A esquerda sob as asas protetoras da Igreja Católica

12 de abril de 2007

A formação do PSol colocou em relevo um problema político que se manteve encoberto durante um longo período devido ao caráter contraditório do Partido dos Trabalhadores, o problema das relações entre aquela parte da esquerda com pretensões a ser uma esquerda revolucionária e socialista e reacionária Igreja Católica.

Na sua formação o PSol acolheu duas correntes da chamada esquerda do PT, que sempre foram partidárias da frente popular e da política contra-revolucionária de Lula com diferenças menores, a chamada Ação Popular Socialista – APS – e a Democracia Socialista – DS _ e uma ala da Igreja Católica representada por seu candidato ao governo do Estado de S. Paulo, Plínio de Arruda Sampaio. Além disso, chamou a atenção a adesão a este partido de um dos ex-embaixadores brasileiros no Vaticano, com realções íntimas com a alta hierarquia da Igreja, Afonso Arinos de Mello Franco Filho, um representante político da burguesia conservadora brasileira.

Na campanha eleitoral, a candidata maior da frente constituída sob as bênçãos do PSol, a chamada frente de “esquerda” composta pelo PSTU e o PCB, comportou-se como uma candidata de uma bancada clerical, combatendo o aborto e fazendo propaganda do “socialismo” cristão e da Bíblia.

Recentemente, o mesmo bloco constituiu uma frente contra as “reformas” do governo Lula onde também a presença da Igreja Católica através das CEB’s, pastorais e outras organizações eclesiásticas é marcante, senão diretamente decisiva.

A Igreja Católica é uma organização burguesa e, inclusive, imperialista. Suas conexões com as finanças internacionais e com a política internacional do imperialismo são notórias.

A aliança de partidos e organizações como o PSTU e setores do PSol, cujo objetivo professo é o socialismo e a luta de classes, com uma ala da Igreja Católica, tanto no terreno eleitoral, como no da organização popular é, não pode haver qualquer dúvida, uma política de colaboração de classes e não uma política socialista, de luta de classes, como corresponderia a partidos e organizações que se propõem a representar os interesses da classe operária.
Esta constatação, no entanto, está longe de esgotar o problema político envolvido nesta aliança. A Igreja Católica não é apenas uma organização burguesa e imperialista, mas também uma organização dominada por uma ideologia e uma política de direita e de extrema direita. A história da Igreja desde o século XIX é a história da luta permanente contra o socialismo, o comunistas e, em geral, as manifestações de luta revolucionária da classe operária. São notórias as relações estreitas entre o Vaticano e o fascismo italiano e o nazismo alemão; política esta que continuou após a II Guerra na reconstrução do Estado burguês na Itália através da Democracia Cristã, sob a máscara da democracia.

No Brasil, a Igreja adquiriu uma espécie de anistia da sua política contra-revolucionária pela política dos oportunistas e reformistas que aplaudiram a sua posição contra a ditadura militar nos anos 70, assim como aplaudiram os ratos que deixavam o navio da Arena no momento em que este afundava para se passar à “oposição” burguesa do MDB. Para alguns esquerdistas iludidos, haveria no interior da Igreja inclusive uma ala revolucionária e socialista, quem sabe até marxista, que teria apoiado a guerrilha nos anos 70. Tais alas, como a chamada Teologia da Libertação, Esquecem-se, no entanto, que foram sempre um minoria no interior da Igreja e que, mesmo destoando da política hegemônica, fartamente hegemônica, explicite-se, sob a pressão enorme da revolução social e política na América Latina e da guinada de setores da pequena-burguesia à esquerda devido à horrendas ditaduras que se instalaram aqui organizadas pelo democrático imperialismo norte-americano, nunca foram revolucionárias. Tais alas foram sempre alas liberais burguesas mais ou menos radicalizadas, com um programa claro de colaboração de classes. É preciso que se diga, colaboração que praticaram sempre e praticam no interior da própria Igreja com a extrema direita amplamente dominante. Agora mesmo, com a política abertamente reacionária da direção católica, nenhuma destas alas de “esquerda” sequer se coloca o problema de romper com elementos notoriamente fascistas que dominam a cúpula daquela instituição!

Durante as eleições presidenciais, a burguesia, com a ajuda de uma “esquerda” muito duvidosa armou uma verdadeira arapuca para ativistas dos movimentos operário e popular na forma da candidatura de Heloísa Helena. A candidatura da frente “de esquerda” que, apresentada como de “luta” contra Lula e o PT e “socialista”, fez toda a campanha defendendo, em primeiro lugar, a diminuição das taxas de juros, proposta defendida por toda a burguesia industrial brasileira e a condenação do aborto, uma das mais reacionária pregações da Igreja Católica contra a mulher.

Da mesma forma, agora, procura se formar, em torno do mesmo eixo, uma frente “contra as reformas” de Lula. É preciso chamar a atenção para o estelionato político que está sendo novamente colocado em marcha ou, melhor, continuados por partidos como o PSol, PSTU e PCB.

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Comentários e respostas

Gerson Benedicto Rhein (Maracanaú)
12/4/2007 - 08:34:37

A data acima, tomo como referência, por estar abrindo nesta manhã, o e-mail por vós enviado à mim, pela primeira vêz. Li e absorvi atentamente a coluna de hoje, referente a vinda do Paoa ao Brasil e parti para uma substancial reflexão, que desemboca naturalmente na vinda essencialmente política daquele religioso ao nosso pais, mas, fixei-me também na coluna de ontem que coloca de forma bem esclarecedora, a fogueira ardente da vergonhosa situação por que passaram os muitos aeroportos e seus milhares de constrangidos usuários, culminando nessa calmaria dissimulada na Semana Santa por algum acordo lá "em cima" maquiado pela ameaça de demissão dos alimentadores da tal situação.
Por outro lado, fui à coluna de 20 de outubro de 2006, pois além do interesse pelo título, falando de programa,o que me satisfez, me instruindo quanto ao tema e me oferecendo um norte, fiz o que costumo fazer, que é partir do início, porquanto pretendo ler gradativamente e avaliar cada coluna, tendo ainda a possibilidade de buscar subsídios para as minhas comunicações de jornal e rádio em prol dessa classe tão massacrada, da qual sou, desde os 12 anos de idade quando encarei o primeiro emprego em São Pulo, um também massacrado pelas elites perdulárias e exploradoras.
Se quizerem ver a minha cara, acessem o orkut Gerson B. Rhein. Saudações!!

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