PCdoB: um partido entre a aparência e a realidade (continuação)
16 de novembro de 2006
O PCdoB sofreu uma profunda modificação durante o regime militar. Não só que suprimiu as ambigüidades da suas política, evoluindo, posteriormente, para a defesa de “distensão” e “abertura” do regime militar, em acordo com a oposição consentida do regime, o MDB, mas sofreu uma completa transformação na sua base social.
Nos anos da ditadura, o partido, em crise, realiza uma fusão com a Ação Popular, uma importante organização juvenil de esquerda, cuja origem estava na Igreja Católica, que havia evoluído para posições socialistas e, finalmente, decidiu fundir-se com o PCdoB. O partido, de origem operária, passou a ter como principais quadros e principal base de sustentação, o movimento estudantil e a pequena-burguesia.
É isto o que explica, juntamente com outros fatores políticos, a completa predominância do PCdoB sobre o movimento estudantil desde a década de 70 quando o regime militar entra em crise.
A constituição de uma base pequeno-burguesa, juntamente com a integração do partido a um partido burguês de direita como era o MDB, considerado eufemísticamente, como uma “frente de oposições”, elimina praticamente toda a relação do PCdoB com a classe operária. Acrescente-se a isso o fato de que os poucos efetivos do partido nos sindicatos operários fundem-se, por sua vez, com os pelegos que se apoiavam sobre o regime militar e que buscavam, através da pseudo oposição burguesa, uma nova relação com o regime político em crise.
Este processo será levado à sua conclusão lógica, a partir de meados dos anos 70 quando o PCdoB, se transforma, a partir da sua presença majoritária no movimento estudantil, na corrente estudantil oficial da burguesia que buscava realizar a “transição” a frio do regime militar para um regime de aparência democrática, mas dominado pelos mesmos capitalistas que dominam sob a ditadura. O PCdoB recebe todo o apoio da burguesia, através dos governos municipais e estaduais e parlamentares, para estrangular a radicalização da juventude que lutava, de fato, pela sua organização independente e pela derrubada do regime militar. Este processo consolida a sua completa integração e dependência da burguesia.
Nos final dos anos 70 e nos anos 80, o PCdoB será a tropa de choque da burguesia no interior do movimento operário e estudantil. Seus objetivo é esmagar todo o tipo de manifestação revolucionária, todo o tipo de manifestação de independência política das massas em relação à burguesia, se necessário pela força.
Na direção da UNE, Aldo Rebelo, e, 1985, transforma a entidade de maneira prática em um departamento do Ministério da Educação, dirigido, durante o governo Sarney, imposto pelo Colégio Eleitoral da ditadura, sobre a derrota da campanha das diretas, por Marco Maciel, uma das principais personalidades políticas da ditadura.
Os anos do governo Sarney são os anos do maior Ascenso de greves da classe operária brasileira em toda a sua história, com mais de 15 mil greves. A burocracia ligada ao regime político entra em uma crise terminal. A CUT é formada em 1983 e,de uma organização sindical ultra-minoritária, se transformar na principal organização sindical do País em cerca de três anos. Neste momento, o PCdoB oferece ao peleguismo uma fachada de esquerda e procura conter o movimento grevista e o crescimento das oposições pela violência, mostrando-se como um braço agressivo do regime burguês contra-revolucionário em crise.
(continua)
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