Por uma nova direção para os sindicatos
11 de novembro de 2006
A crise política está prestes a ingressar em uma nova etapa. Após meses de denúncias de corrupção, da perda de autoridade do regime político burguês sobre as massas operárias expressa na eleições através da crise interna da burguesia está conduzindo uma nova etapa de ascenso da classe trabalhadora.
As manifestações de luta se dão nos principais sindicatos do País, aqueles em que se apóia o setor mais avançado do sindicalismo, em geral ligados à CUT. Não apenas os 100 mil trabalhadores dos correios realizaram a maior greve já feita pela categoria, na seqüência da grande greve de 2003, como se manifestam tendências de luta nos metalúrgicos, com a greve da Volkswagen de São Bernardo do Campo, em petroleiros, que realizaram diversas paralisações em escala nacional, com os professores estaduais de S. Paulo, mobilizando mais de 15 mil professores contra as tentativas de demissão do governador Geraldo Alckmin; nos bancários e em várias outras categorias menores, a resistência dos trabalhadores da Volkswagen às demissões, as greves metalúrgicas em vários lugares e, agora, a greve dos controladores de vôo que abriu uma crise no interior do governo.
É justamente nesses sindicatos e federações poderosos que a insatisfação da massa de trabalhadores com as suas direções é maior. Isto ocorre porque estes são os destacamentos mais avançados da classe operária nacional, os sindicatos maiores, mais organizados, com maior concentração de trabalhadores. Em todos eles começa a se manifestar a tendência dos operários a se chocarem e a ultrapassarem a política das suas direções. Nos correios, onde o processo de luta contra a burocracia está mais desenvolvido, esta perdeu completamente a autoridade sobre as bases. Nos demais manifesta-se a tendência a combater a burocracia nas assembléias e nas eleições sindicais. A greve dos controladores de vôo, um setor controlado pelos militares e proibido de fazer greves, rompeu todas as medidas de contenção e aniquilou a autoridade dos militares e do governo.
Não se trata apenas de que os trabalhadores se oponham a um determinado setor da burocracia. A tendência a chocar-se com a burocracia faz parte de uma tendência mais ampla, geral, da classe trabalhadora a ingressar em um período de luta contra a burguesia. Daí que esta tendência se manifeste nos sindicatos burocráticos de todas as colorações políticas do PT e do PCdoB à Força Sindical e aos partidos de esquerda como PSTU e PSol. A maneira antidemocrática como vem sendo organizadas as eleições em diversos sindicatos, como o dos metalúrgicos de São José dos Campos, dirigido pelo PSTU, vários sindicatos dos correios dirigidos por PT e PCdoB, a ANDES, dirigida pelo PSol etc. é a expressão de uma verdadeira rebelião das bases contra as direções. A experiência dos últimos anos faz com que os trabalhadores não se detenham diante de nenhuma variedade da política de colaboração de classes, nem mesmo quando disfarçada com siglas como PSol e PSTU.
Diante desta situação, coloca-se a necessidade de uma reorganização geral dos sindicatos, da organização fabril e de empresa até as organizações nacionais. Esta não é uma tendência ocasional, mas uma tendência histórica, um resultado das contradições históricas do capitalismo brasileiro. Os esforços do PT e da burocracia da CUT para domesticar a classe operária estão resultando agora em uma decomposição do partido e da burocracia. Esta tendência é irreversível. A classe operária, após passar por um período de refluxo e de confusão, busca neste momento retomar o caminho do ascenso, da organização, da independência diante da burguesia e dos seus agentes políticos e sindicais e da sua centralização política diante da burguesia centralizada no Estado burguês.
A palavra-de-ordem que deve guiar este amplo movimento das massas operárias é a da luta por uma nova direção para os sindicatos.
Os sindicatos não poderão se um instrumento da luta independente da classe trabalhadora sem uma renovação completa da sua cúpula dirigente. É preciso varrer a burocracia patronal e pró-imperialista dos sindicatos. Esta é a tendência objetiva da mobilização operária que começa a despontar. Esta deve ser a perspectiva da luta da vanguarda revolucionária no interior dos sindicatos e junto à massa operária.
No entanto, é preciso compreender em toda a sua amplitude o significado desta palavra-de-ordem e desta luta. Não se trata de varrer a burocracia para colocar em seu lugar uma direção amorfa, “independente” etc. Os sindicatos só serão independentes e de classe sob uma direção consciente, com um programa e uma clara compreensão política. Isto a experiência da luta da classe operária brasileira nos últimos anos, em acordo com a experiência histórica da classe operária mundial, demonstrou de maneira exaustiva.
A palavra-de-ordem de uma nova direção para os sindicatos é apenas um caso especial de uma palavra-de-ordem mais abrangente, a saber, por uma nova direção, revolucionária e socialista para a classe operária em seu conjunto, em todos os terrenos: por um partido operário revolucionário.
A luta no interior dos sindicatos, contra a burguesia e contra a burocracia que trabalha para a burguesia, só pode progredir como uma luta entre partidos, ou seja, entre os conjuntos dos partidos burgueses e pequeno-burgueses, em particular os da frente popular e seus satélites, e o partido operário, a vanguarda operária que busca antes de mais nada construir um partido operário de massas.
As idéias de “movimento sem partido”, de “apartidarismo” das organizações políticas, de “autonomia do sindicatos em relação aos partidos”, que ganham corpo no interior da esquerda pequeno-burguesa diante da falência da frente popular somente têm como significado criar um ambiente propício à sobrevivência do domínio da burguesia sobre os sindicatos. Detrás dão “apartidarismo” escondem-se os partidos burgueses e pequeno-burgueses que não podem desfraldar a sua própria bandeira política pelo simples motivo de que seriam secamente rejeitados pela classe operária, como está ocorrendo hoje com os partidos da frente popular.
A evolução da luta operária depende não só de um programa de reivindicações – que a burocracia abandonou completamente há muito tempo para transformar os sindicatos em um sistema de enriquecimento de uma minoria patronal – mas de uma consciência acabada da parte dos operários sobre o papel dos partidos, das organizações, das políticas e da ideologia.
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