23 de fevereiro de 2007 Nos dias 25, 26 e 27 de março de 1922 reuniram-se em Niterói, nove delegados que representavam 73 militantes de cinco estados do País e um punhado de cidades, para fundar o primeiro e o único verdadeiro partido da classe operária que já existiu no Brasil, o Partido Comunista Brasileiro. Os delegados eram os trabalhadores e revolucionários Abílio de Nequete, barbeiro; Astrojildo Pereira, jornalista; Cristiano Cordeiro, contador; Hermogêneo Silva, eletricista; João Jorge da Costa Pimenta, gráfico; Joaquim Barbosa, alfaiate; José Elias da Silva, funcionário público; Luis Peres, operário vassoureiro e Manuel Cendón, alfaiate. Os militantes que fundaram o PCB eram incontestavelmente a vanguarda de um longo processo de amadurecimento da classe operária brasileira. Eram os dirigentes das grandes greves operárias das duas primeiras décadas do século, eram pioneiros da organização sindical operária, estavam na linha de frente da luta ideológica que se desenvolvia no interior do anarquismo, força dominante na época, constituindo a sua ala revolucionária e os primeiros que compreenderam a importância da Revolução Russa de 1917 e as mudanças que ela implicava necessariamente para o proletariado brasileiro. O surgimento do PCB, organizando politicamente a classe operária pela primeira vez, pôs um ponto final aos preconceitos anarquistas, encerrando 20 anos de hegemonia sobre os sindicatos. O próprio movimento sindical, apoiado em sindicatos minoritários e de ofício, foi reorganizado de acordo com as diretrizes da III Internacional de construir grandes sindicatos de massa por ramo industrial. O stalinismo iniciaria nos anos 20 a destruição do partido operário que seria concluída em 1935. Os historiadores gostam de lembrar do partido comunista dos anos 40, 50 e 60 pelo prestígio de que gozou na sociedade burguesa e pelo seu número, apesar da sua congênita covardia política e da sua completa incapacidade de largar a cauda política da burguesia. No entanto, o partido stalinista que surgiu após os anos 40 retirou todo o seu capital político do antigo partido operário dos anos 20, sem prestígio na sociedade burguesa, mas com crescente autoridade sobre a classe operária. A importância adquirida pelo Partido Comunista na década de 20 pode ser vista por todo o desenvolvimento da Revolução de 30, particularmente pela completa instabilidade em que se colocou o governo revolucionário. A presença da organização de vanguarda da classe operária impediu que o nacionalismo burguês, naquele momento, o tenentismo, conquistasse uma efetiva direção sobre a classe operária. Neste caso, é importante acrescentar como parte de toda a equação a presença da oposição trotskista que se propunha a fazer o papel de alter ego do partido comunista oficial e cuja pressão minoritária condicionava em uma boa medida a ação da maioria. Um outro elemento fundamental, a presença de um importante movimento de extrema direita, fascista, o Integralismo, mostra o nível de desenvolvimento atingido pela classe operária ao início dos anos 30. O integralismo terá sido, provavelmente, o maior movimento de extrema-direita criado fora dos países imperialistas nos anos 30, o que dá uma medida da importância do movimento revolucionário da classe operária. A história do Partido Comunista Brasileiro, antes e depois do Estado Novo, está ainda por ser escrita. A maior parte da historiografia referente a este tema fundamental para a compreensão da luta revolucionária da classe operária no Brasil foi tratado, ou por historiadores norte-americanos – cuja banalidade, apesar do enorme aparato de pesquisa – é evidente ou por historiadores stalinistas, entre os quais pontificam os piores entre os piores, os chamados “gramscianos” (pobre Antonio Gramsci!) que transformaram a história de um partido operário no épico da evolução dos operários para o Olimpo da democracia burguesa, uma história teológica e insípida.
Faça um comentário Comentários e respostas Alceu A Sperança (Cascavel- PR) Jane Mabel (Campinas - SP) Leandro Monerato (Campinas - SP) Henrique (Campinas - SP) Raphael Simoni Rodrigues Pereira (São Paulo - SP) João (São Paulo - SP) Maurício (João Pessoa- PB) Pedro (Petrópolis- RJ)
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