17 de abril de 2007 A imprensa comenta que a esquerda está dominando os governos da América Latina. Boa parte da esquerda brasileira concorda. Qual é o sentido desta suposta inclinação latino-americana à esquerda? Antes de mais nada, devemos fazer uma distinção clara entre os governos de tipo nacionalistas burgueses como o da Venezuela, Bolívia e Equador e os governos da esquerda pró-imperialista como Lula, Tabaré Vazques e Michelle Bachelet . Todos eles, independentemente da sua orientação política geral expressam a crise dos regime políticos burgueses pseudo-democráticos e pró-imperialistas em toda a América Latina. A crise dos planos de estabilidade monetária, que colocaram os países do subcontinente em um completo impasse, atingiram os partidos burgueses tradicionais e, em todos eles, apresenta-se a tendência das massas para superar os regimes políticos burgueses. Os governos da esquerda, em geral governos de frente popular, isto é de colaboração entre as organizações operárias de massa e a burguesia, funcionam como diques de contenção do ataque das massas ao Estado capitalista. A diferença entre os dois tipos de governo está em que são resultado de diferentes etapas de decomposição do regime burguês. No primeiro caso, a crise do regime atingiu um ponto em que os partidos burgueses tradicionais não conseguem governar sem a ajuda direta da esquerda. No segundo caso, o regime parlamentar entrou em aberta decomposição porque não apenas os partidos burgueses, mas o próprio regime parlamentar está em decomposição diante dos ataques das massas. Este fato está expresso na orientação geral destes governos de governar através de plebiscitos, dissolver os parlamentos e convocar novos congressos com poder constituinte. O sentido geral desta política é o de superar a incapacidade do parlamento para dar uma rumo à política do País, em particular a economia, diante da profunda divisão da burguesia e da pressão das massas. Daí que todos eles apresentem as mesmas características, ou seja, a busca de uma independência do executivo das instituições representativas e independência em geral. O governo por decreto já não é suficiente diante da complexidade dos problemas como reforma da constituição, é necessário governar por plebiscito, reformar a constituição, aumentar a independência do governo da imprensa capitalista etc. Tais governos apresentam a tendência a desenvolver acabadamente as tendência bonapartistas típicas de todos os regimes latino-americanos, apoiando-se em setores mais atrasados das massas, resultante, freqüentemente, do empobrecimento e da liquidação econômica destes países. Seu nacionalismo é uma solução obrigada para poder controlar o País, ou seja, as massas populares, mas é, também sustentado, como ocorreu no período imediatamente após a II Guerra Mundial, por uma situação econômica que transitoriamente propicia este tipo de manobra política. Não são regimes realmente independentes do imperialismo, o que é impossível sob o regime capitalista, mas com uma maior disposição de barganha. O imperialismo, em certa medida, se dobra diante da situação de crise em que os países se encontram. Nesse sentido, a diferença de um Lula para um Chávez é uma diferença cronológica que se expressa em uma maior quantidade de gordura para queimar. Entre a crise boliviana aguda que levou Evo Morales ao poder e o Brasil há uma diferença de grau, de quantidade, não de qualidade. Este fato fica realçado pelas iniciativas tomadas no último período, que assinalam a tendência bonapartista do próprio regime brasileiro e de Lula: plebiscito, reaparelhamento das Forças Armadas, criação de uma Força Nacional de Segurança, TV estatal, busca de independência dos partidos do Congresso e o esforço por apoiar-se nos setores mais esmagados e atrasados das massas através de programas clientelistas. A crise do Congresso Nacional e a divisão da burguesia em torno dos problemas econômicos, que vem se agravando diante do impasse no crescimento da economia nacional são a base deste fenômeno, da mesma maneira que nos países “nacionalistas”. Lula tratará de manter a integridade da atual política econômica, com Meirelles à cabeça, até que a crise social o faça buscar um outro caminho. Faça um comentário Comentários e respostas
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