Quem paga?
6 de dezembro de 2006
Após as eleições, sob a pressão de uma insatisfação generalizada das classes intermediárias com a corrupção e a farsa eleitoral, a imprensa capitalista deu grande destaque aos financiamentos das campanhas eleitorais, revelando o segredo de Polichinelo de que o Congresso Nacional está todo no bolso dos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros, em primeiro lugar os bancos.
A maioria destas contribuições é, com a exceção de óbvias negociatas entre o governo do PT e governos estaduais e seus fornecedores, feita dentro da lei. Assim, o povo vota e os grandes capitalistas controlam os eleitos contra o povo. A imprensa capitalistas faz um grande alarido sobre o “caixa 2” que serve para ocultar o problema ainda maior do “caixa 1”.
As revelações do “investimento” feito pelos grandes capitalistas nas eleições vem coroar um ano de rica experiência da população com o sistema democrático e parlamentar da burguesia brasileira. Grande parcela da população brasileira, tanto da classe média, como da classe trabalhadora chegou a compreender a profunda verdade da frase do atual presidente da República que assinalou que o Congresso Nacional são 300 picaretas com anel de doutor no dedo. Na realidade, foram além e compreenderam que há uma óbvia subestimação da quantidade real de picaretagem que engloba, em grande destaque, o próprio partido do presidente e seus aliados.
Até aqui, nada de novo sob o sol, uma vez que não pode ser novidade para ninguém que partidos burgueses sejam financiados e, em conseqüência disso, controlados pela burguesia para defender os seus interesses contra os interesses do povo no interior do Congresso Nacional, das demais casas legislativas do País e nas administrações das três esferas do Estado. O mais relevante aqui é a radiografia que apresenta do Partido dos Trabalhadores, partido que, juntamente com seus aliados do PCdoB, dirige as maiores organizações das massas no País como a CUT, a CMT, o MST, a UBES e a UNE.
De um modo geral, as direções destas organizações alimentam junto aos trabalhadores da cidade e do campo e aos estudantes a ficção de que o governo Lula é um governo de esquerda, que, mesmo através de uma tortuosa versão de política realista, estaria trabalhando pelos interesses dos oprimidos e dos explorados e que estaria procurando fazer algo de concreto dentro do possível pelo povo, enquanto que outros partidos que o criticam nada têm a oferecer a não ser quimeras e utopias, coisas belas, mas impossíveis de serem colocadas em prática. Em um certo sentido, é uma explicação simétrica à fornecida pela burguesia para justificar a sua política de espoliação permanente do povo brasileiro.
No entanto, as contas de campanha do PT e da frente popular revelam que nada disso é, nem mesmo remotamente, verdadeiro. A própria constituição do governo do PT e da frente popular é o resultado de uma operação financeira dos maiores capitalistas, ou seja, dos piores inimigos do povo.
Como se tudo isso fosse pouco, os banqueiros se prontificaram a doar ao PT cerca de 18 milhões para cobrir parte do rombo da campanha eleitoral do PT. E os dirigentes sindicais do PT e do PCdoB querem convencer os trabalhadores de que os banqueiros estão financiando a luta contra eles mesmos...
O financiamento das campanhas eleitorais da “esquerda” pelos banqueiros é um investimento para a constituição da parte política da grande operação econômica dos grandes capitalistas.
Quem paga, determina o rumo do governo.
Esta verdade elementar que a própria imprensa capitalista não pôde deixar de apresentar, deve ser explicada aos trabalhadores em todo o País, incansavelmente, com números e dados, para que a classe operária compreenda o sentido e o conteúdo de classe do governo Lula e seus partidos como o PT e o PCdoB.
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