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O
problema do negro é um problema histórico no Brasil. É
uma questão não resolvida da história nacional e
da organização do Estado nacional. As grandes crises nacionais
deram a esta questão uma solução provisória,
parcial e deformada: independência, abolição e República,
revolução de 30, golpe militar de 64 etc. Com a crise capitalista,
a questão abriu-se novamente. O regime "democrático"
enfrentou a questão com uma política puramente demagógica,
buscando a cooptação das atuais direções dos
movimentos que falam em nome do povo negro no Brasil.
A luta do negro necessita, acima de tudo, de clareza, ou seja, de um programa
para a luta do negro.
O Coletivo João Cândido surgiu acima de tudo para oferecer
à luta do negro um programa político baseado em uma compreensão
adequada da realidade e que dê um solução real para
o problema, baseada em uma análise e conclusões científicas
da realidade e não em dogmas como a "raça" a "cor"
etc. que somente levaram, em todo o mundo, a grandes desastres políticos.
O Coletivo João Cândido começou a ser construído
na década de 90 como um centro de elaboração marxista
da questão do negro no Brasil e internacionalmente. Neste período,
foram publicadas teses e formulações programáticas
e iniciou-se a publicação do jornal João Cândido,
um órgão dedicado exclusivamente à discussão,
análise e formulação de um programa e uma política
para a questão do negro.
As teses e o programa elaborados para a I Conferência Nacional são
o resultado de um esforço para definir esta perspectiva política.
A conferência deve ser o instrumento para dar um passo adiante na
organização deste trabalho em um patamar superior e sobre
bases mais amplas.
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