16 de março de 2007 Bush, em sua passagem para o Brasil, deixou escapar para a imprensa que o problema do petróleo para o imperialismo norte-americano é “uma questão de segurança nacional”. Segundo ele, os EUA não podem depender de decisões tomadas em “países distantes”. O porta-voz dos imperialistas refere-se, obviamente, ao fracasso da invasão militar do seu país no Iraque e a defensiva geral em que caiu o imperialismo a partir deste e de outros fracassos militares e políticos. Nesta semana, a União Européia decidiu tornar norma para todos os países da instituição a redução da utilização de petróleo. Segundo eles, no entanto, esta medida nada tem a ver com a dependência dos produtores de petróleo diante da crise política mundial. O objetivo dos europeus, que se consideram os seres mais civilizados do planeta, é o de dar um exemplo ao mundo no sentido de diminuir a emissão de gases poluentes e combater o aquecimento global. São imperialistas, ou seja, pessoas dominadas pelos interesses dos maiores negócios industriais e financeiros do País, mas a sua maior preocupação é com a saúde do velho planeta Terra. É, de fato, muito comovente e um grande exemplo para nós, selvagens do submundo planetário. O Japão, terceira face do triângulo escaleno do imperialismo, também tomou a mesma decisão. A imprensa capitalista, acostumada a encobrir os fatos sob o pretexto de revela-los, diz que o problema está na poluição e não na catastrófica derrota do imperialismo no Iraque, a qual, em geral, não comentam em conexão com este fenômeno de decisão simultânea e urgente do imperialismo mundial. Nos anos 70, a defensiva mundial do imperialismo, criada em função da derrota norte-americana no Vietnã levou não apenas a uma crise generalizada das economias capitalistas, assinalando definitivamente o término do período de crescimento após a II Guerra Mundial, como também uma defensiva geral do imperialismo levou a uma crise no petróleo que aprofundou a crise com o aumento dos preços. O mesmo está ocorrendo aqui. A crise da política norte-americana no Oriente Médio está determinando o ponto de inflexão da situação política e, neste caso, conseqüentemente, da situação econômica mundial. Da ofensiva deslanchada contra o Iraque e o Afeganistão, os EUA e, com ele, todo o imperialismo mundial, passa a uma situação geral de defensiva que ficou bem expressa no esforço de demagogia do presidente norte-americano em sua visita a algumas das suas colônias latino-americanas. Toda a política do etanol, discutida com Lula, faz parte de uma operação de emergência para combater a inevitável crise no petróleo, uma vez que o impasse definitivo no Iraque é uma bola cantada. No Brasil esta tendência inapelável expressa-se no declínio ostensivo e final da política do imperialismo para as colônias. A burguesia se unifica em torno de um programa econômico alternativo, reivindicando a queda dos juros, a diminuição do superávit fiscal, investimentos na produção e, quem diria, até mesmo... “um pouquinho de inflação”! Os homens de ouro dos banqueiros internacionais ligados ao grande chefe Henrique Meirelles dão sinais de crescente isolamento político e o governo Lula, cuja vocação é para o bonapartismo e a indecisão, oscila entre as duas alternativas acendendo uma vela para cada santo. As ilusões da burguesia brasileira e do governo com o plano do etanol refletem a incapacidade do governo Lula e do próprio Estado nacional brasileiro para ter um plano estratégico minimamente independente do imperialismo, apesar de ser esta a tendência irrealizável da burguesia latino-americana em seu conjunto. O do plano do etanol, para o Brasil e outros países latino-americanos que deverão se associar em um empreendimento comando pelo imperialismo norte-americano, poderá ser, talvez, uma das mais importantes experiências no terreno econômico e, possivelmente, no político com a ilusão da burguesia destes países com a estratégia de crescimento e desenvolvimento pela via da associação com o imperialismo em oposição à da política revolucionária que luta pelo poder da classe operária e pela liquidação da dominação imperialista. Faça um comentário Comentários e respostas
|