13 de maio: abolição, revolução frustrada IX

20 de maio de 2007

A política de segregação e embranquecimento tem constituído um verdadeiro "pacto racial" no país através da cooptação de uma ínfima minoria de elementos da população negra que formam uma exceção notável no quadro de espantosa opressão e exploração da quase totalidade da população negra no país. Cooptação esta que tem como base fundamental a extraordinária rigidez da situação social do negro brasileiro o que a torna ideologicamente a única alternativa para o negro sem consciência nacional ou de classe, ou seja, sem consciência revolucionária, em geral o negro que, a duras penas, galgou a escada social para alcançar o patamar da classe média urbana.

Este pacto, assim como as demais características do status quo historicamente estabelecido no país - unidade entre o Brasil desenvolvido e o Brasil atrasado, entre a burguesia nacional e o imperialismo, entre a classe operária e o Estado burguês, entre o latifúndio e o restante do país - estão se transformando em cacos diante da pressão gigantesca que exerce sobre o conjunto do país a crise capitalista mundial e o imperialismo. A questão negra tende a sofrer uma completa subversão com a liquidação do pacto e a emergência da questão nacional da população negra.

Os sintomas desta situação já se fazem sentir tanto na crise da maioria das organizações negras tradicionais e em diversas manifestações, tanto no interior das próprias populações negras, como nas demais organizações do país, inclusive nas instituições do Estado. Fica como sintoma a transformação no ano passado do dia 20 de novembro em data oficial e o ingresso de Zumbi no panteão (duvidosa honra) dos “hérois” nacionais ao lado dos bandeirantes que o massacraram e do Duque de Caxias que chefiou o exército "negreiro" da guerra do Paraguai.

 

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