PT-PMDB: o governo dos que traíram as esperanças populares
14 de novembro de 2006
A formação de um governo PT-PMDB que, mais propriamente deveria ser chamado de governo PMDB-PT, materializa aquilo que, inegavelmente, tem sido durante anos não apenas o sonho de Lula, mas de boa parte dos dirigentes petistas.
A explicação para isso é muito simples. Os dirigentes do PT foram, na sua maioria, uma espécie de segundo escalão do PMDB. Lula foi durante a segunda metade dos anos 70 uma espécie de modelo do sindicalismo da oposição, na época chamado de “sindicalismo autêntico” em referência à ala dos políticos “autênticos” do partido, como Fernando Henrique Cardoso e outros. O casal Suplicy era do PMDB, assim como os aliados do PCdoB e boa parte da esquerda que ingressou no PT quando Lula fez o chamado: todos os que hoje estão no PSol, PSTU e outros que continuam no PT.
A formação de um governo conjunto é nesse sentido a reunificação daquilo que a vida e a enorme pressão da luta de classes separou. O PT domesticado é, do ponto de vista político, uma outra versão do mesmo PMDB, igualando o velho partido até mesmo na corrupção desenfreada.
O PMDB, continuador do velho MDB, partido criado diretamente pelos próprios militares para ser a oposição consentida de uma ditadura de assassinos e torturadores, tornou-se o partido da luta democrática nos anos 70 e no começo dos anos 80. Em todos os momentos, foi o principal instrumento do regime militar para garantir que, por mais que tudo mudasse, tudo continuaria exatamente igual. O problema a ser resolvido pela burguesia, pelos grandes capitalistas que havia acumulado gigantescas fortunas sob o regime militar, era como continuar no poder sob condições políticas inteiramente novas. A solução foi a aliança dos políticos de maior confiança dos banqueiros, do imperialismo e dos grandes empresários nacionais e estrangeiros, o PFL com os “democratas” do PMDB.
Os comerciantes da democracia traíram sem qualquer pudor as esperanças populares e de todos os que se iludiram com eles no que diz respeito à democracia, à renovação política do País, à melhoria das condições de vida da classe trabalhadora.
O PT, fiel aluno das raposas políticas, dos velhos inimigos do povo do PMDB, lançado sob a bandeira de ser um partido da classe trabalhadora, transformou-se em um refúgio para os inimigos dos trabalhadores, os capitalistas. Não tendo contribuído minimamente para as grandiosas lutas operárias a partir de 1977, contribuíram decisivamente para liquidar a mobilização operária a partir de 1989 e para fazer com que os trabalhadores perdessem a maior parte do que haviam conquistado.
Fazendo um balanço justo, nunca no Brasil a ”democracia”, em qualquer acepção da palavra foi tão vilipendiada e pisoteada como sob a época de hegemonia e dominação política do PMDB. Da mesma forma, nunca os trabalhadores perderam tanto, em toda a história nacional, do que quando estiveram sob a direção do Partido dos Trabalhadores. Agora Lula, com seus amigos do PMDB, prepara-se para tentar dar um golpe de morte em toda a legislação trabalhista, produto de quase 100 anos de luta operária.
PT e PMDB, Lula e Sarney e outros líderes do PMDB, têm mais em comum do que poderia parecer à primeira vista. São os partidos da traição aos interesses e inocentes esperanças populares. Sua grande arte é trair aqueles que a eles confiaram a suas esperanças em favor de criminosos ricos e poderosos da burguesia. Seu profissionalismo consiste em saber enganar e trair.
O nome destes partidos, ou seja, “Movimento Democrático” e “Trabalhadores” mais que uma ironia é a prova material da traição. Ninguém foi mais antidemocrático que o movimento democrático e ninguém foi mais antioperário e mais nocivo para os trabalhadores do que o partido “dos trabalhadores”. A direita da ditadura era uma coisa suja e podre, mas atacou o povo brasileiro e a classe operária com menor utilização de perfídia.
A perda das ingênuas ilusões e das esperanças infundadas, no entanto, não deixa, embora dolorosa, de ser um progresso enorme. Tendo a oportunidade de fazer uma experiência definitiva com ambos os partidos no governo de uma só vez, os trabalhadores e o povo abrem caminho para tomar o seu destino em suas próprias mãos.
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