Conlutas e “movimento contra as reformas” mostram, nos atos, o verdadeiro caminho para colocar em prática a reforma trabalhista exigida pelos capitalistas

13 de abril de 2007

Uma das características distintivas mais importantes da política revolucionária é que nela, ao contrário do que ocorre de modo sistemático nos partidos burgueses e nos partidos operários reformistas traidores, não há contradição entre palavra e ato. Nisso, os revolucionários seguem a maneira de ser e de pensar da própria classe operária.

Nos partidos burgueses, ao contrário, o comum é dizer uma coisa e fazer outra, freqüentemente o exato oposto. Isso se deve a que os interesses econômicos e políticos da burguesia estão em contradição com a realidade social, ou seja, com a disposição da esmagadora maioria. O mesmo ocorre com a esquerda oportunista e, pelo mesmo motivo. Lula e o PT subiram ao poder nos ombros da classe operária e das massas em geral, dizendo defender os seus interesses, para, no poder defenderem os interesses dos piores inimigos da classe operária e das massas que são os banqueiros, os grandes industriais, os latifundiários e o imperialismo.

Não é outra coisa o que ocorre com aqueles que pretendem tirar proveito da fratura exposta entre o PT e a frente popular e todo um setor das massas. São os que se agrupam em partidos de “esquerda” como PSol e PSTU e em organizações como a Conlutas e o Movimento contra as Reformas. É o que podemos ver nas críticas de um dos integrantes deste movimento:
”No dia 6 de fevereiro, depois de cinco dias de greve na LG Philips (960 funcionários), o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, dirigido pelo PSTU, defendeu a aprovação de um acordo com a patronal que na prática flexibiliza a legislação trabalhista, entregado à patronal uma conquista histórica.
“Como o próprio sindicato escreve em seu site, “pela Constituição, empresas que atuam com turnos de revezamento ininterruptos devem ter jornada de 6 horas diárias. Mudanças só podem ocorrer com a assinatura de um acordo específico (que será o caso).

“Antes esses trabalhadores, conforme a lei, cumpriam jornada de 6 horas por dia. Agora vão cumprir 8 horas/dia, pois o sindicato “negociou” o “legislado”. Essas duas horas diárias que serão trabalhadas a mais os trabalhadores não receberão como extra, e o patrão embolsará esta quantia. É uma perda dupla, flexibilizando a jornada e trabalhando a mais sem receber por isso!”

Esta matéria, escrita por Val Lisboa, coloca em evidência a completa duplicidade entre palavra e ato presente, não apenas no PSTU, mas em todo o movimento de que fazem parte tanto o criticado como o crítico.

Recentemente, foi realizado em S. Paulo um ato público de lançamento de um movimento nacional contra as “reformas” do governo Lula, as quais a mais importante é justamente a reforma trabalhista que, se concretizada, seria um confisco histórico da renda operária e um ataque não menos histórico às condições de vida da classe trabalhadora.

Pouco depois, o novo ministro do Trabalho de Lula, na esteira de declarações feitas por representantes do governo a empresários mineiros, declarou-se contra a reforma trabalhista e sindical, qualificando-a como um ataque aos trabalhadores.
Qual é a explicação desta política errática do governo Lula? Simples. A resistência da classe operária a um ataque de tal envergadura. Qual a saída para o impasse. Fácil: falar contra a reforma em geral, no atacado, para fazê-la avançar no varejo, nos sindicatos dominados por pelegos que fazem a política patronal em nome dos trabalhadores.

Este é exatamente o caminho trilhado pelo PSTU e pelo movimento contra as reformas. Falar contra as reformas, indo, inclusive, ao ponto de criar um “movimento nacional” contra as reformas, mas fazer a reforma avançar nos sindicatos dirigidos por eles. Qual a diferença entre esta política dos pelegos do PSTU/Conlutas e dos pelegos do PT e do PCdoB. Resposta exlusiva: absolutamente nenhuma.

Vigora aqui o método por excelência dos tradicionais traidores da classe operária: falar uma coisa e fazer outra.

O autor da crítica que citamos acima, afirma, em conclusão a esta crítica: “Foi um mal (sic) exemplo na luta contra as reformas.”
Para dizer o mínimo!

Estando mais conectados com o mundo real, o correto seria dizer que foi uma política completamente a favor da reforma!

Por outro lado, este ato, não foi um ato qualquer. O Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos é o mais importante sindicato operário desta organização que é a Conlutas e deste suspeito movimento “contra” a reforma, ou, mais ainda, o único importante. Nestas condições, a política assumida por ele, de colocar em prática a reforma trabalhista, de assinar acordos com os patrões, passando por cima até mesmo da legislação do Estado burguês que defende o direito operário, abre uma crise total nestas organizações e nestes movimentos. Uma crise tão profunda – uma vez que expõe completamente a hipocrisia das suas alegações anti-reformistas – que necessitaria um Congresso apenas para discutir esta questão isoladamente.

Claro que não esperamos nem esta nem outra qualquer ação conseqüente deste grupo de falastrões políticos e discursadores inócuos. Este movimento se revela, para todos, de um golpe como uma linha auxiliar, apenas que mais excitada, da política da burocracia sindical lulista e do próprio governo Lula.

A assinatura de um acordo para aumentar a jornada de trabalho, com ou sem aumento de salário – neste caso, sem – é uma traição miserável à classe operária. Se o papel de traidores é um mau exemplo, este com certeza é um mau exemplo! Um sindicato que assina tais acordos sequer pode ser considerado como uma organização operária reformista, mas como uma organização patronal.

A coisa fica ainda mais feia, por incrível que pareça!, quando vemos que este sindicato assinou inúmeros Planos de Demissão” onde os trabalhadores são colocados na rua “voluntariamente” e acordos de banco de horas, que destruíam também a lei do limite de horas de trabalho. Na realidade, o acordo atual não tem qualquer novidade. A não ser para aqueles que queiram fechar os olhos por medo ou por interesse.

São estes fatos costumeiros, habituais que mostram a enorme farsa que são as organizações como a Conlutas e os movimentos “contra a reforma”. Na realidade, uma arapuca para os jovens e trabalhadores incautos que acreditam nas palavras sem buscar confirmação delas na realidade.

Faça um comentário

charles carvalho (Rio Claro - SP)
21/4/2007 - 20:12:26

Contras as reformas o conlutas é. Agora, qual o mérito de desqualificar o PSOL e o PSTU. Portanto, o PCO para criticar PSOL e PSTU, deve abandonar a CUT, do contrário, está do lado do PT e do governo Lula.

Du (Marília - SP)
13/4/2007 - 21:38:15

No texto em questão aparecem varias confusões, uma delas é a referencia ao camarada Val, colocando-o no mesmo saco que PSTU e P-SOL, e o pior, sem explicar isso.
Outro ponto importante é a desqualificação da CONLUTAS e da Frente contra as reformas pela atitude do partido hegemônico, isso é um absurdo, se fomos discutir por essa via os camaradas do PCO podem me explicar pq estão na CUT e na UNE ??? Essas entidades não são hegemonizadas por partidos reformistas ??? Será mesmo a direção do PT e do PCdoB mais avançadas que a do PSTU ???
E como ultimo ponto gostaria de perguntar aos camaradas se simplismente denunciando a frente contra a reforma o PCO combate de fato as reformas ??? ou se restringem a criticar a esquerda que se coloca em movimento, apesar das debilidades de sua direção, e na verdade não faz nada a não ser assistir a historia passar ?
Fica a duvida...

Lucas Sallas (Brasilia - DF)
16/4/2007 - 09:42:23

Infelizmente a Causa Operária ou seja a PITBULL da CUT no movimento ajudando a Articulação, lembramos na mesma cidade de SJC ano passado não constrói nada!!A reorganização tá surgindo em todo o Brasil e o PCO defendendo a CUT nacionalmente!!!Aí vemos até mesmo aqui em Brasilia e em outras cidades do Brasil as quebras que voces tem no partido de vocês!!!Cadê o pco em nos atos contra o governo Lula?Até sindicatos de correios rompem com a cut!!!Ano passado eu estava em sjc nas eleições de metalúrgicos apesar de todo o desespero do PCO que tentou montar uma chapa de laranjas não se viu um dia sequer a Causa na porta da fábrica mesmo que fosse prá soltar uma nota contra a burocracia da conlutas?Kd a causa?Enquanto isso a Conlutas faz um encontro com mais de 6 mil ativistas do Brasil pra impulsionar as lutas...o PCO mobiliza quem? Lucas pstu df

___________________________________________________________

Comentários e respostas

Receba esta coluna por email