Ernesto Che Guevara
19 de fevereiro de 2007
Há 40 anos, em outubro de 1967, um dos principais dirigentes da Revolução Cubana, conhecido como Che Guevara, foi assassinado por agentes do governo norte-americano com a ajuda da ditadura militar do General Barrientos, como desenlace de uma expedição guerrilheira fracassada na Bolívia.
Traído pelo Partido Comunista Boliviano e incapaz de conquistar o menor apoio entre os camponeses bolivianos, Che foi capturado vivo e executado friamente por considerações políticas que indicavam ser um problema impossível de administrar, manter o grande revolucionário preso. Seu corpo foi enterrado clandestinamente no aeroporto de militar de La Paz e somente foi descoberto alguns anos atrás pela revelação de um dos participantes do assassinato.
Como resultado do seu heroísmo de homem de ação, o revolucionário latino-americano transformou-se justamente em um símbolo da ação revolucionária para a juventude latino-americana e mundial, revoltada, com diferentes medidas de compreensão, contra o capitalismo mundial.
Foi o autor da famosa teoria do “foco guerrilheiro”, que partia da idéia mestra de que, sendo a situação mundial profundamente revolucionária, a ação de um punhado de homens decididos, armados, poderia galvanizar o povo e leva-lo à revolução contra o imperialismo inimigo dos povos e contra a burguesia. Esta teoria foi a generalização apressada e equivocada da experiência da Revolução Cubana de 1959 onde, segundo as aparências, as coisas teriam se passado exatamente assim.
A combinação entre o sucesso dos revolucionários cubanos, o exemplo heróico do Che, a predominância da pequena-burguesia nos movimentos revolucionários deu à esquerda uma rota para a ação desastrosa dos diversos movimentos foquistas e guerrilheiros de diversos tipos que foram comuns não apenas na América Latina, mas em todos os continentes, inclusive nos próprios países imperialistas como os Estados Unidos, a Alemanha, a Itália etc.
O guevarismo, entendido como doutrina da guerra de guerrilhas, do foco guerrilheiro, não prosperou. Os antigos guerrilheiros dos MLN Tupamaros, dos Montoneros e diversas outras organizações inspiradas nesta grande onda política dos anos 60 e 70, chegaram em sua maioria ao poder onde mostraram o total fracasso do seu nacionalismo antiimperialista formando um enorme colchão de ar entre as tendências revolucionárias das massas e o estado capitalista dominado, ainda mais que antes, pelo imperialismo. No Brasil, o governo Lula e o PT é o governo dos representantes de todos os movimentos pequeno-burgueses, “guerrilheiristas” e foquistas, como o ex-futuro chefe da guerrilha no Brasil, treinado em Cuba e repatriado para o Brasil, onde tornou-se não chefe guerrilheiro, mas empresário, José Dirceu, comandante do “mensalão” no Congresso Nacional.
As teorias guerrilheiras foram substituídas e soterradas, a partir da segunda metade dos anos 70, pelas grandes mobilizações de massa revolucionárias da classe operária na Polônia, em Portugal, no Irã, na Nicarágua, no Brasil e em muitos outros lugares que botaram abaixo, ao mesmo tempo, as ditaduras estabelecidas a pretexto das guerrilhas e as teorias sobre o poder incendiário do “punhado de homens armados decididos”.
Significa isso que o legado do Che Guevara é estéril e que o seu exemplo esteja destinado a se transformar em uma estampa, um logotipo de juventude rebelde, mas sem rumo político algum?
De forma alguma. A política e as revoluções são um produto das leis históricas. Mas as revoluções são feitas por homens de carne e osso. A lei histórica somente pode existir e agir através da ação e das qualidades superiores dos seres humanos. Somente através da devoção a uma causa, da integridade de propósito, do caráter inconciliável da luta, da coragem, do desprendimento, da dedicação e de arriscar tudo pelas necessidades da luta é possível fazer com que uma revolução seja vitoriosa. Os burocratas, os carreiristas, os oportunistas, sem fé em coisa alguma, sem convicção nenhuma, sem envergadura moral nunca farão uma revolução. Neste sentido, Che Guevara é um exemplo extraordinário. A este exemplo deve-se juntar uma doutrina correta, marxista, socialista e coloca-los a serviço da organização revolucionária da classe operária para a vitória do socialismo. Nestes 40 anos do seu assassinato pelas forças obscurantistas do mundo, seu exemplo deve ser lembrado e estudado.
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Comentários e respostas___________________________________________________________
Paulo Edson Silveira (Juiz de Fora - MG)
20/2/2007 - 21:09:56
Ilmo. Companheiro Rui Costa,
O exemplo ímpar de Ernesto Che Guevara, deve ter como parâmetro básico o desprendimento material e pessoal, que o mesmo possuía. Após seu assassinato brutal por ordem da velha CIA, a esquerda latino-americana declinou, e velhas oligarquias continuaram no poder. Após a queda do Muro de Berlim, a ideologia capitalista se intensificou, só que as contradições do capitalismo, parecem não poder serem superadas. Têm que se analisar o exemplo do Che,e olhar-se por exemplo, se Hugo Chaves e Evo Morales serão herdeiros da esquerda revolucionária, isto parece prezado companheiro Rui, que só o tempo e a história nos dirão. Fraternalmente, Paulo
Taiguara Villela Aldabalde (São Paulo - SP)
22/2/2007 - 19:10:18
Saudações Companheiro Rui Pimenta,
Como não é possível deixar de notar suas palavras no artigo sobre Che Guevara sem comentá-las: "Somente através da devoção a uma causa, da integridade de propósito, do caráter inconciliável da luta, da coragem, do desprendimento, da dedicação e de arriscar tudo pelas necessidades da luta é possível fazer com que uma revolução seja vitoriosa." Concordo e o admiro muito por você ser um dos poucos idealistas deste país. Acreditar é de fato o primeiro passo para qualquer conquista, mas é preciso ter cuidado já que o idealismo não promove mudanças e sim as orienta e condiciona. O que promove revoluções é um Plano de Ação e a Coordenação e Execução deste Plano, como fizeram e executaram os que você intitulou gnosticamente de "forças obscurantistas do mundo". Numericamente os agentes históricos por trás das grandes decisões mundiais não são muitos, o PCO possui muito mais membros do que o número de indivíduos das 200 famílias que detém 80% da riqueza mundial{As Novas 200 Famílias - as dinastias do dinheiro, do poder financeiro e económico}. Os Estados e seus aparelhos policiais e militares são meros empregados destes indivíduos. Por tanto não se trata do número, mas do capital humano, material e Imaterial que se pode usar a favor da defesa do interesse ou causa em questão.
Taiguara Villela Aldabalde (São Paulo - SP)
22/2/2007 - 18:43:58
Saudações Fraternais Sr.Pimenta,
Gostaria de complementar seu artigo colocando em questão a super-exploração da imagem de Che Guevara em detrimento de sua verdadeira persona política.Certamente seus admiradores de conhecimento superficial
desconhecem a frase:“Dos países que visitamos, a Coréia do Norte é um dos mais extraordinários" que consta na página 219 da obra "Che Guevara: A Vida em Vermelho" de Jorge Castañeda, tradução de Bernardo Joffily. Hoje, com a globalização sabe-se que a Coréia do Norte é uma verdadeira Monarquia que se fundamenta em conceitos como o "Sangue Revolucionário", o que me parece verdadeiro um testemunho anti-visionário da imagem de Guevara.
"Adoro o ódio eficaz que faz do homem uma violenta, seletiva e fria máquina de matar" - Além de suas próprias frases comprometerem sua sustentação como referência para os dias de hoje, poderia ser citado aqui um dos casos de crueldade vindos de Guevara, tal como o relato do comandante de uma coluna, que afirma que Che chegou a executar um subordinado que furtara comida.
Muitos pseudo-intelectuais que se dizem socialistas e comunistas idolatram Che e defendem que tudo que ele fez foi dedicado a um ideal, estou certo que sim, mas por uma alemanha forte e soberana assim fez o nacional socialista Hitler, ambos pereceram felizmente.
João André Dorta (São Paulo - SP)
22/2/2007 - 19:31:44
Olá companheiro. Me desculpe, mas penso que igualar Hitler e Guevara é algo um tanto quanto esdrúxulo. A dedicação e disciplina revolucionária empenhada por Che em toda a sua vida, seja na guerrilha cubana, na África ou na Bolívia não tem como ser comparada com a sanha genocida de Hitler. O fascismo não é nada mais que a burguesia utilizando uma forma diferente para conter o avanço revolucionário da classe operária. Independente de qualquer erro que Che tenha cometido seus métodos eram utilizados para propósitos revolucionários, contra a burguesia e o imperialismo.
Everton Souza de Araujo (São Paulo - SP)
22/2/2007 - 19:45:33
É realmente o Che pop, não é uma coisa de agradar, mas o PCO com seu sectarismo intransigente, que leva mais a discussões intelectuais sem soluções e ações de massa, faz de Che sim um exemplo de revolucionário, e até agora eu não vi nenhuma ação do PCO neste ponto, ao não ser teórica, Por isso voto pela união dos trotskistas, não mutúa agressão desse maravilhoso movimento, como é hoje. VIVA a CHE e seu exemplo sim.
RAFAEL MENDES (Gravataí - RS)
23/2/2007 - 08:44:13
QUERIA COMENTAR APENAS QUE DESCORDO PLENAMENTE DA COMPARAÇAO DE CHE COM HITLER; QUEM JA FEZ ESTUDOS DA HISTORIA TEM BEM CLARO QUAIS OS VERDADEIROS IDEAIS DE AMBOS , EO QUE MAIS EU ADMIRO NO CHE FOI SUA SIMPLICIDADE,HUMILDADE,SOLIDARIEDADE COM OS OPRIMIDOS E ACIMA DE TUDO UM GRANDE ESTUDIOSO MARXISTA.REALMENTE UM MARTIR REVOLUCIONARIO....
Rafael Dantas (São Paulo - SP)
23/2/2007 - 09:29:33
A oposição entre os chefes de quadrilha do mensalão e seus aprendizes menores disfarçados de esquerdistas e os verdadeiros revolucionários é caracterizada justamente pela descrição feita pelo companheiro Rui do que fez Che um exemplo. A oposição entre a ação direta, imediatista, inconseqüente e minoritária e a ação consciente e organizada de um verdadeiro partido revolucionário marxista está na eficácia e na avaliação concreta da situação colocada e na adequação dos métodos de luta a seu objetivo: a revolução, o governo operário e o socialismo.
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