Aos estudantes que ocuparam a reitoria da USP

10 de maio de 2007

Estudantes de diversas faculdades da Universidade de S. Paulo estão ocupando há cerca de uma semana a reitoria da USP.

As gralhas reacionárias, com especial destaque para a inominável revista Veja, mercenários a serviço do atraso humano, da mediocridade mais completa, do obscurantismo mais retrógrado e da reação política, não se furtaram a atacar com virulência o movimento dos jovens da mais importante universidade do País. A imprensa capitalista, de um modo geral, ronda os ocupantes como um chacal, esperando que cometam um deslize, para atacá-los como chacais que são.

Nosso coração e o nosso apoio estão com eles.

O movimento estudantil brasileiro caiu em uma degradação nunca vista antes na história do País, através de direções que se entregaram por vantagens materiais ao regime político, a pretexto da “democracia”.

Os ocupantes da reitoria da USP, com a sua determinação estão, na realidade, redimindo e recriando o movimento estudantil soterrado pela lama do carreirismo e da corrupção.

Os estudantes se insurgiram contra os decretos do governo Serra e outros problemas que a universidade pública enfrenta, ou seja, contra o plano insidioso dos governos burgueses de destruir aos poucos a universidade pública brasileira. As universidades estaduais do maior estado da federação estão literalmente caindo aos pedaços. A moradia estudantil é uma ficção. Os restaurantes dão pena. Faltam professores e a infraestrutura está em estado de calamidade.

A quem interessa destruir estas universidades que o País todo lutou tanto para ter? Os colonizadores do nosso país. Os que não querem que o Brasil seja inteligente, que seu povo seja culto, que se possa produzir cultura e tecnologia verdadeiramente nacional para construir um país independente. Lula, Serra e outras figuras ainda mais medíocres e menores da administração nada mais são que vice-reis ou governadores geral das metrópoles coloniais com sede em Washington, Londres, Paris, Berlim, Tóquio e outra capitais que têm as suas universidades.

As gralhas clamam que o movimento dos estudantes é o movimento de uma elite saciada que não sabe ser agradecida do que recebeu. Sim, eles são uma elite no meio do mar de pobreza da classe operária e dos trabalhadores do campo neste país sacrificado. No entanto, não são a elite embrutecida e colonial do dinheiro, mas a elite intelectual do País. Cabe a esta elite servir ao seu país e ao seu povo, não aos poderosos nacionais e estrangeiros. Para isso, não basta estudar, mas é preciso ter espírito crítico, revolucionário e olhar antes de mais nada para as verdadeiras condições do País em que vivem e, dentro dele, da universidade.

Para a burguesia, o papel da elite intelectual não é defender o progresso, o país e seu povo, ou seja, a classe operária e os trabalhadores, mas defender a si mesmos em meio à miséria do povo. Quem se preocupa com o destino do país e do povo pensa outra coisa: a elite intelectual deve se juntar ao povo, aos trabalhadores e mudar radicalmente o país, lutando pela revolução pelo fim do capitalismo e pelo socialismo, única via possível de desenvolvimento e de progresso em qualquer sentido que se dê a estas duas palavras.

Os estudantes que ocuparam a reitoria e, entre eles, há muitos jovens políticos, socialistas e revolucionários na consciência e nos atos, estão fazendo o que lhes cabe fazer e o que é mais importante fazer: estão se educando para lutar pelo que acreditam e não para ser burocratas de gabinete, trêmulos burocratas da universidade que a cada passo medem as vantagens e as desvantagens da sua carreira pessoal. Os estudantes fazem bem em deixar estes cadáveres ambulantes nos escritórios e em muitas salas de aula da universidade para lutar pelo que acreditam.

Deixemos as gralhas reacionárias continuarem com a sua lamentável cantilena. Os estudantes da USP estão com a razão e que abram um novo capítulo na universidade brasileira com os seus atos. A eles, todo o nosso incondicional apoio pela vitória!

 

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