14 de março de 2007 O presidente da República tirou novamente do arquivo morto da burguesia a “regulamentação” do direito de greve. Do alto da sua enorme autoridade de velho pelego que levou inúmeras greves à derrota, declarou que ele é o único capaz de realizar esta proposta. Somos obrigados a concordar, se alguém é capaz é certamente ele. Somos testemunhas oculares da sua habilidade de trair não somente os trabalhadores do ABC em greve no final dos anos 70, como muitas outras categorias e pessoas. Ele conta, também, com uma verdadeira legião de burocratas sindicais, sustentados pelos trabalhadores através do poder coercitivo dos patrões e do Estado capitalista, para realizar esta façanha. Pelo caráter cíclico da proposta de “regulamentação” das greves, que é apresentada seguidamente, apenas para ser retirada logo depois, vê-se que a burguesia brasileira segue o velho adágio popular: “sopa quente se toma pela beirada”. O calor da sopa em questão é dado pela ameaça potencial do movimento operário, que poderia ser despertado do seu longo sono por uma política desastrosa da parte do governo capitalista. Lula, o PT e a burguesia prevêem que, sob o impulso da crise econômica nacional e internacional e da divisão interna da burguesia, a classe operária ameaça fortemente entrar em ação em uma enorme mobilização de massas. A conversa sobre a lei de greve é uma parte da operação preventiva de criar um cipoal de dificuldades para a luta dos trabalhadores. No governo FHC, os tribunais usurparam o direito de legislar e aplicar uma regulamentação própria da lei de greve, que envolvia inúmeras categorias. Agora, mesmo o sindicato dos professores de Alagoas está sendo multado em milhares de reais por dia devido à greve dos seus associados em virtude desta barbaridade jurídica. A proposta de “regulamentação”, explicitada pelo governo durante a semana, consiste em estabelecer obstáculos legais para as greves, que se somariam aos obstáculos já existentes nas empresas, chegando, no extremo, a uma proibição das greves nos setores “essenciais”. Quais são os setores “essenciais”? Segundo alguns gênios da política, da economia e do jornalismo que, apesar de tudo, escrevem na imprensa para “esclarecer” os seus concidadãos, seriam os setores “que afetam a vida da população”. Os gênios que escrevem estas pérolas de sabedoria não se deram conta de que as greves, pela sua própria natureza, servem para interromper a produção de mercadorias ou serviços que são fornecidos à população em geral pelos capitalistas ou pelo Estado contra pagamento ou imposto recolhido. Ora, se alguém está disposto a pagar por estes serviços, em alguma medida e de alguma forma, eles devem obrigatoriamente, satisfazer alguma “necessidade”. Esta sábia definição significa que tudo é essencial. Daí não estranhar que os tribunais do trabalho tenham julgado greves em fábricas de salsichas como improcedentes por afetar um setor essencial. Sem dúvida! Se comer é uma função essencial do organismo humano, não podemos priva-lo de salsichas! A regulamentação do direito de greve é uma maneira cínica de tentar cancelar completamente o direito de greve através da sua mutilação sistemática. Um direito não pode ser regulamentado, apenas admitido pela lei e exercitado. Direito de greve significa que são os próprios trabalhadores, onde, quando e como que decidem paralisar as atividades porque não são nem escravos, nem animais de carga. Ninguém é obrigado a trabalhar para outrem, seja sob qual pretexto for. Pela sua própria natureza de classe, o Estado burguês e seus governantes, funcionários dos capitalistas, como Lula, são inimigos à morte de qualquer direito de greve. A única garantia do direito de greve é a consciência da classe operária, a sua organização e a sua mobilização, ou seja, a força de uma classe contra outra. Se os trabalhadores mostrarem sua disposição e sua força contra os projetos sinistros do governo Lula, a “regulamentação” será devolvida uma vez mais aos arquivos dos truques malignos da burguesia contra a classe operária em busca de melhores tempos. Faça um comentário Comentários e respostas Roberto (São Paulo- SP)
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