8 de março de 2007 O que a burguesia dá com a mão direita, ela tira dez vezes mais com a mão esquerda. Este velho dito socialista é mais que nunca aplicável ao fenômeno do dia internacional da mulher. O 8 de março foi originalmente, e somente pode continuar sendo para poder ser alguma coisa, o dia internacional de luta das operárias contra a opressão da mulher e do capitalismo. A luta das mulheres foi iniciada pelas filhas da burguesia que, seguindo o exemplo do movimento operário britânico, reivindicava o sufrágio feminino, da mesma forma que o movimento cartista antes dele havia reivindicado o sufrágio universal. O movimento britânico, diretamente inspirado pelas lutas operárias, foi o mais combativo de todos os movimentos sufragistas. No entanto, foi o movimento operário, mais especificamente o movimento socialista, marxista, da II Internacional que deu à luta das mulheres uma perspectiva política real, que ia além do problema do sufrágio reivindicando as condições necessárias para a natalidade, a liberdade civil da mulher diante do cárcere do casamento através do divórcio e, acima de tudo, a integração da mulher na luta pelo poder político. Enquanto que o movimento sufragista colocava-se mais e mais a reboque dos partidos burgueses, o socialismo oferecia às mulheres a perspectiva da organização política independente do Estado e dos partidos burgueses. O ápice desta luta foi a Revolução Russa de 1917. Nas palavras de um dos seus principais dirigentes: “ A Revolução de Outubro manteve da maneira mais honesta a palavra no que diz respeito à mulher. O novo poder não se contentou em conceder à mulher os mesmos direitos jurídicos e políticos que o homem, ele fez – o que é mais – tudo o que podia e em todo caso infinitamente mais que qualquer outro regime para abrir realmente o acesso a todos os domínios econômicos e culturais. Mas, tanto quanto o “todo-poderoso” parlamento britânico, a mais poderosa revolução não pode fazer da mulher um ser idêntico ao homem ou, melhor dizendo, dividir por igual entre ela e seu companheiro os cuidados da gravidez, de dar à luz, da amamentação e educação das crianças. A revolução tentou heroicamente destruir o antigo “lar familiar”, instituição arcaica, conservadora, sufocante, na qual a mulher das classes laboriosas está condenada a trabalhos forçados, da infância até a morte. À família, considerada como uma pequena empresa privada fechada deveria suceder, no espírito dos revolucionários, um sistema acabado de serviços sociais: maternidades, creches, jardins de infância, restaurantes, lavanderias, dispensários, hospitais, sanatórios, organizações esportivas, cinemas, teatros etc. A absorção completa das funções econômicas da família pela sociedade socialista, ligando toda uma geração pela solidariedade e assistência mútua, deveria dar á mulher e, por conseguinte ao casal, uma verdadeira emancipação do jugo secular. Enquanto esta obra não for realizada, 40 milhões de famílias soviéticas permanecerão, em sua grande maioria, presas dos costumes medievais, da sujeição e da histeria da mulher, das humilhações cotidianas das crianças , das superstições de um e de outro. (...) Enquanto isso, no mundo real, o capitalismo revive o tráfico de escravas, o aumento da prostituição e a prostituição infantil, a escravidão e, nos casos mais benignos, utiliza a superexploração da mão-de-obra feminina oprimida para baratear o mercado de trabalho. A luta da mulher e a luta pelo socialismo são coisas diferentes. Não se pode deixar de explicar isso a muitos “esquerdistas” e “socialistas” que usam o socialismo e a revolução para eliminar da perspectiva política a luta da mulher. No entanto, elas estão unidas em torno da luta comum contra o Estado burguês, de um ponto de vista imediato, ou seja, na luta pelo governo operário, único que pode libertar a mulher em algum sentido da palavra, e, historicamente, na luta contra o capitalismo e a miséria que ele cria, no retrocesso que ele provoca, criando um obstáculo intransponível à libertação da mulher, sem a qual não se pode sequer pensar na libertação da humanidade. 1 - Leon Trotski, A revolução traídaFaça um comentário Comentários e respostas
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