No dia 11 de agosto próximo, a União Nacional dos Estudantes estará comemorando o seu 70º aniversário

21 de fevereiro de 2007

Criada no período contra-revolucionário que antecede o golpe do Estado Novo semi-facista de Vargas, esteve nas mãos do governo ditatorial até a guinada da burguesia para as posições “democráticas” do imperialismo. Seguiu o nacionalismo burguês, como de resto a quase totalidade da esquerda, durante a “República Liberal”. Pega desprevenida e impotente pelo golpe militar de 64, manteve-se na clandestinidade até ser destruída pela ditadura militar no famoso congresso de Ibiúna em 1968. Reconstruída em 1980 pelo movimento revolucionário dos estudantes contra a ditadura dos anos 70, cai sob a direção da oposição burguesa “democrática” agrupada no MDB, sob cuja direção continuaria até os dias de hoje, com crises e interrupções.

Alguns dos seus mais conhecidos dirigentes como José Serra, José Dirceu, Vladimir Palmeira e Aldo Rebelo são figuras de proa do regime e deixaram para trás, há muito, suas veleidades e quimeras revolucionárias para se transformar, sem qualquer atenuante, em opressores do povo, em instrumentos da exploração capitalista e do estrangeiro imperialista, em carreiristas que usam a política como meio de alpinismo social, como fachada de um regime de corrupção, miséria e fome de milhões de brasileiros.

Com exceção da burocracia privilegiada e aproveitadora que dirige a entidade septuagenária, que mente por puro dever de ofício e interesse, ninguém em sã consciência pode negar que a UNE encontra-se hoje em seu nadir.

A UNE é hoje uma entidade paralisada pela sua completa subserviência à política de um governo pró-imperialista. Transformou-se em um cúpula sem qualquer vinculação com o mundo real dos estudantes, uma mera máquina burocrática, um escritório que arrecada fundos para a eleição dos políticos burgueses do PCdoB e realiza negócios com os capitalistas das escolas pagas.

A razão para esta crise está no abismo que se abriu entre os milhões de estudantes universitários brasileiros e uma diminuta cúpula burocrática completamente integrada ao regime político pró-imperialista. Este é o resultado acabado da integração entre as correntes políticas pequeno-burguesas e a burguesia em função do estabelecimento do regime “democrático”. A reabertura da crise capitalista fez com que o regime político se abrisse para a esquerda que abandonou completamente suas posições revolucionárias em função da sua adesão, natural do ponto de vista de classe, à ideologia democrática imperialista em voga.

Os dirigentes da UNE, filiados ao PCdoB, organizaram-se ao final da ditadura, de fato, como a fração estudantil da oposição burguesa que, até ali, havia colaborado com a ditadura militar. Sob a organização formal do PCdoB surgia a ala estudantil dos grandes capitalistas com um programa de conciliação com a ditadura, de negociação do futuro do regime com os militares e de defesa do capitalismo.
Apesar da hostilidade objetiva entre o movimento de luta da classe operária e da juventude dos anos 80 e o PCdoB, principal representante da política burguesa militante nas organizações operárias e populares, as organizações de esquerda que atuaram no PT e na CUT, do PSTU até a Articulação de José Dirceu e Lula, buscaram a todo o tempo a aliança com esta ala da burguesia que passou de inimiga da CUT, quando esta se apoiava na luta dos trabalhadores, a facção da CUT quando o movimento operário foi estrangulado pela burocracia lulista. Na UNE, a atual direção foi derrotada por uma ampla frente de esquerda no final dos anos 80, para retornar ao comando pelas mãos da esquerda do PT, hoje no PSol, quando da formação da frente “popular” entre o PT e a burguesia em 89.

A política burguesa levou a UNE ao seu atual estado de coma. Nestes 70 anos, torna-se necessário um balanço que sirva como base para uma política feita sob medida para uma nova fase, de total ruptura com este passado, para a entidade histórica do movimento estudantil brasileiro.


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