O ponto de inflexão da crise mundial

25 de abril de 2007

Bush veio ao Brasil. Lula foi ao santuário de Camp David. O prato principal, a questão do etanol. A razão alegada: a necessidade de combater o efeito estufa e o aquecimento global. Todos sabem que os diferentes governos dos EUA sempre se opuseram à política de proteção ambiental. Não assinaram o protocolo de Kyoto, apoiado pela maioria dos países imperialistas. Agora, transformam-se nos maiores paladinos da defesa da ecologia.

A mudança de posição do imperialismo sobre o problema e a sua descoberta do etanol, em funcionamento no Brasil há mais de três décadas, no entanto, é um reconhecimento indireto e procura ocultar o completo fracasso estratégico do imperialismo no Iraque. Segundo a maioria dos analistas, a guerra está perdida e os norte-americanos serão obrigados a sair do Iraque. A derrota norte-americana é uma derrota estratégica. O imperialismo dá para os governos e povos do mundo uma extraordinária demonstração de incapacidade militar e política, ou seja, uma demonstração de fraqueza semelhante à fornecida pela derrota no Vietnã em meados dos anos 70. Este debilitamento vai levar a um crescimento das oposições antiimperialistas em todos os países do Oriente Médio e, provavelmente, todos os países produtores de petróleo e oprimidos pelo imperialismo. O primeiro a sofrer com a crise do regime político é a Arábia Saudita, onde a oposição, que vem crescendo há muitos anos, busca a derrubada da monarquia. O crescimento no Iraque, no Afeganistão e em outros países da organização Al-Qaida, dirigida por um dos membros da elite saudita é um sintoma disso, apesar de toda a perseguição brutal do imperialismo. Outro sintoma deste enfraquecimento foi a retirada forçada das tropas de Israel no Sul do Líbano quando, sobre a base de um pretexto, decidiram ocupar o país para liquidar as bases da guerrilha do Hezbolá, apoiado pelo Irã. Outros sintomas são a incapacidade de resolver pela pressão e pela força o problema nuclear no Irã. O governo dos EUA, cuja política era não negociar com o governo iraniano está se sentando à mesa nesta semana com ele em uma conferência para resolver pela diplomacia a crise iraniana. O mesmo pode ser dito do claro recuo do imperialismo diante da política nuclear da Coréia do Norte.

O fracasso iraquiano, não pode haver qualquer dúvida, é o ponto de inflexão da crise mundial.

A maior demonstração desta guinada política de longo alcance na situação mundial é a completa decomposição da política dita “neoliberal” ou do Consenso de Washington em todo o mundo. No Brasil, esta política colocada em prática com vigor por FHC e Lula, está sendo repudiada por um amplo espectro da própria burguesia que busca uma mudança de rumo. Nos países economicamente mais débeis do continente, como Argentina, Bolívia e Venezuela, a burguesia tomou completa consciência da necessidade desta guinada. Encerra-se, portanto, o enorme esforço do imperialismo para dar uma saída estratégica à crise dos anos setenta. Este esforço iniciado nos anos 80 na Inglaterra e nos EUA e que ganhou amplitude mundial nos anos 90, tendo sido o Brasil, um dos últimos a aderir, manifestou-se em uma política de rapina das conquistas da classe operária e dos países atrasados durante o período de relativo crescimento capitalista dos anos 50. Revela-se que a política do “neoliberalismo” e do “Consenso de Washington”, longe de ser uma solução estratégica, foi, na realidade uma expediente que não conseguiu abrir uma via real de superação da crise histórica do capitalismo que se reabre na mesma medida em que tais recursos vão se esgotando.

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