Desemprego e desenvolvimentismo
4 de dezembro de 2006
Uma das principais formas políticas com que a burguesia procura subordinar politicamente a classe operária é a promessa de um desenvolvimento econômico que, ao realizar o milagre de fazer crescer a economia, propiciaria um benefício para todos, operários e capitalistas, camponês e latifundiário, classes médias e altas, banqueiros e industriais. É o capitalismo bom com o capitalismo mau. É a fábula do chapeuzinho vermelho traduzida na linguagem da política e da economia.
Uma parcela dos grandes capitalistas procura atrair o conjunto dos capitalistas, médios e pequenos, com a promessa de voltar uma parcela expressiva do investimento Estado nacional para a produção industrial. Todos sabem que esta pregação, muito comum na boca do vice-presidente de Lula, o industrial mineiro José Alencar, significa apenas que os grandes capitalistas querem barganhar com os banqueiros melhores condições de associação. A crise é real, mas a política dos grandes capitalistas jamais irá até o ponto da ruptura com os bancos e com o imperialismo mundial, porque isso significaria abrir uma crise revolucionária da qual apenas o proletariado e as massas agrárias têm condição de extrair um benefício, nunca os grandes industriais.
Esta política tortuosa tem sido apelidada pela imprensa capitalista, mestra em enganos, pelo enganoso nome de “desenvolvimentismo”. Em tempos idos e vividos, o “desenvolvimentismo” era um programa com um mínimo de ambição histórica, isto é, fazia, ao menos, referência, de fato, a um desenvolvimento nacional, embora, pelos seus meios políticos e econômicos nunca esteve sequer próximo de realizar esta ambição. Hoje, “desenvolvimentismo” é uma palavra para designar a mais medíocre política de socorro dos grandes capitalistas pelo Estado em detrimento do desenvolvimento nacional.
Esta política rasamente medíocre, demagógica e sem qualquer efetividade foi, durante as eleições esposada pela esquerda, para cumprir exatamente a sua função mais demagógica. Diante da greve da Volkswagen, uma empresa imperialista estrangeira, que começou a demitir milhares de trabalhadores, o conjunto dos candidatos burgueses apresentou como solução a doação de dinheiro do Estado, vale dizer, do dinheiro dos próprios operários, para os capitalistas estrangeiros, para solucionar o problema do desemprego. Entre estes candidatos, estava a grande musa da esquerda pequeno-burguesa e burguesa nacional, apoiada pelo presidente do BNDES, um dos grandes defensores do “desenvolvimentismo” e tendo como vice um dos mais medíocres propagandistas desta política medíocre, César Benjamin.
Solucionar o desemprego pela conciliação entre os interesses patronais e operários cimentada pelo dinheiro do Estado. A utopia econômica dos socialistas democráticos...
Esta política não é apenas a mais fraudulenta tentativa de enganar os operários, como é lesiva à economia nacional e um obstáculo ao desenvolvimento.
É uma fraude contra os operários porque a longa e dolorosa experiência demonstra que, nunca nas últimas décadas, a entrega de bilhões às grandes empresas conseguiu, já não digamos, solucionar, mesmo parcialmente, o problema do desemprego, como foi um fator de intensificação das demissões na medida que paralisava a luta da classe operária contra a máquina infernal.
As empresas capitalistas são obviamente ineficientes e incapazes de competir. O capitalismo, de um modo geral, já não pode se dar a este luxo. A entrega da poupança nacional em mãos do Estado a empresas ineficientes só pode merecer o nome de desperdício. Em geral, este dinheiro não é usado para investimentos produtivos, uma atividade que se colocaria no âmbito de uma coisa maior que se poderia chamar “desenvolvimento”, mas é usado para compensar perdas comparativas das empresas em relação aos bancos e ao mercado mundial.
Milhões de seres humanos que trabalham são convocados a sustentar a ineficiência e agravar o parasitismo do capitalismo em relação ao Estado com o preço altíssimo das suas condições de vida. Pode haver maior obstáculo ao progresso que tal procedimento?
Finalmente, a parte do leão do pseudo investimento estatal vai parar, curiosamente para quem fala em desenvolvimento nacional, no caixa de grandes empresas estrangeiras como as montadoras de automóveis, um dos ramos industriais mais parasitários do mundo, onde o setor propriamente produtivo, as fábricas de auto-peças pagam um imenso imposto a empresas que pouco ou nada produzem de fato.
Este é o preço colossal que a classe operária deve pagar pela utopia socialista “libertária” ou seria melhor dizer “socialista liberal”?
A única via para acabar com o desemprego é a luta de classes do proletariado.
Não há reformas verdadeiras sob o capitalismo a não ser através da luta revolucionária da classe operária. Os capitalistas devem perder para que todo o País ganhe, através de um programa de redução da jornada, de distribuição das horas trabalhadas entre todos os trabalhadores.
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