12 de novembro de 2006 Apenas doze dias se passaram depois das eleições e as promessas com que Lula e o PT enfrentaram o segundo turno já estão sendo todas relegadas ao quarto de despejo para onde vão todas as promessas eleitorais. João Pedro Stédile, do MST, e o PCdoB chamaram os trabalhadores a votar em Lula “contra a burguesia”. As primeiras iniciativas de Lula com relação à composição política foram reafirmar Henrique Meirelles, ex-presidente nacional do Banco de Boston, na presidência do Banco Central, cogitar o nome de Jorge Gerdau, um dos mais empresário do país, para o ministério do Desenvolvimento, e Roseane Sarney, do PFL, para um outro cargo. Junto com outros “companheiros”, como Furlan, presidente do Grupo Sadia, e José Alencar, mais uma vez vice-presidente, temos um verdadeiro governo proletário. Outra ala, chamou o povo a votar em Lula em nome das suas supostas, ou melhor, imaginárias, “políticas sociais”. Já eleito Lula anuncia um aumento de R$ 25,00 para o salário mínimo, cortes nos gastos sociais e, inclusive, no próprio Bolsa-família, carro-chefe da demagogia social lulista. Alguns falaram que, por pior que fosse, votar em Lula seria votar na “esquerda” contra a “direita”. Rapidamente, Lula está em negociações para montar o que a própria imprensa capitalista está chamando de o novo “centrão”, isto é, o bloco de direita criado pelo PMDB para dominar a Constituinte de 88 e garantir a manutenção do falido governo Sarney que ganhou deste bloco parlamentar cinco anos de mandato. Outros, sem o mínimo respeito pela realidade, chamaram a votar no candidato petista em nome da luta contra o “neoliberalismo”. A única coisa que é certa no próximo governo Lula é que este não vai tocar em nada da política econômica “neoliberal”. Em política, tais contrastes, que chamam a atenção mais da sensibilidade e da intuição do que do raciocínio sistemático, têm, em geral, um significa concreto. A agressão contra a sensibilidade – que pode ser sentida em todos os lados – é a manifestação de um fenômeno político mais profundo. A política “esquerdista” de Lula foi uma improvisação e um desvio de rota na política dos grandes capitalistas que servem como base ao governo Lula diante do fracasso dos seus planos. A eleição transcorreu, por isso, em meio a uma crise surda. O segundo turno foi uma surpresa para todos, tanto para o PT como para o PSDB. Este fato gerou uma crise na sintonia da burguesia e o movimento geral da opinião das massas, obrigando o mágico a revelar diante da platéia os seus truques. A mentira eleitoral só é eficiente quando, obviamente, não é vista como uma mentira. Em oposição a isso, o País inteiro e, em particular, aquelas pessoas que mais queriam acreditar no PT, assistem boquiaberta Lula e o PT fazerem exatamente o oposto daquilo que foram levadas as acreditar que fariam. Embora a amargura geral seja grande é preciso dizer com franqueza que este processo é positivo em grau extremo. As dificuldades da burguesia são a escola do povo. As massas aprendem pela experiência e a maior experiência possível, a maior extensão em que uma política pode ser revelar, se dá apenas quando um partido chega ao poder. O primeiro mandato de Lula foi um elemento fundamental de educação da classe operária brasileira, o segundo deverá ser, acima de qualquer dúvida, uma experiência definitiva. Os trabalhadores brasileiros estão aprendendo o mais importante que há para saber: a diferença entre um governo burguês e um governo da classe operária. A experiência geral do país a respeito da esquerda que está a serviço da burguesia não poderá ser completa sem um intenso trabalho da imprensa operária de esclarecimento sobre esta política. Faça um comentário Comentários e respostas
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