Bóris Iéltsin

28 de abril de 2007

O falecido presidente da Rússia pós URSS foi saudado, no seu necrológio, pela burguesia mundial como artífice de duas conquistas: a introdução da democracia e da economia de mercado em seu país.

A realidade e os ideais da burguesia podem ser vistos pelo tamanho dos seus heróis. A história de Iéltsin é, neste sentido, um modelo.

Toda a imprensa divulga a fábula moderna de que Iéltsin teria resistido ao golpe militar realizado por uma parte da burocracia e que terminou na destruição da URSS. A realidade é que o conjunto da burocracia, incluindo aí Iéltsin, imediatamente cedeu diante do golpe adaptando-se a ele. Não esperavam a reação da população que viria, sem a ajuda de nenhum setor dirigente, paralisar o golpe e colocar em crise a manobra. O próprio imperialismo norte-americano manteve um silêncio que posteriormente seria constrangedor até que a situação se modificasse desfavoravelmente para os golpistas.

Até hoje há quem na esquerda acredite que o golpe viria salvar o Estado Operário. Esta falta de compreensão não é casual, mas decorre de uma incompreensão do processo político no seu desenvolvimento desde a década de 80, quando os operários poloneses realizaram a maior revolução contra a burocracia stalinista. Ali, toda a camada dirigente da URSS compreendeu que não tinha condições de enfrentar a onda revolucionária e, na sua esmagadora maioria, decidiu enveredar pelo caminho da restauração capitalista como forma de defesa contra a revolução proletária.

Esta restauração foi concebida como uma passagem gradual, sem revolução ou contra-revolução, através das chamadas Perestróika e Glasnost, ou seja, restruturação e transparência. A política da burocracia stalinista sob Gorbachov consistia em uma restauração capitalista pela via das reformas, o que quer dizer, reverter as conquistas revolucionárias sem contra-revolução. Este processo foi detido pela crescente mobilização e pressão operária e popular. As reformas desviaram e alongaram o processo revolucionário, mas não conseguiram anulá-lo. O golpe foi uma ação preventiva diante do crescimento das mobilizações operárias, expressas nas enormes greves mineiras. E o golpe foi consenso no interior da burocracia. Até mesmo Gorbachov ficou paralisado diante dele.

Iélstin não introduziu nenhuma “economia de mercado”, mas provocou o caos na economia do país, agravado pela maior e mais escandalosa operação de roubo e pilhagem da sua quadrilha de ex-burocratas contra a classe operária e o povo russo. Sua democracia, uma mera fachada, mesmo nos degradados termos capitalistas, foi uma manobra obrigatória diante da evolução das massas e acompanhada por uma grande dose de violência, primeiro contra os setores da burocracia que se opuseram a ele e depois contra a população da Chechênia que quis ser independente da “Comunidade de Estados Independentes”.

Iéltsin fez a economia russa recuar décadas e foi chefe da quadrilha de ladrões e corruptos como o magnata transgênico Berezovski que roubava descaradamente a propriedade do Estado enquanto o povo mergulhava no mais negro sofrimento.

O herói está, sem dúvida, à altura dos seus admiradores.

 

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Comentários e respostas___________________________________________________________

Tacio Tinoco (Natal – RN)
5/5/2007 - 12:31:54

Concordo com vc, Boris está a altura dos seus admiradores. Não passava de um burocrata oportunista, covarde e medíocre como todo stalinista. Em nenhum momento teve coragem de se opor ao stalinismo, só fazendo quando isso não representava mais perigo. Levou o povo russo a miséria, fazendo a burocracia se enriquecer com a "venda" da propriedade estatal. Boris não fará falta a ninguém, a não ser a seus admiradores capitalistas.

 

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