Está na hora de lançar uma ampla campanha em defesa do direito de aborto

1º de maio de 2006

O novo ministro da Saúde de Lula declarou-se a favor de um plebiscito sobre a legalização do aborto. Seus motivos são claros: o número de mulheres que sofrem com a lei. Acrescentou, ainda, que o Estado é laico e deve tratar de problemas objetivamente, sem ingerência da moralidade das igrejas.

Quem pensaria que o governo Lula teria um ministro tão progressista? E que este levantaria uma polêmica de tal envergadura em um país onde a Igreja Católica, principal opositora da medida tem tanta presença?

Na realidade, não se trata disso, mas de uma tendência internacional da burguesia. O aborto acaba de ser aprovado em Portugal e trava-se uma luta vigorosa no México em torno da questão. O ministro é, portanto, porta-voz de interesses econômicos muito bem definidos e organizados internacionalmente na área de saúde. Os banqueiros, com suas famosas planilhas de custos, definiram que o aborto faz bem para a saúde não só das mulheres como de determinadas empresas capitalistas.

Mais ainda, estes capitalistas conhecem o óbvio, ou seja, que o catolicismo aparente da população não dá apoio a normas medievais da Igreja em questões morais como no caso do aborto, contracepção em geral, divórcio, sexo fora do casamento, até mesmo porque tudo isso está em contradição com muitas necessidades da vida dos povos.

Tudo isso exige das organizações operárias e populares, em particular das organizações de mulheres, uma ampla campanha em favor do direito do aborto. A posição do ministro transformou a questão em um problema nacional, em um debate nacional, que tende a dividir as opiniões no interior da burguesia e, por conseqüência, da imprensa, dos políticos burgueses, personalidades burguesas em geral. A disputa já está em andamento.

O problema central aqui é justamente não permitir que a campanha em favor da legalização do aborto fique nem na mão do governo Lula, nem na dos banqueiros que estão por trás dele. Nesse caso, o interesse das mulheres será colocado em segundo plano e será concluído um acordo para contentar ambas as alas da burguesia, exatamente o que ocorre no caso do divórcio no Brasil. A lei foi aprovada, mas com inúmeros obstáculos que dificultam a sua realização.

As organizações que defendem as reivindicações das mulheres devem exigir que seja aprovada uma lei permitindo o aborto de forma incondicional.
Quanto maior a mobilização realizada, maior será o resultado.

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