Poder proletário e partido

4 de maio de 2007

O partido é um instrumento para a conquista e o exercício do poder político. Esta é a forma necessária que assume o mecanismo da política na época moderna, após a revolução francesa, mas, principalmente, após o surgimento do proletariado como fator político. Lênin fazia questão de sublinhar que o partidarismo é uma idéia fundamentalmente proletária e não burguesa, o que significa que a burguesia nunca conheceu verdadeiros partidos políticos. As classes sociais não podem agir politicamente, historicamente, a não ser através do instrumento indispensável do partido político.

É, no entanto, esta idéia fundamental que se encontra em questão e que está no olho do furacão da luta ideológica do momento presente.

A burguesia governa através de partidos - e não poderia ser de outra forma -, mas não exerce a sua dominação política apenas através de partidos. Todo o regime político, em suas instituições e expressões políticas, concorre para a supremacia de classe da burguesia, a qual constitui uma verdadeira ditadura de classe. O instrumento fundamental para a ditadura da burguesia é o Estado burguês. O proletariado não dispõe e não disporá nunca devido às limitações da história desta prerrogativa. As características da formação da burguesia e da história da sua dominação política lhe permitiram dar ao regime político uma extraordinária plasticidade, uma flexibilidade que nenhum regime político teve antes e que o regime proletário não terá jamais. A ditadura do proletariado, que é a única forma possível de dominação política da classe operária, é pela sua própria essência, um regime de transição entre o capitalismo e o socialismo e como tal, um regime de guerra civil mundial, cuja característica é revolução permanente em todos os domínios da vida política econômica, social e política e não a estabilidade que caracterizou a dominação histórica da burguesia. Nesse sentido, as possibilidades de um parlamentarismo operário - embora teoricamente aceitável - nunca serão tão amplas como o parlamentarismo burguês.

Daí que o papel histórico do partido operário seja muito mais decisivo do que os partidos burgueses tanto das revoluções burguesas, como de toda a época de fastígio e decadência do parlamentarismo.

A missão histórica do partido revolucionário, se nos permitem a expressão, não apenas é a de educar e organizar a classe operária para a tomada do poder, mas a de organizar conscientemente a insurreição, engrenagem decisiva da revolução, e de exercer, contra toda a ferocíssima resistência das velhas classes dominantes o poder político. A complexidade das tarefas - cujo caráter consciente supera em muito as tarefas das revoluções burguesas - impõe a complexidade da organização operária, ou seja, opõe-se ao espontaneísmo e a toda a ficção “democrática” das virtudes das massas desorganizadas.

Toda a esquerda stalinista - ou ex-stalinista - passou da ideologia do partido único, estatal e monolítico para a condenação sem atenuantes do partido revolucionário como sendo um crime capital contra a democracia. Esta inflexão ideológica não deixou de fora a maioria das variantes da esquerda que se apresenta como trotskista.

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