16 de abril de 2007 As manifestações independentes de 1º de maio começaram no final dos anos 70 com manifestações feitas em total oposição à burocracia sindical ligada ao regime militar, parte da qual havia se ligado à burguesia que passava do apoio à oposição ao regime militar. O caso mais famoso desta última é o do atual presidente da República, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo do Campo e naquele momento profundamente ligado ao MDB de Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro e Orestes Quércia. Em 1979 e 1980, as grandes greves dos trabalhadores metalúrgicos, ambas traídas pela burocracia lulista, levaram o 1º de maio para S. Bernardo do Campo, em manifestações de massa, mas controladas pela burocracia sindical. A partir de 1983, com a criação da CUT, que representou o fracasso da tentativa da burocracia lulista de chegar a um acordo com a outra ala do peleguismo, os atos começaram a ser realizados na Praça da Sé. Estas manifestações representaram um salto de qualidade política, uma vez que se abria um período em que se travaria uma luta intensa entre as oposições sindicais que cresciam em número e tamanho e a maioria da burocracia sindical que se agruparia na CGT primeiro e na Força Sindical depois. Naquele momento, os atos de 1º de maio acompanhavam as tendências de luta no interior da classe operária e a crescente polarização no interior da classe operária que foi o impulso fundamental para a construção da CUT como uma central operária de massas, a primeira que já existiu no Brasil. O Plano Cruzado e a convocação da Constituinte, com eleições em 87, assinalaram a retomada do acordo entre a burocracia lulista, no comando da CUT, e a burguesia organizada em torno ao governo Sarney. Em 1986, as oposições sindicais são derrotadas no Congresso da CUT do Rio de Janeiro. A partir de 1987, assiste-se a um declínio do enorme movimento grevista, cujo pico ascendente havia sido o ano de 1985. O 1º de maio, em consonância vai mudar de caráter. As greves operárias são substituídas pelas greves do funcionalismo público. O movimento sindical organizado em torno da CUT continua sendo um movimento de massas, mas já deixa de ser um movimento fundamentalmente operário. Os sindicatos operários, que haviam sido o carro-chefe da mobilização grevista e da construção da CUT, são tomados pela burocracia sindical que se apóia tanto nos movimentos rurais como nos sindicatos do funcionalismo e de setores médios, como os bancários, muitos dos quais dominados pela esquerda centrista. Em 1988, no Congresso de Belo Horizonte, são modificados os estatutos, com o apoio de toda a esquerda centrista, excluindo da CUT virtualmente todas as oposições sindicais e dando um poder absoluto à burocracia. A partir daí os Congressos da CUT vão ser uma imitação do Congresso Nacional, com discursos exaltados da oposição, nenhuma oposição prática e troca de cargos entre as facções reformistas e centristas que mantêm em conjunto o status quo de esmagamento da organização independente da classe operária. Neste Congresso, ingressa na CUT a facção que havia sido a verdadeira tropa do peleguismo em sua infrutífera tentativa de destruir a CUT, o PCdoB. Em 1989, a direção do PT concluiu um longo trabalho preparatório para colocar aquele partido completamente a reboque da burguesia, processo que levará aos dois governos burgueses de Lula. Na seqüência os revolucionários trotskistas da tendência Causa Operária serão expulsos do partido, fechando qualquer possibilidade de evolução revolucionária do partido. A partir daí, o 1º de maio vai declinar na mesma proporção em que declina o movimento de luta da classe trabalhadora em geral, do proletariado ao funcionalismo e setores médios. A Força Sindical, reagrupamento do peleguismo em crise, vai começar a realizar os seus atos de 1º de maio de empresários, com financiamento da FIESP, da Febraban e da Bovespa: grandes shows nos quais se alega reunir um milhão de operários, na realidade algumas dezenas de milhar atraídos pela distribuição de prêmios financiados pelas empresas para sufocar as tendências classistas. No final dos anos 90 e, particularmente, após a vitória eleitoral de Lula, a CUT vai aderir completamente a esta mesma política, transformando os atos de 1º de maio em shows financiados pela burguesia com o único propósito de entorpecer a consciência da classe operária e sufocar qualquer tendência revolucionária no seu interior. Nos últimos quatro anos alguns setores da esquerda, entre os quais o Partido da Causa Operária, começaram a realizar atos independentes de 1º de maio. No entanto, estes atos foram rapidamente dominados pela esquerda centrista, aliada à Igreja Católica e outros políticos burgueses, como PSol, PSTU e grupos menores, que além de utilizar o ato como cobertura da sua própria política pelega nos poucos sindicatos que dirigem, fazendo do 1º de maio um ato de oposição puramente eleitoral ao PT, suprimiram também completamente a democracia do ato, com as suas tradicionais manobras de baixo estofo. O 1º de maio é uma das grandes datas do calendário da classe operária revolucionária. Transformá-lo em um show ou uma gincana burguesa como fazem a direção da CUT e da Força Sindical é cuspir na memória dos mártires de Chicago e de todos os que que lutaram e caíram em combate pela emancipação proletária. Não se poderia esperar menos dos sanguessugas burgueses que vivem às custas da exploração política da classe operária. O 1º de maio deve ser marcado por uma ampla campanha entre os trabalhadores em defesa das suas reivindicações imediatas e históricas e também pela defesa da tradição revolucionária da classe operária brasileira e mundial. É um ato em defesa do socialismo e do governo operário e de luta intransigente contra todas as tentativas da burguesia, das suas instituições econômicas e estatais, dos seus partidos e das suas igrejas para confundir e dominar a classe operária. O 1º de maio verdadeiro está ligado à luta da classe operária contra a burguesia e não pode servir de palco para dirigentes sindicais e políticos que falam em seu nome e fazem grandes discursos, mas que no dia a dia traem de todas as formas os interesses e a luta da classe operária. Por todos estes motivos, impõe-se à vanguarda operária o dever de lutar por um 1º de maio classista, independente de todas as manifestações da política burguesa, socialista e baseado em programa honesto de defesa dos interesses da classe operária, em defesa do seu salário, das suas condições de vida, da redução da jornada contra o desemprego, em resumo, um primeiro de maio de luta contra a opressão e a exploração capitalista, um 1º de maio operário e não falsificado. É destas iniciativas honestas e verdadeiramente revolucionárias que pode se reorganizar sobre novas bases, revolucionárias, a classe operária que se desprende da política fraudulenta da frente popular de colaboração de classes e traição. Faça um comentário Comentários e respostas
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