11 de abril de 2007 A vinda do chefe da Igreja Católica ao Brasil foi precedida por um ofensiva conservadora na questão dos costumes. Joseph Ratzinger, ex-responsável pela inquisição colocou em primeiro plano a luta contra o divórcio e o aborto. A ofensiva moral da Igreja Católica é dirigida, como se pode ver, diretamente contra as mulheres. Não que estejamos diante de uma novidade. A posição da Igreja sempre foi esta e os papas sempre foram reacionários alinhados com governos de direita e extrema-direita. A luta contra as mulheres é, na sua essência, uma luta contra a revolução e todas as tendências progressistas existentes dentro da sociedade. Hoje, em todos os países capitalistas, as mulheres constituem metade da população, metade do eleitorado e são uma parcela substancial da classe operária. O ataque contra uma parte da classe operária, a sua parte mais fraca e mais vulnerável, é, logicamente, um ataque contra o conjunto da classe operária. As viagens do Papa são sempre viagens políticas encobertas com os rituais da religião. O que traz, então, o monarca do Vaticano ao nosso País? A política do governo Lula diante desta situação está clara desde antes de eleição: apoiar-se nas massas mais atrasadas do interior do País contra as pressões de determinados setores da burguesia estrangulados pela sua política ditada pelos banqueiros e pelo imperialismo, contra as classes intermediárias esmagadas pela mesma política, e contra os setores mais organizados da classe operária, pacificados no momento pelo controle de inflação e pela ditadura exercida pela burocracia sindical em suas organizações. A Igreja Católica mantém influência sobretudo sobre estas massas atrasadas. Para a burocracia eclesiástica, intervir na crise para sustentar o governo é uma necessidade e uma oportunidade. O Brasil é maior país católico do planeta. Um dos grandes trunfos políticos do Vaticano. Reforçar as posições da Igreja Católica contra o crescimento do protestantismo serve aos interesses mais fundamentais hierarquia católica. Chama a atenção em toda esta situação a posição da chamada “esquerda” da Igreja Católica, uma das alas mais oportunistas da esquerda nacional, boa parte da qual apóia ou apoiou abertamente Lula até há pouco. Nenhuma desta alas se levanta para se opor ao Pontífice e sua política não apenas reacionária como pró-imperialista. É evidente que todas as alas da Igreja, após um período de contágio revolucionário de alguns dos seus quadros, o que não pode ser evitado em nenhuma organização, voltaram à velha política de liberais que acobertam a política de direita da predominantemente direitista direção da Igreja Católica. A direção da Igreja tem desempenhado um enorme papel político na crise mundial. Agora, está claro que a direção da vetusta instituição pretende desempenhar um papel ainda mais importante e, por isso, este assunto merece a maior atenção dos revolucionários proletários e socialistas, em particular no Brasil e na América Latina. Faça um comentário Comentários e respostas
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