11 de janeiro de 2007 A população de São Paulo votou em Geraldo Alckmin, do PSDB. Terminou com um governador do PFL, antigo homem de proa do regime militar, Cláudio Lembo. A população de São Paulo votou em José Serra, representante do PSDB. Agora, tem que amargar dois anos de mandato de Gilberto Kassab, do mesmo PFL, uma cria dos velhos tempos do regime militar. O povo paulista e paulistano pode ter votado pelos direitistas camuflados do PSDB, lobos em pele de cordeiro. No entanto, a velha direita do PFL no governo do estado e da maior cidade do País somente poderia se dar por uma impostura como essa, pois o repúdio popular é geral depois da dolorosa experiência da dupla Maluf-Pitta. O prefeito não-eleito Gilberto Kassab, porém, está no governo da grande metrópole do planalto para mostrar o que é um governo da direita. Em pouco tempo utilizou do cargo usurpado para vibrar um violento golpe no bolso da população com um “tarifaço” no transporte público. Em seguida, reprimiu violentamente o protesto da juventude contra o seu “tarifaço”. Paladino da defesa da “limpeza” da cidade, proibiu os quase 10 milhões de paulistanos de colocar o seu lixo para fora das casas antes que cheguem os caríssimos caminhões sustentados pela taxa do lixo da prefeita do PT. Deixando de lado, com o desprezo típico dos velhos representantes da ditadura pelos interesses do povo, os problemas reais da cidade, lançou duas leis políticas. Uma proibindo as placas de publicidade e outra proibindo o uso de carros-de-som. Ele quer a cidade “limpa” e “silenciosa” como um cemitério. O prefeito em quem ninguém votou está usando os preconceitos da classe média conservadora da cidade para impedir toda a propaganda e a livre expressão na cidade. Aparentemente, todas esta medidas afetariam o comércio. Na realidade, são medidas dirigidas contra os trabalhadores e os movimentos sociais. A burguesia decrépita abandonou há muito qualquer ilusão de mostrar ao povo seus verdadeiros objetivos. Desta forma, quando querem roubar os aposentados para encher os bolsos dos banqueiros, chamam de “saneamento da previdência”. Quando querem entregar valiosas empresas públicas a vigaristas de colarinho branco nacionais ou estrangeiros, chamam de “recuperação da capacidade de investimento”. Quando querem demitir e roubar o dinheiro dos trabalhadores em favor dos seus ricos patrões, chamam de “reduzir o custo Brasil”. Quando querem perpetuar o domínio dos grandes corruptos de sempre sobre o Congresso Nacional, chamam de “acabar com as legendas de aluguel”. Quando querem destruir os direitos legais dos trabalhadores, chamam de “reforma trabalhista”. Quando querem castrar os sindicatos, chamam de “reforma trabalhista”. E quando querem proibir a propaganda política e o protesto contra as suas infindáveis mazelas, chamam de “limpar” a cidade e torna-la “calma”. A proibição da utilização de carros-de-som revela claramente os objetivos que o pequenino ditador Gilberto Kassab persegue. A medida é uma proibição virtual de manifestações públicas e protestos políticos. É a tentativa de impor uma ditadura sob a aparência de um regime constitucional. O que mais se poderia esperar de um filhote da ditadura que foi eleito como caronista dos “social-democratas” do PSDB? As ameaças contra a mobilização popular vêm se acumulando por todos os lados. Lula tem uma força militar, rebatizada de Guarda Nacional, uma imitação servil do imperialismo norte-americano, treinados e armados para intervir no País contra greves e manifestações populares, mas que está sendo acionada a pretexto de combater o “crime”. As organizações operárias e da juventude não devem aceitar a escalada repressiva em nome da “limpeza”, do “silêncio”, da “beleza”, dos “bons costumes”, da “moral”, do “combate ao crime” e outras coberturas hipócritas para a indecência da ditadura civil contra o povo.
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