Abril Vermelho ou Abril Verde?
14 de abril de 2007
O MST inicia neste dia 17 o seu chamado “Abril Vermelho”, o qual deveria ser uma jornada de lutas pela terra. A data foi escolhida em memória dos trabalhadores rurais de Eldorado do Carajás no Pará assassinados pela PM.
A política definida pela direção do MST para o Abril Vermelho, no entanto, pouca coisa tem a ver com a luta pela terra e contra o latifúndio. A prioridade seria, segundo os dirigentes, a denúncia das multinacionais que prejudicam o ambiente, dedicadas à monocultura tais como as plantações de celulose, de soja, de transgênicos etc.
Qual é exatamente o sentido desta orientação “ecológica” em uma situação onde a questão da terra, objetivo em torno do qual estão organizados os integrantes deste movimento, torna-se cada vez mais grave. O governo Lula, a exemplo dos seus antecessores, não conseguiu avançar minimamente no assentamento das famílias sem-terra no seu primeiro mandato e, neste atual, já declarou que não vai sequer fixar uma meta de assentamentos que possa ser cobrada pela população trabalhadora, seus movimentos e suas organizações?
Os assassinatos e prisões de militantes dos diversos movimentos de trabalhadores sem-terra aumentaram em todo o País. Do mesmo modo, as prisões e processos que criminalizam a luta pela terra. Há cerca de um ano dezenas de dirigentes do MLST foram presos, indiciados e serão processados por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e corrupção de menores.
O trabalho escravo se alastra pelo País e o governo Lula se mostra incapaz de combatê-lo, até mesmo porque é um governo que se apóia nos latifundiários e os grandes exploradores dos trabalhadores do campo.
Este ano despontou como uma questão estratégica o problema do etanol, cujas conseqüências em termos de concentração da terra, exploração do trabalhador rural e prejuízo para a economia nacional em favor do capital estrangeiro.
Nenhum destes problemas é, porém, o centro da atual campanha do MST, que é a sua principal atividade no ano.
A questão ecológica, nas questões progressivas, deveria constar de um programa agrário. Mas mesmo neste sentido, o MST não tem programa algum. Trata-se de um protesto com o objetivo de “moderar”, “controlar” ou “regulamentar”. O protesto é contra as multinacionais, quer dizer, empresas imperialistas. Do programa do MST, contudo, não consta sequer a reivindicação de expropriação destas empresas estrangeiras.
No que diz respeito ao problema da terra, este é o momento mais propício e mais urgente para aprovar um amplo programa imediato de luta pela terra. Os últimos quatro anos demonstraram, por uma larga experiência, que mesmo a tímida reforma agrária que o MST reivindica, feita em acordo com a lei da terra do regime militar, não vai sair do papel. Nos diríamos até que, mesmo que saísse do papel, não resolveria o problema da terra no Brasil. O aumento da repressão e do trabalho escravo é uma manifestação disso.
Analisando a situação de maneira objetiva seria o momento para pressionar o governo e empurrar a luta pela terra para adiante com um movimento de ocupação de terras. A situação impõe também a luta contra a repressão a exigência de punição dos responsáveis e a defesa do direito dos sem-terra à autodefesa contra os jagunços e grupos para-militares.
Na realidade, o Abril Vermelho do MST, convertido em um verdadeiro Abril Verde, com as mais inócuas e burguesas manifestações ecológicas é, de fato, uma trégua que os líderes do MST dão ao governo Lula em um momento em que é patente a vontade das bases dos sem-terra de combater a política do governo.
A política abertamente em defesa do latifúndio de Lula e a sua completa incapacidade de manter até mesmo uma aparência de interesse pelas reivindicações dos sem-terra, colocam a política da direção dos sem-terra em cheque. Os dirigentes do MST chamaram a votar em Lula e apóiam, de fato, o governo, apesar de seus inúmeros discursos de crítica a Lula, cujo único objetivo é dar uma satisfação aos cada vez mais descontentes militantes e trabalhadores de base do movimento.
O Abril Vermelho é uma tentativa de não fazer nada, porque tudo o que for feito atenta contra a política do governo Lula.
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Edmilson jose sousa (São Paulo - SP)
14/4/2007 - 20:07:50
O MUNDO SEM OS ESQUERDISTAS FICOU TRASNTORNADO. CHE FOI E SEMPRE SERÁ UM MARCO NA HISTÓRIA. JAMAIS SERÁ ESQUECIDO. LUTAR FOI UM MARCO SEU
PARA MOSTRAR O VALOR DO POVO TRABALHADOR
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