O significado da repressão contra o movimento estudantil

9 de novembro de 2006

O movimento estudantil vem sendo alvo de uma crescente repressão em todo o País. Episódios de repressão estão crescendo em todas as universidades públicas, bem como nas instituições de ensino superior mais tradicionais como a universidades católicas, tidas como liberais.

Em 2005, sete estudantes do campus da Unesp, em Franca, no Estado de S. Paulo, foram expulsos por realizar um protesto contra as péssimas condições das instalações da universidade local que já representavam um perigo para a integridade física dos alunos. No campus de Marília, outro protesto, foi seguido de sindicância com ameaça de expulsão de 14 estudantes. Em Araraquara, duas militantes da Aliança da Juventude Revolucionária sofreram aberta perseguição política da parte da direção da faculdade, ligada à ala quercista do PMDB, e acabaram recebendo uma suspensão de seis meses em um processo fraudulento encenado pelo conselho universitário.

Na USP, 80 estudantes foram ameaçados com uma sindicância por realizaram uma festa. Na Universidade Estadual de Londrina, a reitoria elaborou um “plano e segurança”, uma mal disfarçada tentativa de repressão contra os estudantes. Ameaças e expulsões estão ocorrendo em quase todas as universidades do País. A informação sobre os fatos somente não é mais ampla por que parte do movimento estudantil, a dirigida pelo PCdoB, está diretamente a serviço do governo federal e dos governos estaduais, bem como dos proprietários das escolas pagas e a outra parte tem se mostrado incapaz de lutar contra estas manifestações em virtude da sua política de adaptação à burguesia.

O crescimento da repressão é um sintoma claro da crise do regime burguês. Os estudantes, embora por momentos sejam capazes de realizar movimentos revolucionários, são uma parte da classe dominante, não do proletariado. A tendência conservadora do regime político que se manifestou com toda a força durante dos dois mandatos de FHC e foi, inclusive, aprofundada no governo Lula, reduziu o movimento estudantil a um estado de desagregação em virtude das ligações entre as direções das organizações estudantis e a frente popular. Os professores, sobretudo, deram a maior contribuição. As organizações de docentes, dominadas, por um lado, pela direção oficial da frente popular dirigida pelo PT, hoje no governo, e a esquerda PSol-PSTU, por outro, foram nestes anos pilares do conservadorismo universitário e da defesa das instituições reacionárias da universidade, utilizando a fundo a sua autoridade sobre um estudantado pouco politizado e sem organização. Tudo isso, fortaleceu as posições burguesas tradicionais, majoritárias em qualquer universidade. As universidades tornaram-se um centro de conservadorismo e de política burguesa e pequeno-burguesa. Um regime repressivo vem se instalando na universidade há anos e sendo fortalecido por medidas graduais adotadas pelas reitorias, diretorias e governos. Há muito tornou-se norma a proibição de pichações, cartazes e outros meios de comunicação tão comuns aos movimentos estudantis de caráter revolucionários dos anos 60 e do final dos anos 70. Intensificou-se a presença da polícia nos campi a pretexto da garantia da segurança da comunidade universitária. Em muitos lugares foram introduzidos métodos típicos de repressão e vigilância como catracas, carteiras de identidade, controle de circulação de pessoas, câmeras de vigilância. Aos poucos, foi sendo estabelecido no interior da universidade um sistema policial, o qual está em completa contradição com o objetivo precípuo da universidade.

Esta situação é um resultado direto da política reacionária da frente popular de aliança com a burguesia. O PT e o PCdoB são os responsáveis diretos por este enorme retrocesso político dentro da universidade.
O crescimento das medidas repressivas explícitas significa na realidade, a ruptura do bloco entre a pequena-burguesia universitária e a burguesia, obtido por meio da política da frente popular. Em si mesma, esta ruptura é um sintoma do enfraquecimento da coesão interna da frente burguesa. À medida que os estudantes vão escapando e rompendo com o sistema de coação política e ideológica em vigor dentro da universidade, a burguesia, através das autoridades universitárias começa a utilizar medidas punitivas, ou seja, medidas punitivas explícitas para buscar manter a coesão do regime político em crise.

Uma das condições para o amplo desenvolvimento da luta operária, única capaz de realizar uma mudança real na situação do País, é a ruptura da unidade entre a burguesia e a pequena-burguesia da qual a universidade é um dos casos mais importantes. Nesse sentido, é preciso organizar imediatamente e como prioridade, uma ampla campanha nacional contra a repressão nas universidades como instrumento fundamental para conquistar a liberdade política e ideológica do movimento estudantil em relação à influência e à dominação da burguesia e do regime capitalista.

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