Zumbi dos Palmares
20 de novembro de 2006
Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, é o grande herói desconhecido da luta revolucionária popular do Brasil. Em todo o mundo, os povos oprimidos têm os seus heróis legendários, símbolos da luta contra a dominação colonial. Seus nomes foram consagrados como parte da luta pela independência nacional de vários países. O negro brasileiro foi uma exceção. Seu nome ficou praticamente esquecido, foi sendo recuperado aos poucos por dedicados historiadores negros e acabou sendo reconhecido oficialmente, por força de uma política intensamente demagógica durante o governo FHC.
Esta situação peculiar não se deve a que sua luta tenha sido de menor monta ou que a luta geral dos escravos brasileiros não tenha tido importância histórica.
O quilombismo foi um movimento de extensão nacional. Muitos milhares deles cobriram todos os estados do País até no extremo norte em uma luta de proporções continentais. Ainda hoje são centenas as comunidades remanescentes dos antigos quilombos que, neste momento, estão lutando pela legalização das suas terras.
A luta dos escravos brasileiros foi imensa e durou centenas de anos. Foi uma das grandes lutas sociais que o mundo viu, cheia de sacrifício humano, abnegação, coragem, inventividade diante das dificuldades inimagináveis de uma população absolutamente destituída.
Apesar da lenda, a escravidão foi liquidada pela luta revolucionária dos escravos que, primeiramente, inviabilizaram o sistema escravagista nas zonas de economia mais atrasada como a Bahia, tendo como exemplo as revoltas do malês nos anos 40 do século XIX, e, finalmente, destruíram definitivamente o sistema escravagista na zona de produção mais moderna através de um enorme levante escravo que ameaçou de partir o Exército ao meio, após anos de mobilização política contra a escravidão.
O quilombo dos Palmares é um dos momentos mais brilhantes desta verdadeira epopéia. Foi acima de tudo, um exemplo de força da luta revolucionária dos negros, tendo imposto ao regime colonial uma série de importantes derrotas. Foi uma comunidade guerreira que impôs pela força das armas ao governo da colônia o seu direito à liberdade.
A imagem de Zumbi, recuperada pelos intelectuais do movimento dos negros, ligados ao partido comunista na década de 30, tais como Édson Carneiro, foi levantada como bandeira, por motivos óbvios, pelos grupos foquistas da década de 60 e 70 e seus admiradores como o importante historiador negro Clóvis Moura. Hoje, entretanto, a canonização do Espártaco Negro cumpre outros objetivos, na realidade exatamente opostos ao caráter revolucionário da sua luta. Para estes, o problema do negro não é lutar contra a opressão, menos ainda lutar revolucionariamente, conforme o exemplo do grande líder negro. Para eles, o que temos é um resquício subjetivo, uma idéia errada sobre o negro a ser corrigida através da educação e da influência sobre a mentalidade.
A importância do dia 20 de novembro, atribuído como a data da morte do guerreio negro, é que é um marco da luta revolucionária do povo brasileiro contra as classes dominantes de todas as épocas, contra a opressão colonial. Um marco da luta revolucionária dos negros e de todo o povo brasileiro. O exemplo de Zumbi dos Palmares, que se recusou o compromisso com o regime escravagista, ingressou decididamente pelo caminho da ação revolucionária, inclusive contra o congraçamento que se seguiu à luta patriótica contra os holandeses que tem como símbolo uma tríade multi-racial composta do branco André Vidal de Negreiros, o negro, o terço de Henrique Dias, formado por negros livres, e o índio, Felipe Camarão.
Para a luta do negro hoje, o sentido do 20 de novembro é o da luta revolucionária em unidade com o proletariado, em torno a um partido operário, revolucionário e socialista para acabar com o regime de opressão dos negros e dos trabalhadores de todas as cores.
Leia também o ensaio O Espártaco Negro Brasileiro, de Rui Costa Pimenta sobre O quilombo dos Palmares e Zumbi.
Faça um comentário
___________________________________________________________
Comentários e respostas
|