24 de fevereiro de 2007 A União Nacional dos Estudantes, desarticulada pelo regime militar a partir do 30º Congresso de Ibiúna em 1968, foi reconstruída em 1979, no 31º Congresso de Salvador, na Bahia. Este fato foi o resultado de um importante processo de luta que teve o seu ano decisivo em 1977. Era o mês de março, a ditadura militar estava encabeçada pelo quarto general-presidente, Ernesto Geisel. A ditadura, que havia superado a crise de 68 e destruíra todas as tentativas guerrilheiras, abrindo caminho para um grande crescimento econômico na primeira metade dos anos 70, havia sido ferida de morte pela reabertura em caráter geral da crise capitalista em 1974, que havia liquidado o chamado “milagre econômico brasileiro” com taxas de crescimento de 10% ao ano. Os estudantes da USP, para espanto geral, desafiavam a ditadura, realizando a primeira passeata de protesto no País depois de 1968. A passeata saiu da USP, atravessou a ponte da Eusébio Mattoso sobre o Rio Pinheiros e chegou ao Largo de Pinheiros, onde foi realizado um ato público. Os meios de comunicação burgueses, boa parte dos quais já havia se ligado à oposição burguesa à ditadura noticiaram o fato. Uma rádio transmitiu os acontecimentos ao vivo. Em maio, no dia do trabalhador, algumas oposições sindicais organizam atividades contra o sindicalismo do regime e contra o regime. No mesmo mês, novas manifestações estudantis acontecem com milhares de estudantes no centro de S. Paulo. No dia 22 de setembro ocorre a famosa ocupação da PUC pela polícia da ditadura, dirigida pelo então secretário de Segurança do governo estadual, o folclórico e reacionário Erasmo Dias, para reprimir o III Encontro Nacional dos Estudantes, o ENE, realizado com vistas à criação da Comissão Pró-UNE. Mais de 1.000 estudantes foram presos e dezenas feridos. Entre os presos estavam desde alunos de primeiro ou segundo ano da Faculdade, que tinham 17 ou 18 anos, até lideranças estudantis importantes. Entre os feridos mais graves estavam as três estudantes que sofreram queimaduras terríveis, provocadas por bombas lançadas naquela noite pelas forças policiais. 92 lideranças foram enviadas ao DOPS para interrogatório e destas, 32 foram enquadradas na Lei de Segurança Nacional. O movimento, no entanto, não parou de crescer e, depois da reconstrução da União Estadual de Estudantes em S. Paulo e em outros estados, o Congresso de Refundação da UNE reuniu em Salvador cerca de 10 mil estudantes de todos os estados do País. Em 1974, uma grande mobilização na Escola de Comunicação e Artes, ECA, da USP, dá inicio à reformulação das organizações estudantis e ao crescimento da militância política na principal universidade do País. Em 1976, o movimento estudantil reconstrói o DCE-Livre da USP, batizado “Alexandre Vanucchi Leme, em homenagem ao estudante de Geologia daquela universidade assassinado pela ditadura em 1973. Após a fundação da UNE, o movimento estudantil vai entrar em declínio. O movimento estudantil dos anos 74-80 foi a expressão revolucionária dos filhos da burguesia e da pequena-burguesia na luta contra o regime militar. No seu interior formaram-se e fortaleceram-se todos os partidos e correntes de esquerda que viriam a ter uma participação de relevo na política nacional. Ele se desenvolveu, contra a opinião de tendências moderadas, sob a palavra-de-ordem revolucionária de “abaixo a ditadura”, que se opunha à política de colaboração entre a oposição burguesa e o regime para obter uma “transição” negociada que preservasse as principais conquistas obtidas pela burguesia sob o regime militar. Seu limite esteve dado pela hegemonia, conquistada pouco a pouco na luta contra as tendências revolucionárias e trotskistas no interior do movimento estudantil, pelas representações da burguesia neste movimento como o eram o PCdoB, o PCB e outras organizações da esquerda pequeno-burguesa como a Ação Popular, o Movimento pela Emancipação do Proletariado e grupos centristas como os predecessores do atual PSTU. O movimento estudantil de 77 será um dos fatores que estimulará a entrada em cena de um poderoso movimento grevista da classe operária cujo centro foram as greves dos metalúrgicos do ABC de 78, 79 e 80, traídas todas pela sua direção, a burocracia lulista. Após a fundação da UNE, a liderança do PCdoB, com o apoio aberto ou velado das tendências pequeno-burgueses, levará o movimento a um alinhamento cada vez maior com a política da oposição burguesa, do MDB, depois PMDB. A subida da oposição ao governo em 85, com a dupla Tancredo-Sarney, levará a direção da UNE, presidida naquele momento por Aldo Rebelo, a transformá-la em um departamento do Ministério da Educação, dirigido naquele momento pelo prócer da ditadura, Marco Maciel. Faça um comentário Comentários e respostas
|