A volta da cana-de-açúcar

9 de março de 2007

O Brasil enfrenta mais uma vez a maldição da alta produtividade do seu solo. Hoje, Lula e Bush deverão declarar os pontos do acordo em torno da comercialização do etanol, cobiçado pelo imperialismo norte-americano e mundial diante da iminente crise com o petróleo relacionada com a areia movediça em que se encontra o imperialismo no Iraque.

O comunicado, esperado ansiosamente por todo um setor da burguesia, somente trará maiores obstáculos ao desenvolvimento do País, ou seja, sob a aparência de ganhos comerciais, maior fome e miséria para a população brasileira.
Será, talvez mais que simbolicamente, um retorno ao grande problema da formação da economia nacional onde as grandes qualidades de clima e solo criaram uma ampla indústria, altamente rentável para a época, do açúcar, baseada na mão-de-obra escrava que foi o obstáculo decisivo ao desenvolvimento de um mercado interno e de um capitalismo endógeno.

O problema do combustível é um dos problemas centrais de todo o funcionamento da economia capitalista mundial. Não apenas se trata de um problema de gigantescas proporções, como que está situado estrategicamente no centro das preocupações políticas e econômicas do imperialismo. O fracasso do imperialismo no Iraque trará enormes conseqüências, que a imprensa capitalista toda procura ocultar ou menosprezar, tanto econômicas como políticas. Daí a urgência com que Bush, ou seja, o imperialismo colocou este problema na mesa.

Seu objetivo é fazer com que não apenas o Brasil, mas também as antigas colônias escravagistas da América do Sul e Central passem a produzir combustível barato para as necessidades imperialistas e sob o seu completo controle, tanto econômico como político. O Brasil e demais países coloniais colocariam o esgotamento dos seus recursos agrícolas e a mão-de-obra extremamente barata dos seus cidadãos para criar este milagre. Em troca, alguns capitalistas locais receberão uma pequena recompensa pela sua associação com o imperialismo na exploração dos seus próprios países... com a generosa ajuda do governo, é claro.

O problema do etanol, assim como os diferentes problemas da economia nacional, demonstram que o tão propalado desenvolvimento econômico é absolutamente inseparável da questão chave do poder político. Não bastam as vantagens econômicas, como as que o Brasil tem, por exemplo, na produção do combustível de cana, uma realidade no País desde os anos 70. Esta vantagem somente será real se o País em questão tiver poder político para fazer dela uma vantagem efetiva. O que está para acontecer é o exato oposto: todas as vantagens irão para o imperialismo, que sofre de escassez de combustível e uma situação de emergência, mas conta com poder político real.

Somente um país verdadeiramente soberano poderia fazer da questão do etanol um meio para o desenvolvimento nacional. Os governos burgueses no Brasil, inclusive o do ex-operário Lula, não são soberanos e isto ficará uma vez mais, mas desta feita de forma ampla e geral, demonstrado pelo acordo do álcool.

A produção de açúcar primeiro, de ouro e prata e, finalmente, de café, por mais que apresentassem vantagens econômicas extraordinárias, nunca serviram em nenhuma medida para desenvolver o País, mas enriqueceram os comerciantes portugueses e holandeses primeiro, a Inglaterra depois e os bancos ingleses e norte-americanos. Assim como o operário produz riquezas que não lhe trazem riqueza, por não ter o controle do capital e do processo de produção, os países atrasados e fundamentalmente colonizados política e economicamente pelo imperialismo, não verão a riqueza nacional sair das suas riquezas produzidas.

Somente o governo futuro dos trabalhadores brasileiros em aliança com semelhantes governos em outros países poderá romper o círculo vicioso. É por este motivo que o governo Lula, que fez muito pela privatização do petróleo e os capitalistas nacionais sequer mencionam o problema estratégico da nacionalização desta indústria.

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