22 de maio de 2007 Os estudantes estão se mobilizando para impedir que o governo Serra mostre à sociedade os gastos da universidade, é o que diz, abusando claramente da inteligência do povo de S. Paulo, o atual secretário da Educação do governo Serra, José Aristodemo Pinotti. O cinismo, para não ofender todos os ouvintes, precisa ser sutil. Não é o caso do secretário do governo paulista. Na realidade, o que ele diz sequer faz sentido. A universidade de S. Paulo foi criada há mais de meio século. Só com o decreto de Serra é que a “sociedade” vai saber como dinheiro é gasto? Mesmo nos lamentáveis governos burgueses, incompetentes e antipopulares, deveria haver uma lei que exigisse um determinado nível de seriedade dos seus componentes para poupar a sociedade de tal rebaixamento do debate político. O próprio secretário, ademais, declarou aos jornais que o decreto retira poder da administração da universidade para dispor das suas verbas. É possível duvidar que o que temos aqui é o primeiro passo de um processo para retirar da universidade o pode de dispor das suas verbas? Isso não é tudo. A pergunta realmente importante é: onde Serra e Pinotti querem chegar com o seu decreto? Excluindo, naturalmente, o absurdo de que queiram... iluminar a sociedade sobre os gastos do governo... A resposta também não será misteriosa: reduzir as verbas da universidade. E por que reduzir as verbas da universidade? Para dar dinheiro a quem tem dinheiro sobrando: banqueiros e grandes milionários capitalistas em geral que, quem diria, colocaram Serra no governo exatamente para este propósito. Na realidade, é só isso o que governos como Serra e Lula fazem com o dinheiro público. A educação pública brasileira vem sendo destruída gradativamente pelos sucessivos governos capitalistas que passam por democráticos. Serra entregou a prefeitura da maior cidade da América Latina ao esquizofrênico Gilberto Kassab. Mais uma tentativa de iluminar a população? Serra foi ministro de FHC, governo do qual ninguém quer ouvir falar, mergulhado até o fundo da alma na corrupção e no favorecimento descarado de grandes grupos econômicos nacionais e internacionais, porém, sempre com a contrapartida da miséria do povo. No entanto, o seu secretário considera que ninguém os conhece, que ninguém nunca os viu em ação, que ninguém sabe o que pretendem e o que estão fazendo. Daí que este extraordinário secretário tente transformar suas vítimas, os estudantes universitários, fraudados por este governo, em vilões. O secretário de Serra também não tem senso de medida e de proporção e acrescenta: “não é justo que os universitários imponham seus cálculos, seus números, aquelas que acreditam ser as suas necessidades acima do conjunto da população”. Pinotti e Serra, os defensores da pobre população oprimida pelos estudantes. O secretário inegavelmente poderia trabalhar como comediante em alguns bares de S. Paulo onde o público, naturalmente, não seja muito exigente. Ouvindo esta declaração, se morássemos na Riviera Francesa, poderíamos pensar que o “conjunto da população” foi consultado por Serra para baixar o seu decreto. Se morássemos mais perto, por exemplo, em Montevidéo, poderíamos pensar que, pelo menos a comunidade das três universidades ou, quem sabe, os três reitores foram consultados. Pelas reações, vemos que não, o que é surpreendente. Provavelmente, nem o próprio Pinotti foi consultado, mas é obrigado a defender o seu mestre sob pena de defenestração da secretaria, o que é compreensível. O secretario iluminista não se contenta com todas estas tiradas e produz ainda mais uma. Não é o governo e a reitora da USP que querem usar a polícia de maneira antidemocrática contra a manifestação política dos estudantes da USP e ameaçam usar de violência para obrigá-los a aceitar a democracia das decisões unilaterais de Serra et caterva. Não, são os estudantes que querem usar a violência para desacreditar o governo, a polícia e o sistema judiciário... O que é necessário mais dizer? Serra tem vocação circense. Depois de entregar a indefesa população paulistana ao incontrolável Kassab, encontrou um secretário da Educação que fará a sua fama como humorista na tragédia da educação brasileira e paulista. Faça um comentário Comentários e respostas
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