12 de janeiro de 2007 “A Revolução Russa é apenas um exemplo, um primeiro passo em uma série de revoluções (...), em essência, um ensaio geral da revolução proletária mundial” 90 anos atrás, no dia 25 de outubro de 1917 (segundo o calendário russo então em uso, 7 de novembro segundo o nosso calendário), o Partido Bolchevique tomava os principais centros do poder em Petrogrado, Moscou e outras cidades do Império Russo através de uma insurreição armada. Em meio à guerra, no país mais atrasado da Europa, acontecia a primeira revolução proletária vitoriosa da história da humanidade. A burguesia, poderosa classe dominante, que parecia invencível e cuja dominação foi sempre apresentada como eterna, como a forma definitiva do desenvolvimento humano, estava sendo substituída por um governo das camadas mais exploradas, pobres e incultas da sociedade, os operários e camponeses sem terra ou com pouca terra para plantar. A revolução substituía a democracia parlamentar, forma histórica por excelência da dominação da burguesia, pelo governo responsável perante o congresso dos conselhos dos delegados operários, que seriam mundialmente conhecidos, a partir de então, como sovietes e se mostrariam como a forma universal da democracia operária e da ditadura do proletariado. A vitória absoluta das classes dominadas em uma pavorosa guerra civil desencadeada pela burguesia afastada da sela do poder do Estado, apoiada por todas as grandes potências capitalistas do mundo, confirmaria acima de qualquer dúvida, esta revolução como sendo uma necessidade histórica e não um mero acidente ou uma anomalia política e social. Os acontecimentos, porém, viriam a demonstrar que este seria o mais importante acontecimento político do século XX e, juntamente com a Revolução Francesa de 1789, da história da humanidade; um acontecimento cuja repercussão na consciência dos elementos mais avançados de todo o gênero humano continua até os dias de hoje. A Revolução Russa é, também, um marco divisório de importância sem paralelo na história do mundo: com a passagem do poder ao proletariado russo, as pretensões do capitalismo de que seria forma última de existência da civilização humana caíram definitivamente por terra, iniciando-se o período histórico de transição do capitalismo ao socialismo que, conforme Marx assinalara décadas antes, é toda “uma época de revolução social” . A liquidação do capitalismo em um estado multinacional das dimensões do império do Czar foi a demonstração de que esta transição e este período histórico haviam se iniciado de forma irreversível, independentemente das suas vicissitudes posteriores. As revoluções alemãs de 1918, 1923 e 1927, derrotadas devido à política traidora da social-democracia e do stalinismo, as revoluções espanhola e francesa de 1936, estranguladas pelas frentes populares, as revoluções vitoriosas na Iugoslávia, Albânia e China no final da II Guerra Mundial, as derrotas do imperialismo em mãos da classe operária no Vietnã e Cuba, para ficar apenas em alguns marcos mais salientes da história profundamente revolucionária do século XX, juntamente com as guerras mundiais e locais e as inumeráveis guerras civis, são a característica deste período de transição, de decadência imperialista do capitalismo, que, conforme assinalou Lênin é uma época de guerras e revoluções, uma época onde a pressão dos monopólios sobre a economia e a política dos países conduz não à estabilidade política, econômica e social, mas à intensificação de todos os tipos de conflito . Nesta época coloca-se, de forma inescapável a disjuntiva da vitória mundial do proletariado ou do retrocesso da civilização através da barbárie crescente do capitalismo. A vitória do socialismo é necessária e inevitável justamente porque a humanidade não pode e não quer perecer na barbárie de sangue e de lama que é a única coisa que o capitalismo tem a oferecer ao planeta. Para nós, revolucionários, interessa assinalar, ainda, que juntamente com e devido a esta importância histórica, a Revolução Russa é o mais importante laboratório da experiência política revolucionária deste século. Todos os principais problemas teóricos e de tática política da revolução proletária - e de um modo geral da política moderna - aí se apresentaram da maneira mais clara possível fornecendo um contraste com os tropeços da revolução proletária nas décadas anteriores e seguintes em diversos países. Esta clareza se deve, entre outras coisas, à extraordinária consciência política atingida pela classe operária russa e mundial através do bolchevismo, tanto na ação como na elaboração posterior dos acontecimentos. Esta riquíssima experiência política está sintetizada, além das obras de Lênin, nas principais resoluções dos quatro primeiros congressos da Internacional Comunista, nos escritos de Leon Trótski e no Programa de Transição da IV Internacional. Nestes 90 anos, a burguesia e os seus sábios sob contrato não economizaram esforços para demonstrar que a Revolução Russa era, na verdade, o túmulo da revolução e do socialismo, a prova do fracasso e estação terminal para todas as aspirações históricas da classe operária. Para a classe progressista e seus representantes políticos e ideológicos o significado deste acontecimento fundamental é exatamente o oposto. Segundo Lênin, “A Revolução Russa é apenas um exemplo, um primeiro passo em uma série de revoluções (...), em essência, um ensaio geral da revolução proletária mundial” . Devido à sua importância prática e teórica, os principais esforços dos ideólogos burgueses e pequeno-burgueses deste século concentraram-se em produzir toneladas de papel escrito para caluniar a revolução e o bolchevismo e tentar refutar de todos os pontos de vista as conclusões políticas fundamentais que necessariamente surgem desta experiência política crucial. Para nós, trotskistas, herdeiros da experiência e da tradição da Revolução Russa, este aniversário de 90 anos impõe a necessidade de uma ampla campanha política que resgate todos os ensinamentos, mais atuais que nunca, deste maravilhoso “ensaio geral da revolução proletária mundial” na luta contra as posições reacionárias da burguesia imperialista “democrática” e contra a esquerda que tem como programa desnaturar o significado desta enorme acontecimento.
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