11 de maio de 2007 A visita de Joseph Ratzinger ao Brasil segui o figurino esperado. Condenou o aborto e defendeu a concepção tradicionalmente reacionária da Igreja Católica sobre o casamento e a castidade. Defendeu inclusive a excomunhão dos deputados mexicanos que votaram e dos brasileiros que votarem a favor do direito ao aborto. Condenou os filhos rebeldes do catolicismo latino-americano que defendem a chamada teologia da libertação. A intensidade da cruzada moralista mostra que a ala abertamente direitista da Igreja sente-se segura na condução da Igreja. Como se sabe, desde o início do século XIX, a Igreja alterna a ofensiva conservadora dos Pio IX e Pio XII com a apresentação de uma face liberal dos Leão XIII e João XXIII. Não se trata, logicamente de uma política em zigue-zague, mas em um esforço de adaptação às condições da luta de classes. A Igreja não está mudando de política – que continua basicamente a mesma -, apenas que atual direção eclesiástica considera que a pressão política diminuiu e que há suficiente terreno para tentar uma contra-ofensiva conservadora. Ratzinger foi claro quando disse que a Teologia da Libertação estava fora de sincronia com o tempo atual. Mensagem papal: as ilusões esquerdistas foram toleradas quando a América Latina estava sob a pressão da revolução, agora é um anacronismo. A política da ala esquerda da Igreja, minoritária na instituição, serviu em grande medida para ocultar a política da maioria e dos dirigentes, que apoiaram esmagadora e ativamente os sangrentos golpes militares como o do Brasil, da Argentina e do Chile. A Igreja Católica, através do seu principal porta-voz está mostrando a sua verdadeira face, ou seja, de instituição reacionária em toda a linha. Este é um fato importante nos países latino-americanos, católicos na sua maioria, e especialmente no Brasil. Nos anos 70, a Igreja acompanhou a mudança de frente de um expressivo setor da burguesia que, como ela, havia dado sustentação ao regime militar, da ditadura para a oposição burguesa. Este fato, que faz parte da ampla desinformação, deformação e mitologia da luta democrática no Brasil, serviu para que muitos acreditassem nas posições democráticas da Igreja. A Igreja brasileira leva adiante, na realidade, a defesa da política dos grandes capitalistas temperada com apelos inócuos a minimizar a brutal exploração da esmagadora maioria da população. É uma ala influente da burguesia democrática com presença em vários partidos do PMDB ao PSol, passando pelo PT. No comunicado publicado pela Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros após a sua V Conferência Nacional os bispos colocam-se unanimemente na política de fortalecer o atual regime político burguês, assustados com a roubalheira que está abrindo os olhos do povo para o seu verdadeiro caráter. Fazem apelos em favor do pobre, mas são incapazes de condenar a redução da maioridade penal, o qual consideram como... um paliativo! É a tradicional caridade cristã. No entanto, não ficam em ambigüidades quando se trata de condenar taxativamente o aborto e a manipulação de embriões humanos. Ratzinger também defende as necessidades sociais, tanto porque seja uma abstração sem conseqüência como uma demagogia necessária. A política social da Igreja é apenas e tão somente a política social do imperialismo, ao qual está estreitamente associada. No interior da classe operária, as crenças dos trabalhadores, católicos ou protestantes não deve ensejar oportunidades para dividir a luta proletária. No entanto, é preciso separar as crenças religiosas da política da Igreja, a qual é um obstáculo da maior importância para o desenvolvimento da consciência da classe operária, principalmente quando, com a colaboração da esquerda, disfarça a sua política reacionária com uma aparência progressista. Faça um comentário Comentários e respostas
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