Crise política e militar e crise mundial

27 de abril de 2007

Há muitos momentos na história em que paradoxalmente, a crise econômica é um reflexo direto da crise política. É o que vemos hoje na crise política e econômica mundial em marcha na esteira da crise da ocupação norte-americana no Iraque.

O imperialismo, assim como a dominação colonial antes dele, é simplesmente impensável sem uma supremacia militar mundial. Após a II Guerra Mundial, tem sido o poder militar dos EUA o responsável pela estabilidade internacional em um período de crise histórica do capitalismo. Isso diz respeito também, diretamente, à estabilidade econômica. Sem polícia e repressão não haveria nem o capitalismo nem nenhum outro regime de exploração econômica.

Um exemplo claro é o que ocorreu quando os EUA foram derrotados no Vietnã. A economia mundial estava em declínio desde o final dos anos 60, sem que isso viesse à tona em uma crise geral, até 1974, quando estourou a recessão conjunta dos principais países imperialistas. A situação era controlada pela dominação incontestável do imperialismo norte-americano sobre os demais países tanto política, como econômica e militarmente. A economia mundial deve ser compreendida como uma forma específica de relação de forças entre as classes sociais e Estados nacionais e não como mera equação econômica, como quer apresentar a burguesia mundial.

A crise do imperialismo deverá trazer à superfície a insegurança latente no mercado financeiro internacional, que já se expressa na crise da Bolsa de Xangai e, mais propriamente, na crise da China, que é um dos pontos nevrálgicos da economia norte-americana e mundial, também como agudos sintomas de crise.

Estamos caminhando para uma recessão nos EUA que é um reflexo evidente da fraqueza política do País. O enfraquecimento geral da economia norte-americana já emite sinais de que vai levar à desvalorização brutal do dólar, o que fará com que os bancos invistam pesadamente para segurar a moeda. A queda da bolsa de Xangai foi um dos fatores que evidenciou a gravidade da crise que está por vir. A crise avança através da combinação da desestabilização dos elementos que compõem a economia mundial.

As tentativas do imperialismo mundial de superar a crise dos anos 70 resultaram, como era de se esperar em um agravamento da crise e, potencialmente, em um agravamento de todos os fatores de crise, como se pode ver na questão das finanças internacionais e da dívida pública dos estados.

A crise do imperialismo mundial não é apenas um fenômeno conjuntural, mas na realidade histórico, fazendo parte de um longo processo de amadurecimento das contradições próprias do capitalismo que se manifestaram claramente nas cinco primeiras décadas do século XX, sofrendo depois um breve recuo para retomar a crise de uma plataforma superior. As crises localizadas, como do Iraque, da Palestina, da América Latina etc. não podem ser entendidas a não ser colocadas sobre o panorama mais amplo do processo histórico de crise mundial.

 

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