13 de maio: abolição, revolução frustrada IV
15 de maio de 2007
A estrutura de classe desde os primeiros séculos da história do Brasil esteve marcada, nas palavras de Mário Pedrosa, por “um rígido esquematismo de classe”. Uma sociedade marcada pela polarização entre uma ínfima minoria de senhores e uma esmagadora maiora de escravos, com inexpressivas formações sociais intermediárias. A terra, monopolizada juridicamente pela Coroa, e distribuída na forma de latifúndios entre fidalgos e serviçais, estava de fato monopolizada pela extraordinariamente lucrativa indústria da monocultura da cana-de-açúcar para exportação e constituiu-se em uma enorme barreira ao surgimento de uma classe de pequenos proprietários, os camponeses independentes e a burguesia industrial e comercial urbana que resultaria da sua acumulação, como ocorreu nas colônias britânicas no norte dos Estados Unidos. Por um longo período, em conseqüência, são desprezíveis também a pequena burguesia urbana e a camada dos trabalhadores livres, pelo seu insignificante papel na r nacional e peso numérico.
A predominância da força de trabalho escrava é um aspecto central desta formação social original capitalista com uma força de trabalho escrava. A concentração de numerosa massa de escravos - sujeita a uma violência literalmente sem qualquer limite - representava um perigo permanente de rebelião que levaria ao aniquilamento do regime político e da ordem social dominante (tal como ocorrera no Haiti, onde no final do séc. XVIII a insurreição dos negros contra a escravidão levou à destruição do regime existente e à implantação de uma república negra).
Essa situação levou à criação de mecanismos efetivos de controle e de manutenção da ordem escravista, assentados principalmente na institucionalização da mais selvagem violência contra os que ousassem desafiar o regime estabelecido.
A cínica mitologia, consagrada pela historiografia oficial, que versa sobre a “democracia racial brasileira”, sobre o caráter “ameno” da escravidão Brasil, na integração entre senzala e casa grande ou, ainda, na apresentação da prática costumeira de repressão do regime como sendo “excessos” cometidos por uma minoria, foram concebidos para ocultar deliberadamente uma longa, sádica e sistemática operação de aniquilamento de uma gigantesca população de escravos indefesos pelos senhores brancos que se valiam de técnicas de tortura assassínio caracterizados pelos maiores requintes de fria crueldade e que buscam esconder ainda que as condições aviltantes a que estava submetida a população escrava condenavam-na a uma média de vida útil de oito anos em terras brasileiras.
Apesar do Estado não ser necessário nessas questões de interesse “privado”, sua intervenção fez-se presente em todas as oportunidades que escapavam ao controle dos senhores, como no esmagamento dos quilombos e de inúmeras revoltas populares que reivindicavam o fim da escravidão.
Além da violência e das miseráveis condições de vida que condenavam à morte em pouco tempo “de uso” da mão-de-obra escrava, outras formas de dominação completavam o regime escravagista em seu aspecto político e ideológico. Dentre elas destaca-se, amplamente, a opressão religiosa. Papel central neste processo de “integração” social do negro foi ocupado pela Igreja Católica, a qual ao mesmo tempo em que justificava a escravidão com sandices teológicas de todo tipo, tratava de “catequizar” ou “cristianizar” os escravos e outros setores oprimidos a fim de torná-los dóceis e resignados à sua condição de bestas humanas como propriedades dos senhores católicos e da própria Igreja, em razão de que seria esta a “vontade de Deus”.
(continua)
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Antônio (Recife - PE)
16/5/2007 - 20:21:49
A estrutura de classe desde os primeiros séculos da história do Brasil esteve marcada, nas palavras de Mário Pedrosa, por “um rígido esquematismo de classe”. Uma sociedade marcada pela polarização entre uma ínfima minoria de senhores e uma esmagadora maioria de escravos, com inexpressivas formações sociais intermediárias. A terra, monopolizada juridicamente pela Coroa, e distribuída na forma de latifúndios entre fidalgos e serviçais, estava de fato monopolizada pela extraordinariamente lucrativa indústria da monocultura da cana-de-açúcar para exportação e constituiu-se em uma enorme barreira ao surgimento de uma classe de pequenos proprietários, os camponeses independentes e a burguesia industrial e comercial urbana que resultaria da sua acumulação, como ocorreu nas colônias britânicas no norte dos Estados Unidos. Por um longo período, em conseqüência, são desprezíveis também a pequena burguesia urbana e a camada dos trabalhadores livres, pelo seu insignificante papel na r nacional e peso numérico.
A predominância da força de trabalho escrava é um aspecto central desta formação social original capitalista (ONDE NÃO HÁ BURGUESIA NEM TRABALHO ASSALARIADO NÃO HÁ CAPITALISMO, O QUE HAVIA ERA MERCANTILISMO ESCRAVOCRATA) com uma força de trabalho escrava. A concentração de numerosa massa de escravos - sujeita a uma violência literalmente sem qualquer limite - representava um perigo permanente de rebelião que levaria ao aniquilamento do regime político e da ordem social dominante (tal como ocorrera no Haiti, onde no final do séc. XVIII a insurreição dos negros contra a escravidão levou à destruição do regime existente e à implantação de uma república negra).
Essa situação levou à criação de mecanismos efetivos de controle e de manutenção da ordem escravista, assentados principalmente na institucionalização da mais selvagem violência contra os que ousassem desafiar o regime estabelecido.
A cínica mitologia, consagrada pela historiografia oficial (HISTORIADORES DE PENA VENDIDA, COM DIZIA MARX), que versa sobre a “democracia racial brasileira”, sobre o caráter “ameno” da escravidão Brasil, na integração entre senzala e casa grande ou, ainda, na apresentação da prática costumeira de repressão do regime como sendo “excessos” cometidos por uma minoria, foram concebidos para ocultar deliberadamente uma longa, sádica e sistemática operação de aniquilamento de uma gigantesca população de escravos indefesos pelos senhores brancos que se valiam de técnicas de tortura assassínio caracterizados pelos maiores requintes de fria crueldade e que buscam esconder ainda que as condições aviltantes a que estava submetida a população escrava condenavam-na a uma média de vida útil de oito anos em terras brasileiras.
Apesar do Estado (O ESTADO É O APARATO DE DOMINAÇÃO DA CLASSE DOMINANTE DO MOMENTO, QUE, NAQUELE CASO, ERAM OS SENHORES DE ESCRAVOS) não ser necessário nessas questões de interesse “privado”, sua intervenção fez-se presente em todas as oportunidades que escapavam ao controle dos senhores, como no esmagamento dos quilombos e de inúmeras revoltas populares que reivindicavam o fim da escravidão.
Além da violência e das miseráveis condições de vida que condenavam à morte em pouco tempo “de uso” da mão-de-obra escrava, outras formas de dominação completavam o regime escravagista em seu aspecto político e ideológico. Dentre elas destaca-se, amplamente, a opressão religiosa. Papel central neste processo de “integração” social do negro foi ocupado pela Igreja Católica, a qual ao mesmo tempo em que justificava a escravidão com sandices teológicas de todo tipo, tratava de “catequizar” ou “cristianizar” os escravos e outros setores oprimidos a fim de torná-los dóceis e resignados à sua condição de bestas humanas como propriedades dos senhores católicos e da própria Igreja, em razão de que seria esta a “vontade de Deus”. (BENTO VI QUER A VOLTA DA ESCRAVIDÃO E SE NÓS DEIXARMOS ELE CONSEGUE!)
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