23 de abril de 2007 Os ataques da burguesia contra a população, no Brasil, tanto quanto em qualquer lugar do mundo é feito em nome de chavões vazios de conteúdo que, supostamente, representariam valores consensuais da sociedade ou até mesmo universais. Grandes companhias de petróleo querem roubar, como criminosos comuns, as reservas petrolíferas de um pequeno país do Golfo Pérsico? Será feito em nome da democracia contra a “tirania”. Governos de corruptos que recebem propinas dos grandes bancos querem privatizar o mercado gordo das aposentadorias? Será feito em nome da obrigação de trabalhar, do vergonhoso que é viver às custas dos outros sem trabalhar. Governos de velhos pelegos, que subiram na vida e na carreira política explorando os trabalhadores, querem conter a luta justa dos trabalhadores contra eles, impedindo as greves? Será feito em nome das necessidades essenciais da população, a mesma que não pode fazer greve. Hipócritas reacionários e santarrões que nunca se preocuparam com a vida de ninguém querem oprimir as mulheres para reforçar o seu poder sobre o povo, condenando o aborto e o divórcio? Será feito em nome da defesa da vida e da defesa da família. A burguesia é uma classe decadente que explora tais idéias genéricas para favorecer a política de aves de rapina sobre o povo. Sua ideologia é composta de chavões que são repetidos mecanicamente pela imprensa que, além de capitalistas, aluga despudoradamente os seus serviços de “informação neutra e imparcial” para a melhor oferta dos governos e das grandes empresas. Não é outra coisa o que ocorre com a farsa montada pelo prefeito Gilberto Kassab contra o povo de S. Paulo ao estabelecer a lei da cidade “limpa”, a limpeza sendo também um destes valores universais. A “limpeza” em questão, em uma das cidades mais maltratadas do mundo por todas as suas administrações, seria a limpeza da “poluição visual”. A “poluição visual” é um chavão mais moderno, que se tornou “tradicional” e supostamente consensual pela repetição imbecilizante desta mesma imprensa e de pseudo intelectuais universitários. Mas, o que, exatamente, é poluição visual? Cada um pode escolher: cartazes comerciais, outdoors, propaganda política ou outra, cores berrantes nos edifícios. Na realidade, como todos estes conceitos pretensamente universais a expressão não tem conteúdo algum. O que é poluição visual para uns poderá ser o colírio dos olhos dos outros. Onde e quando na história do mundo houve consenso sobre os problemas da estética? A revista Veja, sempre a postos para campanhas absolutamente isentas com esta, publica na sua edição desta semana uma matéria de capa – as matérias de capa são mais lucrativas para as revistas idôneas e imparciais – a seguinte manchete exclusiva: “Começou a faxina”. Esta eloqüente saudação é seguida pelo intrigante subtítulo: “o que a lei Cidade Limpa a já fez por S. Paulo e o que ainda falta fazer. No interior da revista, comicamente, mostram prédios sujíssimos e, em geral, caindo aos pedaços e placas em branco em oposição aos anúncios comerciais. Não faltam mesmo no interior da matéria pessoas, com grande autoridade estética, que falam com ênfase da urgência e do benefício de tal reforma. Esta farsa absurda vai sendo imposta à população pela violência coercitiva dos meios de pressão congregados para fazê-la. Embora seja inútil discutir a beleza da cidade, qualquer pessoa normal, ou seja, aquela maioria que não tem todas as horas do dia um símbolo de cifrão nos olhos, como nos antigos desenhos animados, sabe que há muita coisa importante e não arbitrária para fazer em termos de urbanização da cidade tanto na periferia, onde moram os condenados a pena perpétua de sofrimento pelo capitalismo, como nos bairros centrais, que constituem o purgatório e o limbo da maravilhosa sociedade capitalista. Qual é a razão deste enorme esforço de manipulação? Descartando a impossibilidade de que o prefeito do DEM, ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena, esteja investindo seu tempo e dinheiro para deixar a cidade bonita como se fosse um decorador de ambiente, um paisagista ou aluno da FAU, só podemos supor que esta aventura estética vai custar caro à população, que um grande monopólio se prepara para dominar todo este mercado na cidade de S. Paulo às custas dos pequenos e médios comerciantes e da população em geral. Desta forma, o que temos aqui é a continuação daquilo que sempre foi: “importantes” reformas para encher o bolso de umas poucas máfias que vão se enriquecendo como parasitas da maioria que trabalha. Faça um comentário Comentários e respostas Carlos Torres (Salvador - BA) Fernando Brás Carsdoso Pereira (Francisco Morato - SP)
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