obra complexa, de estilo sempre variável, nunca se escondendo por trás de uma fórmula ou método específico de pintar. Tornou-se assim o mais qualificado representante, defensor e propagandista  do realismo francês, que acima de tudo era uma postura moral perante a vida.
 
Sua infância e a viagem a Paris
 
Nascido em Ornans em 1819, Gustave Courbet era filho de um próspero vinhateiro e cresceu ouvindo as histórias da Revolução Francesa que seu avô, que havia participado e testemunhado, lhe contava. Além de orientar suas leituras, com Voltaire e Russeau, seu avô também foi responsável pela sua formação política mais elementar, insuflando no jovem, o ódio aos que tinham traído a causa revolucionária e permitido a volta ao obsucurantismo político daqueles dias.
Ainda na adolescência, o jovem pintor pôde ser testemunha do ascenso revolucionário que precedeu a revolução de 1848. Viu as greves que explodiam da cada dia e a formação gradual das várias ligas operárias.
 "O Retorno da Feira de Flagey"(1848), quadro que inaugura o realismo francês
O pai de Courbet era um abastado agricultor que ocupava seu tempo livre projetando excêntricas invenções como por exemplo, uma carruagem de cinco rodas, ou estranhas máquinas hidráulicas.
Sua mãe era uma mulher refinada, que incentivava artisticamente seus filhos e promovia todas as noites pequenas atividades culturais entre suas 3 crianças.
Quando ingressa na escola, Courbet se mostra um péssimo aluno em todas as dísciplinas, demosntrando interesse apenas por desenho e política. Para ele, os anos escolares constituem uma experiência bastante opressiva, e, à revelia da vontade de seu pai, que pretendia que ele fosse engenheiro, Courbet, em 1838, aluga um atelier e dedica-se a pintura em tempo integral. Seu primeiro mestre é o pintor Flajoulot, e, depois da sua morte, dois anos depois, Courbet vai para Paris, onde passa a maior parte de seu tempo visitando museus e realizando seus estudos de desenhos.
 
 "Moças Peneirando o Trigo" (1854)
Primeiros passos rumo ao realismo
 
Estudante extremamente dedicado, em 1944 Courbet já tinha elaborado um estilo próprio caracterizado pela grande vitalidade ao retratar cenas da natureza, e já isento do intelectualismo neoclássico e do sentimentalismo romântico. A seguir, ele abandona o pincel inaugura uma nova técnica de pintura utilizando uma espátula de aço, com a qual generosamente empasta a tinta sobre a tela. Esta é mais uma das características que fazem de Courbet um dos heróicos precursores da pintura moderna, qualidade que despertará intensa admiração de Cézanne.
Por essa época Courbet já havia também definido um método de criação próprio, instintivo e aberto a todo tipo de modificações. Quando começava um trabalho, não sabia ao certo como iria terminar. “O quadro se portará por si próprio” dizia ele. Considerava que tema, cor e composição nasciam por si próprios durante o processo criativo, freqüentemente ele afirmava que “um pintor deve estar sempre preparado para reproduzir sua melhor tela a qualquer momento”.
Esse seu estilo, já uma espécie de realismo primitivo, causava grande indignação entre os românticos, pois estes alegavam que seus quadros, com mulheres solidamente construídas e repletas de densidade, não eram passíveis de inspirar um poeta, transformar-se em poema. Suas telas não contavam uma história. Ao contrário, elas preocupavam-se somente em revelar um momento único, transitório, completo em si mesmo e auto-explicativo.
 
"Os Britadores de Pedras" (1849)
1848: A Morte do Romantismo
 
Em 1847, seus quadros são recusados para a exposição do Salão, e Courbet considera isso uma prova de seu valor. O ano seguinte é essencial para sua formação como artista. Um momento decisivo não só pra ele mas também para toda sua geração: É o ano da instauração da República, e Courbet participa ativamente das lutas nas barricadas. Sua melhor pintura nunca teria existido sem esse acontecimento político.
A Revolução de 1848 fez com que Courbet tomasse a decisão definitiva de sua arte em termos de participação ativa na realidade. Nessa época, o romantismo já não conseguia esconder seu aspecto conformista. Devido às suas contraditórias concepções políticas, e uma origem tipicamente pequeno-burguesa, desvinculada da realidade social do país, acabaram por não entender o que havia ocorrido em 1848, e ao testemunharem o despertar daquelas gigantescas massas operárias, e sua poderosa força social, os românticos sentiram-se acuados e tornaram-se abertamente conservadores.
 "O Enterro em Ornans" (1850), considerado a primeira obra prima de Courbet
Os setores mais combativos nesse momento tomaram a dianteira. No plano político denominaram-se socialistas, no plano artístico, chamaram a si mesmos de realistas.
Em 1850, Courbet irá expor a tela “Enterro de Ornans”, já uma pintura realista plenamente desenvolvida e considerada a sua primeira obra prima. O pintor irá se referir ironicamente a ela como “o enterro do romantismo”, que simbolicamente marca sua ruptura definitiva com o estilo. Mas a tela que define o nascimento do realismo, é a denominada “O Retorno da Feira”, que despertou a profunda admiração do ideólogo anarquista Proudhon, amigo íntimo de Courbet, que afirmaria na época “nele tudo era verdadeiro, extraído da natureza... de uma verdade a tal ponto exata que a tela lembra uma fotografia”
 
Detalhe central do quadro "O Atelier do Pintor"
O Período de maturidade
 
O maior escândalo de sua carreira, porém aconteceria em 1955, com a Exposição Universal, em Paris. Os organizadores aceitam apenas onze de seus quadros, recusando, entre outras telas, sua segunda obra prima, e provavelmente o quadro mais importante de sua carreira, denominada “O Atelier do Artista”. O quadro tem aproximadamente seis metros de largura, e, compreende uma riqueza de desenhos e significados ainda evidentes até os dias de hoje. Com o intuito de realizar uma obra original, e tendo em mente esclarecer quais eram suas intenções, o quadro vem com um estranho subtítulo: “Alegoria Real, Histórica, Moral e Física que resume um período de sete anos da minha vida artística”. Nesta tela, Courbet realiza um novo tipo de alegoria, uma “alegoria realista”, uma síntese simbólica da sociedade de sua época, com todas as camadas sociais representadas na tela.
Mais do que qualquer coisa, Courbet lutou pela independência do artista, que neste quadro, é o centro da obra. A partir daí, ele assinala um novo horizonte de possibilidades para os artistas, livres de preceitos morais e encorajados a seguir seu próprio caminho, sem contar com qualquer outro pressuposto além do ser fiel a seus próprios princípios. Sinalizando já o rumo que tomaria a arte moderna no século posterior.

 "O Atelier do Pintor" (1855)
No “O Atelier do Artista”, Courbet concluiu que a pintura tinha exigências próprias. Nunca gostou dos arranjos convencionais, com as figuras cuidadosamente inseridas numa disposição ilusória, e unindo seus conhecimentos de equilíbrio e unidade total da tela, o artista conseguiu criar uma composição inovadora utilizando-se de sua habilidade no tratamento da luz e da sombra, além de um apurado estudo estrutural para unificar um aparentemente acidental e irrefletido agrupamento de pessoas. Este sem dúvida foi o quadro mais ambicioso de Courbet, sua declaração de independência e seu maior testamento.
Sua outra única composição posterior de figuras em grande dimensão, foi o quadro “A Toalete da Noiva”. Esta tela permaneceu inacabada, mas nela podemos antever o mais arrojado e radical de todos os seus quadros, onde fica clara a tentativa de deformar a figura humana, a perspectiva do quarto e também dos mobiliários. Fato que só reitera o sentido que tomava sua arte rumo ao mais avançados experimentalismos da pintura moderna.

 
 "O Toalete da Noiva" (1857)
Em direção ao impressionismo
 
Ao ter seus quadros vetados para a Exposição Universal, Courbet em represália, inaugura ele mesmo o Pavilhão do Realismo, com 41 quadros seus, em um prédio próximo ao da mostra oficial. Com isso, ele inaugura o sistema de cobrar ingressos nas exposições, afirmando: “Se as pessoas gostam de ver meus quadros, que elas paguem por esse gosto!”. Esta foi a primeira exposição individual da história da arte, e causou uma grande polêmica na época. Ingres e Delacroix ficaram perplexos com a postura do colega. Apesar de reconhecerem seu talento como pintor, não apreciavam a maneira que ele abordava os temas. A crítica especializada decretou “Courbet é o mestre-escola do feio”.
"Indolência e Sensualidade", ou "Mulheres Dormindo" (1866)
Já o pintor, rebatia as críticas afirmando que “o título de realista me foi imposto como impuseram aos homens de 1930 o título de românticos... traduzir os costumes, as idéias, o aspecto da minha época segundo meu critério, ser não apenas um pintor, mas também um homem, numa palavra, fazer uma arte atual, eis meu objetivo”
Após a exposição de 1855, Courbet já está famoso e é alvo de intensas discussões. Sua próxima obra é “Moças à Beira do Sena”, quadro de uma sensualidade poderosa que foi mal recebido até pelos defensores mais acalorados do pintor. A partir daí o governo já comprava algumas de suas telas menos controversas, e imperador Luis Napoleão tenta suborná-lo lhe oferecendo a Legião de Honra, que o artista recusa impassível. 
Além do mais, sente confiança para ridicularizar personalidades importantes como Lamartine, Mathieu, e seu amigo Baudelaire, em um quadro satírico de 1866. É neste mesmo ano também que realiza a polêmica obra “A Origem do Mundo”, pintura executada a pedido de um diplomata turco que colecionava imagens eróticas. O quadro foi pendurado no apartamento dele em Paris, escondida atrás de uma cortina para não constranger seus convidados. A pintura, apesar de ter sido vista por poucas pessoas, se tornou um dos quadros mais célebres do século XIX devido ao seu escandaloso tema central, sem precedentes na história da arte, tendo uma vulva no centro da composição, e desprezando-se completamente qualquer outro elemento no quadro. A seguir, Courbet se muda para o interior onde tornam-se seus discípulos os ainda jovens pintores, Monet e Whistler.
"A Origem do Mundo" (1866)
Courbet durante muito tempo acreditou que o realismo fosse o ponto final do desenvolvimento das artes. Acreditava não haver mais terreno para os pintores alegóricos de passagens bíblicas, mitológicas, ou históricas, pois para ele, o único tema possivel na arte era o retrato fiel das pessoas anônimas, objetos vulgares, e cenas cotidianas da vida. Assim como seus colegas, negou o lugar da imaginação na arte, afirmando que “um artista só é capaz de reproduzir o que puder ver e apalpar, e deve tentar faze-lo tão simples e objetivamente quanto possivel”. Apesar de suas convicções no realismo, na fase final de sua carreira, ele irá perceber, assim como seus sucessores, sobretudo Monet e Cezanne, que a realidade não se encerrava simplesmente em seus preceitos realistas, e irá começar a explorar a natureza da percepção, o efêmero, a passagem de tempo, e a maneira como representar essa impressão visual pictóricamente. Esses experimentos da trajetória final de sua carreira, garantiram seu lugar como um dos principais precursores do impressionismo.
 
"Penhascos em Etretat" (1870), quadro que já apresenta algumas características do impressionismo
A Comuna de Paris
 
Nesta época, Courbet dedicava-se exclusivamente à pintura, tendo se mudado para o interior, não tinha mais quase contato com a atividade política. Já estava famoso e endinheirado, e conta-se que nesta época, ele distribuia alegremente todo seu excedente financeiro entre seus amigos e os jovens pintores que protegia.
É nesta época que as tropas francesas lideradas por Napoleão III, invadem a Prússia de Bismark. São derrotadas pelo exército prussiano e o próprio imperador francês cai prisioneiro. Quando a notícia chega a París, o povo se insurge, derruba o governo opressor de Luis Napoleão,  proclama a República e organiza a resistência contra a invasão prussiana. Os prisioneiros políticos são libertados, os revolucionários reivindicam o governo do povo, e até a guarda nacional declara seu apoio à Comuna de Paris. O governo legal, que havia sido provisoriamente instalado em Versalhes, solicita o auxílio de Bismark contra seu próprio povo insurreto.  O mesmo povo retratado nas pinturas de Courbet. Neste momento, o pintor está em Paris, participando da luta como o presidente da Comissão dos Artistas.
"Courbet em Saint-Pelagie" (1870), tela que mostra o arista na prisão após a derrota da Comuna de Paris
Ele se opõe à destruição da Coluna da praça de Vendôme, sugerindo que simplesmente a guardassem em um museu, mas mesmo assim a estátua é demolida. Courbet comenta sobre isso: “Essa Coluna ainda cairá sobre as minhas costas”.

E de fato, após o esmagamento da Comuna em uma sangrenta repressão, Courbet é preso como responsável pela derrubada do monumento. 
Em seu julgamento, quando colocado diante dos juízes, depois de ter sido testemunha dos fuzilamentos e dos brutais assassinatos, Courbert declara: “Tenho nojo desse massacre, e tenho pelos meus executores o mais profundo desprezo”. Mas ao invés da sentença fatal, o artista é poupado e cumpre seis meses de prisão, onde continua a pintar. Após sua libertação, ainda sofre um processo pela destruição da Coluna Vendôme, sendo obrigado a pagar os danos pela sua restauração. Sem recursos, o pintor exila-se na Suíça para fugir à prisão.

Alguns pintores, como Monet, Corot, Daumier e Puvis de Chavannes tentam conseguir que sua pena seja perdoada, mas não obtém êxito.
Courbet morre no exílio, vítima de cirrose hepática, em dezembro de 1877. Pouco antes de sua morte, o pintor havia escrito em carta para um amigo: “Só espero realizar um milagre: viver toda minha vida para minha arte, sem me afastar de meus princípios, sem ter por um só instante mentido à minha consciência, e sem ter nunca executado um palmo de pintura para agradar a alguém ou para vender”.