Agora ้ a luta: a frente de esquerda se estende at้ o governo Lula

30 de novembro de 2006

Ontem, quarta-feira, foi realizado um ato com cinco partidos PSOL, PCdoB, PRB, PSB e PV na Câmara dos Deputados para se opor à chamada cláusula de barreira e em defesa de "uma reforma política democrática e pluripartidária".

Estiveram presentes ao ato, entre outros, a figura maior do PRB, o vice-presidente de Lula, José Alencar e a musa da esquerda Heloísa Helena, além de Renato Rabelo (PCdoB), do presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e do governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

Não é preciso nenhum esforço de análise para se dar conta de que a luta contra a cláusula de barreira, que unificou em uma frente comum tais figuras políticas, não é uma luta contra os autores e defensores da medida, em primeiro lugar, o governo Lula.

A primeira coisa que chama a atenção é que se trata de mais um embuste político e da pior espécie possível. Basta ver a composição desta frente política “de luta” por "uma reforma política democrática e pluripartidária" para ver que se trata de uma coligação governista para obter privilégios para meia dúzia de partidos, ou menos ainda, em detrimento da maioria dos partidos. O que temos, na realidade, é uma frente a favor da reforma partidária, mas que objeta o fato de que este ou aquele partido tenha que ser sacrificado por tão boa causa. Está absolutamente claro que nada que possa ser remotamente democrático poderá sair de uma frente “de luta” com José Alencar e seu PRB ou com o PCdoB, partidos do governo Lula.

A chamada reforma política nada mais é que uma tentativa dos grandes partidos de tornar o regime eleitoral e partidário ainda mais autocrático do que já é, reforçando o poder destes mesmos partidos sobre os demais. Os partidos reunidos ontem em Brasília vêm há muito colaborando com o projeto e apoiando as suas medidas antidemocráticas. A única coisa que querem é uma regra de exceção para que os seus próprios partidos não precisem cumprir a lei, um privilégio político para os que tiveram as suas ilusões frustradas apesar de todo o investimento eleitoral. O PSol de Heloísa Helena é especialista em obter privilégios, como vimos na eleição recente, quando os tão isentos juízes do TSE criaram uma regra para que a musa da revolução socialista-católica pudesse participar dos debates de televisão, mesmo sem ter o direito, de acordo com as próprias regras antidemocráticas estabelecidas pelo TSE.

O mais interessante, no entanto, é que este ato e esta frente política é mais uma manifestação grotesca do verdadeiro conto do vigário que Heloísa Helena e o PSol vêm aplicando sobre toda a esquerda ao se apresentarem e serem apresentados como de “esquerda”, de “oposição” ao governo Lula, “socialistas”, “democráticos” e representantes “dos trabalhadores”.

Durante a eleição, vários grupos e organizações da esquerda, a começar pelo PSTU, esforçaram-se para convencer os trabalhadores e a esquerda de que o movimento organizado em torno de Heloísa Helena seria... a alternativa de classe e socialista dos trabalhadores!

Fizeram-se de cegos diante do fato de que a senadora petista havia passado oito anos no senado levando adiante a política burguesa, pró-imperialista e direitista do PT. Que mantinha uma aliança escancarada e estreita com o PFL e o PSDB no senado para se fazer de oposição de fachada ao governo Lula, como fazem estes partidos. Que havia participado e encoberto a “pizza” na CPI do Correio. Que havia apoiado com os dois braços a repressão ao MLST. Que havia se tornado “musa da esquerda” por meio de uma evidente operação da grande imprensa capitalista.

Apesar disso, foi formada uma frente de esquerda para apoiar a candidatura da senadora do PSol, em troca de uma miragem: tomar carona na popularidade criada pelos capitalistas para conseguir um lugar ao sol neste templo maravilhoso da esquerda que é o Congresso Nacional ou, até mesmo, mais modestamente, em algum templo menor das assembléias estaduais.

Durante a eleição, Heloísa Helena escolheu como vice um homem de confiança do corrupto
político de direita Anthony Garotinho e rivalizou com Alckmin para ver qual dos dois candidatos era o mais a favor dos capitalistas, o mais feroz defensor da repressão policial, o maior inimigo dos direitos do povo, em resumo, o mais contra-revolucionário, para conseguir o apoio da burguesia contra Lula...

No segundo turno, liberou seus eleitores para votarem em Alckmin contra Lula.
Nada disso mudou a opinião desta esquerda que, em muitos lugares, chegou ao extremo da falta de bom senso ao dizer que os votos de Heloísa Helena, que todas as pesquisas apontavam como direitistas, seriam a base para uma “luta contra o governo Lula” e, pior, “em defesa dos interesses dos trabalhadores”.

Agora, estamos assistindo a mais uma etapa de desmoralização desta esquerda. A musa decidiu ampliar a “frente de esquerda” a ninguém menos que o vice-presidente do “mensalão” e o partido do presidente do corrupto Congresso Nacional, o PCdoB.

Quanta sujeira a esquerda que gravita em torno da frente – de esquerda ou de direita? – conseguirá varrer para debaixo do tapete.

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