AIDS: doença e capitalismo no século XXI
27 de novembro de 2006
A AIDS é o maior desafio epidêmico já enfrentado pela humanidade desde a peste negra que assolou a Europa na Idade Média. Os números dão a dimensão da crise e dos sofrimentos que a humanidade atravessa sob este flagelo maior que é o capitalismo em decadência: mais de 25 milhões de pessoas já morreram em função da doença. A média de mortalidade é superior a três milhões de pessoas por ano. São aproximadamente 50 milhões de seres humanos infectados por uma ofensiva feroz que aumenta a sua colheita a uma proporção de 10% ano.
Mais de 50% deste flagelo em número de seres humanos está concentrado, como não poderia deixar de ser, no canto mais pobre, mais oprimido, mas explorado do planeta, ou seja, no continente africano. A segunda porção de terra mais afetada, dentro de um roteiro macabro, é a Ásia, seguida pelas Américas do Centro e do Sul e pela Europa Central.
O roteiro de viagem da doença praticamente dispensa explicações. Não é uma doença, mas uma expressão da miséria, da vulnerabilidade do homem diante dos flagelos em virtude da sociedade em que vive.
Em todas estas regiões, a AIDS vem se juntar à fome, ao desemprego em massa, à miséria da população rural, às péssimas condições de vida, de infraestrutura urbana, de saúde, de educação, de moradia, que são tantas máscaras de uma situação de pobreza, de ausência de desenvolvimento econômico.
Com a crise capitalista, acentua-se a tendência – que muitos otimistas algum dia acreditaram estar extinta – de concentração da riqueza nos países imperialistas, nos pólos mais ricos da sociedade e de pobreza, fome e flagelos diversos ali onde já se concentrava a pobreza. Os dois pólos da sociedade capitalista, agora em escala mundial, tanto quanto dentro de cada Estado nacional em particular, vivem um processo de evolução diametralmente oposto um ao outro.
Não há qualquer dúvida de que, enquanto os países imperialistas vivem uma situação de relativo controle da doença – se podemos chamar de controle a existência de cerca de 5 milhões de pessoas infectadas na Europa, América do Norte e Japão – enquanto que a África está caminhando para uma catástrofe humana sem qualquer precedente na história humana, mesmo sem qualquer precedente do ponto de vista da imaginação humana. Nenhum quadro estatístico poderia expressar de maneira mais terrível o impasse completo do capitalismo do que este: a África perece diante dos olhos do mundo para que os países imperialistas possam retardar o seu colapso inevitável. É este quadro que justifica a velha advertência e grito de guerra do socialismo mundial: a humanidade precisa avançar para o socialismo para que o mundo não pereça na barbárie e destruição, ao abismo ao qual está sendo levado pelo capitalismo.
A luta contra a AIDS, de diferentes maneiras, mobiliza milhões de pessoas, com os mais diversos intuitos. Todos procuram apresentar, como é natural, um quadro positivo de luta contra a monstruosidade desumana da doença. No entanto, não é possível escapar ao veredicto de que os números apresentam um quadro devastador do fracasso da luta contra a doença, quaisquer que sejam os avanços parciais.
A causa dessa situação não é a doença ou a falta de interesse da humanidade que, através de inúmeras manifestações mostra que está disposta a sobreviver. O problema está em que todo o esforço e todas as boas intenções acabam por se materializar em uma situação que está orientada política e socialmente pelo imperialismo. Dada a violência dos efeitos da AIDS esta tornou-se, nos dias de hoje, inegavelmente, a expressão maior da crise que o capitalismo provoca em toda a humanidade e fornece mais uma evidência, esmagadora, de que é necessário combater o capitalismo mundial e ter em vista a sua completa liquidação.
Faça um comentário
___________________________________________________________
Comentários e respostas
| Receba esta coluna por email |
|
|