18 de abril de 2007 Os grandes exportadores estão em pé de guerra contra o governo, assim como a indústria em geral em função da valorização do Real realizada de maneira premeditada pelo Banco Central. No seu discurso de vitória, Lula prometeu aos capitalistas, como havia feito no mandato passado, que teria como meta principal o crescimento. A direção do PT, majoritariamente controlada pelo grupo do deputado cassado José Dirceu, foi além e aprovou um plano econômico neste sentido, reivindicando, também, a defenestração de Henrique Mereilles, representante dos banqueiros no governo. O governo lançou o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – com o objetivo de calar a oposição empresarial à sua política econômica e manteve não apenas a mesma orientação econômica, como a mesma equipe, acrescentando um banqueiro à pasta do Desenvolvimento Econômico, normalmente um feudo da burguesia industrial. A equipe econômica, tendo a sua política ratificada pelo líder, deixou claro que os empresários da exportação vão ter que “aumentar a produtividade” e não contar com a desvalorização cambial. A valorização do Real em relação ao dólar ficou envolta no mais denso mistério, uma vez que múltiplas causas são apontadas e nenhuma é escolhida. A realidade, porém, e este é um segredo de Polichinelo, é que o Banco Central mantém o câmbio valorizado em função da sua política que é a de promover o ingresso de capital especulativo. Daí que cada sucessiva queda do dólar seja saudada efusivamente por altas da Bolsa de Valores. O plano do Banco Central é o de, recolhendo mais de 100 milhões de dólares ao caixa do governo a pretexto de conter a subida da moeda estrangeira, qualificar a dívida do governo brasileiro como “grau de investimento”, isto é, no jargão dos economistas burgueses, uma garantia adicional de pagamento da dívida que a transformaria de sucata econômica de alto risco em um investimento relativamente confiável. Com isso, Lula e os banqueiros pretendem fazer retornar a política econômica à situação em que se encontrava antes de rebentar a crise dos países “emergentes” com a queda da Bolsa de Valores de Hong-Kong em 1998, a qual levou à desvalorização cambial forçada e ao impulso à política exportadora. O ex-ministro da ditadura, agora ministro de Lula, Antônio Delfim Netto, em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo de segunda-feira passada mostrou com clareza o significado desta volta ao passado: “ o controle de câmbio do Real produziu uma tragédia externa (isso, porque o ministro considera que internamente foi uma verdadeira epopéia...). Terminamos 2002 com a fantástica relação de 2,7 entre a dívida externa a exportação de bens e serviços (...) Hoje (quer dizer, depois da retomada da política de exportação), a dívida externa líquida é de 0,5 das exportações (...) e as reservas ultrapassaram US$ 110 bilhões contra US$ 17 bilhões em 2002. Ainda segundo a mesma análise, no período de 25 anos as exportações brasileiras cresceram 6,8 vezes contra 53,6 vezes da Coréia do Sul. Lula se aproveita de uma conjuntura econômica transitoriamente favorável no mercado mundial para impor a volta da política de FHC e do Cruzado. Quem financia esta política de liquidação nacional, ao fim e ao cabo, é a classe operária brasileira que, para tornar mais “competitivas” as exportações brasileiras têm que abrir mão das suas conquistas, receber salários de fome e submeter-se a péssimas condições de vida e de trabalho para subsidiar as exportações no mercado internacional, o que, por outro lado, é inútil porque estas não deixarão de cair. É por isso que, no frigir dos ovos, somente a classe operária é capaz de combater uma política criminosa como esta. Os burgueses pseudo desenvolvimentistas e pseudo esquerdistas que ficam reivindicando mais dinheiro público para as empresas, juros mais baixos e desvalorização cambial acabam sempre se acomodando nos esquemas econômicos dos banqueiros internacionais e o imperialismo, cuja função é neutralizar as vantagens competitivas do capitalismo brasileiro no mercado internacional, por um lado, e, por outro, propiciar verdadeiros negócios da China – nunca a expressão foi tão atual -, dentro do País como “comprar” empresas gigantescas com o mínimo possível de investimento. Nestas operações internacionais fica claro também o cinismo da linguagem pseudocientífica dos economistas e sociólogos imperialistas que falam em países emergentes e em desenvolvimento. A função dos países emergentes é a de sustentar o inacreditável parasitismo financeiro dos países imperialistas com a pele, o sangue, a carne e os ossos da sua população com a ajuda de office-boys como Lula e seus asseclas do Banco Central. Faça um comentário Comentários e respostas
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