Contra os aparatos burocráticos, construir oposições sindicais revolucionárias

30 de abril de 2007

Qual deve ser a política frente às tendências à retomada da mobilização operária e à crise iminente do sindicalismo burocrático que se consolidou nos anos 90? Esta é a pergunta central para os revolucionários neste momento.

Uma pequena parte do ativismo sindical independente que já é por isso uma pequena minoria neste momento, envolveu-se na política centrista do PSTU que propõe a criação de uma nova central sindical porque “a CUT virou uma central governista”.

A justificativa é absurda, mas serve como uma luva para o objetivo real que está por detrás da operação política montada pelo PSTU: colocar o problema no terreno exclusivo dos aparelhos burocráticos. Não se trata de derrubar a burocracia e criar uma nova direção – embora este objetivo seja formalmente apresentado -, mas promover um reagrupamento no marco das atuais instituições burocráticas.

Os sindicatos que se agruparam na Conlutas são tão burocráticos como os agrupados na CUT, seguindo não uma política semelhante, mas exatamente a mesma política daqueles.

Organizações como o Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos, Andes, Fenasps, Receita Federal e outros menores agrupados aí diferenciam-se da burocracia sindical do PT e do PCdoB apenas na retórica e, muitas vezes, nem nisso. São sindicatos dirigidos por uma camada de burocratas privilegiados. Na defesa dos seus crescentes privilégios materiais estabeleceram sólidas ligações com os patrões e os governo burgueses, sem falar na solidariedade interna com toda a burocracia.

Neste sentido, a Conlutas, que foi lançada como parte da proposta do conjunto da burguesia para promover a reforma sindical, nada mais é que uma tentativa de reagrupamento de sindicatos burocráticos.

Não é possível quebrar o monopólio da burocracia sindical petista, a maior e mais poderosa ala da burocracia, através de um reagrupamento. Somente os muito ingênuos se deixaram seduzir por esta manobra burocrática, confundindo-a com a luta contra a burocracia.

O dado elementar do problema é que a burocracia tem que ser derrotada pela ação revolucionária das massas operárias, nunca por uma competição entre aparelhos burocráticos.

A experiência histórica do Brasil e internacional o comprova. Não foi a CUT que colocou em crise o aparelho sindical do velho peleguismo da ditadura militar, mas a classe operária através das suas mobilizações e, neste processo, como parte dele, criou a CUT. Acima de tudo, não foram os sindicatos, então nas mãos da burocracia, que foram a base deste processo, mas as oposições sindicais, ou seja, a representação direta das bases operárias. A única verdadeira oposição que houve na CUT à burocracia foi a corrente CUT Pela Base dos anos 85 e 86, em que pese as suas profundas limitações, na qual a atual “esquerda” não participou e a sua força vinha toda das oposições sindicais.

O caminho para a derrubada da burocracia e a construção de uma nova direção para os sindicatos, uma direção revolucionária, é a construção em todos os sindicatos, independente da bandeira da central sindical com que a burocracia se fantasie, de oposições sindicais revolucionárias formadas pelos próprios trabalhadores de base, sem a participação da burocracia e organizada contra os monstruosos privilégios e a política corruptora da burocracia.

O ponto de partida da construção destas oposições é a completa e irremediável ruptura com a burocracia sindical em todas as suas variantes, mesmo as de aparência mais esquerdista, porque nada mais são que braços da burguesia dentro dos sindicatos. A oposição retórica ao governo Lula, nestas condições, tem tanto valor quanto a oposição retórica do peleguismo, que estava aderindo ao PMDB nos anos 80, ao regime militar.

Outro dado decisivo da situação é o fato de que a burocracia sindical – em todas as suas alas – diante da decomposição das suas frágeis bases no interior das categorias, obtidas através da corrupção e do clientelismo com o dinheiro sindical – apresenta uma clara tendência ao enrijecimento do aparelho sindical, perseguindo oposições, substituindo as eleições por manobras cartorárias e jurídicas, impedindo administrativamente as chapas de oposição para defender, contra a tendência das bases sindicais, os seus privilégios materiais. Esta tendência também é comum a todas as alas da burocracia. As oposições ligadas à Corrente Nacional Sindical Causa Operária foram impedidas burocraticamente de participar de eleições tanto em sindicatos ligados à Conlutas, como os Metalúrgicos de S. José dos Campos e Andes, como em sindicatos ligados ao PT e ao PCdoB como os correios de S. Paulo, Bahia e outros. Diante destas tendências, as “oposições” sindicais de ocasião, ou seja, apenas para disputar uma eleição, tendem a perder fôlego para dar lugar a verdadeiras correntes sindicais revolucionárias cujo objetivo central é, acima de tudo, organizar e mobilizar a classe operária a partir dos locais de trabalho.

A base destas oposições é o programa revolucionário para os sindicatos. No entanto, este programa não pode ser mera fachada, mas deve colocar diretamente o dedo na ferida, ou seja, ser um programa para levar os operários e assalariados em geral a se chocar frontalmente com o acordo estabelecido entre o regime burguês e a burocracia sindical de todas as cores para congelar os salários, defender as demissões em massa, destruir as conquistas operárias e impedir a organização e a luta através de PDV’s, bancos de horas, “participação nos lucros”, abonos, contratos temporários, mecanismos para impedir ou limitar as greves etc. Somente a rejeição de toda esta parafernália da burocracia “democrática” que formou um sistema de contenção e desmoralização da luta operária pode abrir caminho para uma reorganização revolucionária do movimento sindical e da classe operária.

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