A volta do governo do execrado PMDB

13 de novembro de 2006

O PMDB é o mais execrado partido nacional, contando com algumas das personalidades políticas mais repudiadas pela população tais como Orestes Quércia, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Roriz, Ney Suassuna etc. notórios corruptos e repressores das lutas dos trabalhadores. O repúdio popular ao partido, que é a maior estrutura política do País, deve-se a que foi o maior depositário das ilusões populares na luta democrática contra o regime militar. A traição deste partido aos anseios democráticos do povo é um dos importantes ingredientes principais desta repulsa. O PMDB esteve no governo federal a partir de 85 com Sarney e todos os governos estaduais com a única exceção do Rio Grande do Sul a partir do chamado “estelionato do Plano Cruzado” nas eleições de 86. Estes governos cumpriram importante papel em reprimir as lutas operárias e populares que tiveram seu ápice no ano de 1985.

O governo Sarney representou o completo esgotamento deste partido diante das massas. Não apenas foi durante o governo PMDB o maior choque da mobilização revolucionária das massas contra o Estado no processo de crise do regime burguês iniciado sob o regime militar, com 15 mil greves operárias em 1985, inúmeras mobilizações de servidores públicos e empresas estatais, como o governo fracassou completamente no controle da economia que resultou na hiperinflação de 1988/9 que bateu a marca de 80% ao mês.

A grande realização do PMDB e do seu governo foi a de resgatar todas as conquistas essenciais dos grandes capitalistas obtidas sob o regime militar nas novas condições políticas criadas pela crise do “milagre econômico” a partir de 1974. O governo Tancredo Sarney foi o resultado da manobra da ala que representava os interesses dos bancos, dos grandes capitalistas e do imperialismo dentro do regime militar que se reunião no PFL para colocar o líder do regime militar no Congresso Nacional, José Sarney, na presidência da República. A “Constituinte” de 1988, coordenada pelo chamado “centrão”, uma coligação dominada pela ala direita do regime militar (PFL) e da ala direita do PMDB, foi a corda com a qual foram estranguladas as conquistas democráticas e econômicas das massas, com as greves, sob o regime militar e os primeiros anos do novo governo. A partir daí, com seus tradicionais políticos corruptos ou incorporando novos “quadros” dos corruptos representantes da ditadura, o PMDB tratou de agrupar detrás de si as camadas mais retrógradas as oligarquias regionais para se transformar no partido mais importante do regime político.

Tendo diante dos olhos esta história de traição, corrupção e engano, contudo, é explicável que um partido tão grande e tão poderoso seja, de fato, uma nulidade, do ponto de vista da liderança das massas, ficando reduzindo a um grande aparelho políticos com algumas importantes lideranças regionais, odiadas, mas poderosas.

A catástrofe do governo Sarney abriu um ciclo de instabilidade que a burguesia procurou suprir através de um governo improvisado e avulso, com Fernando Collor de Mello (ex-governador de Alagoas pelo PMDB) e depois com uma oportuna ruptura de ambiciosos arrivistas e santarrões “éticos” do mesmo PMDB que se agruparam no PSDB nos dois governos FHC. Tais governos somente puderam existir graças ao apoio direto do próprio PMDB, seja nos governos estaduais, seja no Congresso Nacional, seja pelo apoio indireto do PT. Em todas as composições que deram estabilidade ao bloco dominante, o PMDB foi o apoio político fundamental, inclusive no primeiro governo Lula.

Agora, cumprido todo este ciclo, e com a liquidação do PFL, a crise do PSDB e do PT, o PMDB adquire novamente um papel de primeiro plano e volta ao governo com a mascara do ex-líder operário, Luís Inácio Lula do Silva.

Não pode haver dúvida de que o segundo mandato de Lula é um governo do PMDB ou, mais precisamente, a volta do PMDB ao governo. O PT, pela crise do “mensalão”, pela sua crise interna e pelas próprias declarações do presidente, ocupará um lugar secundário neste governo do PMDB.
A população foi chamada a votar na “esquerda” e os que atenderam este chamado não se deram conta de que estavam votando, na realidade, por uma segunda edição do governo Sarney.

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