A burguesia se unifica em torno do programa da frente de esquerda do PSol, PSTU e Heloísa Helena

15 de março de 2007

PSol, PSTU e PCB, apoiados por vários agrupamentos da esquerda formaram, nas eleições, uma frente “de esquerda” que deveria ser o luzeiro da classe trabalhadora nestes tempos bicudos de governo Lula para as suas lutas.
Agora mesmo, esta frente quer se apresentar como alternativa também no movimento sindical e das lutas populares.

Na campanha eleitoral, a frente “de esquerda”, pela boca da sua candidatura presidencial, apresentou para a população as propostas de “redução da taxa de juros” e de “investimentos no setor produtivo” como sendo a fórmula milagrosa de salvação da nação e dos seus cidadãos, em particular os trabalhadores. A candidata chegou a pedir financiamento do BNDES para o gigante monopólio do imperialismo alemão, a Volkswagen, como forma de impedir as greves. Não é espetacular, uma política que consegue três grandes objetivos ao mesmo tempo: desviar o dinheiro pago pelo pobre para o bolso do rico, desviar o patrimônio nacional para os exploradores do Brasil e impedir a evolução do movimento operário? O que poderia ser mais “de esquerda”?

Não há qualquer dúvida de que este programa foi profético e de grande impacto. Nas últimas semanas, em particular depois do anúncio do PIB de 2,9% praticamente toda a burguesia unificou-se em torno destas duas reivindicações. O presidente do Banco Central, apontado como o principal representante desta política no Banco Central, vê-se em uma situação de isolamento tão grande que o seu braço direito na diretoria do banco exonerou-se por não se sentir em condições de defender esta política.

O próprio Meirelles vem a público, completamente na defensiva, dizer que os juros estão caindo. O governo Lula lança o PAC, para atender às reivindicações de investimento do grande capital. Do PT a porta-voz do imperialismo, passando por José Serra e outros líderes do PSDB e do PMDB, toda a burguesia em coro quer ver aplicado o programa defendido nas eleições por Heloísa Helena, PSol e PSTU.

Diante disso, como negar que os grandes capitalistas brasileiros, como as empreiteiras e os grandes exportadores, estão evoluindo à esquerda. Não seria o caso de pensar que o Brasil é justamente o país mais esquerdista do mundo?

É importante assinalar, mesmo que de passagem, que um outro ponto de programa veiculado pela frente “de esquerda” também foi acolhido pelo conjunto da burguesia: o de maior repressão aos “criminosos”. O Congresso Nacional há mais de um mês se entrega alegremente à demagogia reacionária de diminuir a maioridade penal, impedir a progressão das penas e outras maravilhas do repertório da extrema direita e... da “esquerda”. Fala-se em plebiscito sobre a questão da redução da maioridade penal. Instiga a nossa curiosidade saber como vão chamar a votar os integrantes da frente “de esquerda”: vão ser fiéis ao programa da sua extraordinária candidata para conseguir “maior repressão ao crime” ou vão combater a onda reacionária em alta no Congresso Nacional e na burguesia reacionária correndo o risco de mostrar que o que falam não deve ser consignado ao papel?

Na campanha eleitoral, denunciamos todo este programa como um programa burguês e de direita. Pecamos por excesso de modéstia. Vemos agora, que não apenas a frente “de esquerda” e sua popularíssima candidata são porta-vozes da política dos grandes capitalistas e da direita, como são, na verdade, uma vanguarda, uma verdadeira consciência crítica da direita, assim como na história de Carlo Collodi era o famoso grilo falante para o atrapalhado Pinóquio.

A frente de “esquerda”, ou seja, PSol e PSTU querem ser uma “alternativa” ao PT, à CUT e sabe-se o que mais. No entanto, dois grandes problemas se colocam. Primeiro. A serviço de qual classe social estará esta alternativa: o dos grandes capitalistas, como ocorreu nas eleições? Segundo. Será possível levar a sério qualquer programa apresentado por esta frente?

Em toda esta comédia política, em que o programa da direita e dos maiores capitalistas nacionais é defendido pela “esquerda”, faltou apenas uma pincelada: leis mais draconianas contra o aborto, outra bandeira das mais destacadas da musa da “esquerda” na campanha.

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