18 de maio de 2007 A questão chamada "racial", no Brasil, confunde-se ao longo de toda a história do país com a luta entre as classes sociais, da qual é uma das suas expressões políticas. A opressão do negro e do mestiço se materializa na opressão do imperialismo e do capitalismo atrasado sobre a maioria da população do país na cidade e no campo. O ex-escravo é – em sua maioria - o operário semi-qualificado ou, mais comumente, sem qualquer qualificação, que recebe salários baixíssimos ou o trabalhador sem terra ou com pouca terra em desesperada luta contra o latifúndio e o grande capital agrário. O negro brasileiro constitui uma das parcelas, talvez somente superado pelo elemento indígena, da população nacional que evolui mais lentamente no plano social. Esta lentidão o coloca sempre atrás do branco e das diferentes culturas e etnias existentes no País. O enorme abismo cultural que separa o negro de um modo geral do branco, expressando-se na educação, é um dos índices mais significativos deste fato. O negro brasileiro, assim como o de outros países, os EUA, por exemplo, são atraídos pela miragem de uma evolução social, a qual é relativa e, como tal, incapaz de superar o grande vão social criado pela escravidão. A política reformista para a condição do negro, expressa na chamada política das “ações afirmativas” é a expressão ideológica da parte das classes dominantes para a desigualdade de evolução entre a população negra e branca. Esta situação não possibilita uma real integração do negro à sociedade em condições iguais, ainda que sejam estas as condições características do capitalismo, mas apenas a aparência desta integração através da evolução de uma camada, no Brasil especialmente, ínfima da população negra que somente confirma a impossibilidade de integração. Esta situação também não pode ser compreendida de um ponto de vista puramente social. Ela tem uma dura expressão política. Nas condições da democracia colonial e aparente existente no país, o negro está completamente ausente do sistema de poder burguês, formando a camada com o menor poder de influenciar, ainda que perificamente, o movimento do Estado. A tentativa de encarar o problema da chamada “discriminação” racial desvinculado desta consideração evidente e fundamental só pode cumprir um papel reacionário, ou seja, de propor a integração do negro à sociedade burguesa branca no quadro do capitalismo atrasado e do regime político antidemocrático, ou seja, sem a emancipação nacional ou social do negro como povo e como classe social e sem emancipação política. A chave da situação está em que a situação do negro é preservada pelo poder do Estado e pelo poder social e econômico da classe que domina o Estado. Somente através do Estado, de uma vigorosa iniciativa para remover todas as barreiras à evolução social do negro brasileiro é que se poderia superar o abismo histórico que separa o negro do branco. Neste sentido, qualquer política de reformas que não toque no poder do Estado serve apenas para manter a situação atual. A luta contra a opressão racial é, portanto, a luta contra os seus fundamentos e só encontra uma perspectiva na liquidação do imperialismo e do latifúndio o que somente poderá ser feito no Brasil, como parte da revolução dirigida pelo proletariado e, portanto, como um aspecto, um subproduto, da revolução socialista. A chamada discriminação racial é, em grande medida, a expressão subjetiva da opressão de classe e da expropriação econômica e se manteve porque as mudanças formais que ocorreram no país não resolveram os fundamentos desta opressão e desta exploração.
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